As preposições, em língua portuguesa, mostram diferentes valores semânticos; assim, na frase “Dos mortos não fale a não ser bem”, a preposição DE mostra o mesmo valor semântico que mostra na seguinte frase:
ADevemos rir do homem para não precisarmos chorar por ele.
BO prazer da sociedade, sobretudo no interior, consiste em falar mal uns dos outros.
CA primeira metade de nossas vidas é arruinada por nossos pais e a segunda por nossos filhos.
DNão se deve falar do cemitério. É um lugar-comum...
EEu percebo, sem nenhum terror, a desunião das moléculas de minha existência.
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GabaritoD — Não se deve falar do cemitério. É um lugar-comum...
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Valor semântico da preposição "de"
Gabarito: letra D.
A preposição "de" na frase original "Dos mortos não fale a não ser bem" expressa o valor semântico de assunto/tópico – ou seja, indica aquilo sobre o que se fala (falar de algo/alguém). A única alternativa que preserva exatamente esse mesmo valor é a D: "Não se deve falar do cemitério" – também com o sentido de "falar sobre o cemitério".
Preposição "de" — valores semânticos
1Assunto/tópico (falar sobre)
"Dos mortos não fale" (original)
"Falar do cemitério" (D)
2Motivo/alvo (rir de)
"Rir do homem" (A)
3Partitivo (parte de um todo)
"Uns dos outros" (B)
"Desunião das moléculas" (E)
4Posse (pertencimento)
"Metade de nossas vidas" (C)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Devemos rir do homem para não precisarmos chorar por ele."
Aqui o verbo é "rir de", que expressa o sentido de motivo ou alvo do riso (rir de alguém = ridicularizar), e não de assunto/tópico. Valor semântico diferente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O prazer da sociedade [...] consiste em falar mal uns dos outros."
Embora "falar mal de" também indique o objeto da fala, a construção "uns dos outros" é uma expressão recíproca que carrega um matiz partitivo – literalmente "um dos outros" / "cada um do outro". A banca considerou que o valor não é exatamente o mesmo do original, que é puro tópico.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode achar que "falar mal uns dos outros" equivale a "falar dos outros", mas a presença do pronome recíproco altera sutilmente a relação semântica da preposição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"A primeira metade de nossas vidas é arruinada por nossos pais..."
"De" marca posse (a metade pertence à vida). Não há relação de tópico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não se deve falar do cemitério. É um lugar-comum..."
Exatamente o mesmo valor: "falar de" introduzindo o assunto. O paralelismo é direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a desunião das moléculas de minha existência"
"De" em "das moléculas" tem valor partitivo (a desunião das moléculas = que existe entre as moléculas) ou posse. Nada a ver com tópico.
Conclusão: A única alternativa em que "de" mantém o valor semântico de assunto/tópico, idêntico ao da frase original, é a letra D.