Questão de Farmácia — Biologia Molecular e Biotecnologia — FGV 2025
Farmácia›Biologia Molecular e Biotecnologia
Código
fg125334
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Entre os programas previstos no Novo PAC Saúde em 2025, consta a criação de centros de competência para viabilizar a produção nacional de vacinas com RNA mensageiro (mRNA). Uma das maiores inovações da biomedicina, essas vacinas serão utilizadas para tratar doenças como Covid-19, leishmaniose, câncer, influenza, zika, chikungunya e doenças respiratórias causadas por vírus sincicial respiratório.Adaptado de https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/maio.As vacinas produzidas com base no RNA mensageiro são uma importante inovação científica, pois
Aproduzem uma resposta imunológica no organismo a partir da inoculação de um vírus inativado.
Bpreparam o corpo humano, dando instruções ao sistema imunológico sobre como combater um vírus específico.
Cutilizam um agente infeccioso específico, morto ou atenuado, que leva o organismo a reconhecê-lo como um agente estranho.
Dalteram o DNA do receptor, possibilitando reformular o seu genoma e modificar permanentemente suas características biológicas.
Eusam a biotecnologia e a genômica para o cultivo de vírus ou proteínas em células vivas, com o objetivo de inserir novas sequências genéticas.
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GabaritoB — preparam o corpo humano, dando instruções ao sistema imunológico sobre como combater um vírus específico.
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Vacinas de RNA mensageiro (mRNA): mecanismo de ação
Gabarito: letra B. As vacinas de mRNA funcionam entregando ao organismo uma "receita" — o RNA mensageiro — que instrui as células a produzirem uma proteína específica do patógeno (como a proteína spike do SARS-CoV-2), para que o sistema imunológico aprenda a reconhecê-la e a combater o vírus real. Essa é a essência da tecnologia: dar instruções ao sistema imunológico, e não inocular o vírus inteiro, morto ou atenuado, como fazem as vacinas tradicionais.
Para entender por que a alternativa B é a correta, é preciso compreender o que diferencia as vacinas de mRNA das vacinas clássicas. As vacinas convencionais — atenuadas ou inativadas — apresentam ao sistema imunológico o próprio agente infeccioso (ou parte dele), seja ele um vírus enfraquecido, um vírus morto ou um fragmento proteico. O corpo reconhece esse agente como estranho e monta uma resposta imune, gerando memória imunológica. Já as vacinas de mRNA não contêm o vírus: elas contêm apenas o material genético que codifica uma proteína do patógeno. Ao ser injetado, o mRNA entra nas células do próprio indivíduo e usa a maquinaria celular (os ribossomos) para produzir essa proteína. O sistema imunológico, então, vê a proteína estranha e aprende a atacá-la. É como entregar a "ficha técnica" do inimigo, em vez de enviar o inimigo em si.
Essa diferença traz vantagens importantes: as vacinas de mRNA não usam vírus vivos, portanto não há risco de reversão de virulência (como pode ocorrer com vacinas atenuadas); são mais rápidas de desenvolver e atualizar, pois basta alterar a sequência do RNA; e induzem tanto resposta humoral (anticorpos) quanto celular (linfócitos T), algo que as vacinas inativadas fazem de forma limitada. A tecnologia foi amplamente validada nas vacinas contra a Covid-19 (Pfizer-BioNTech e Moderna) e agora está sendo expandida para outras doenças, como influenza, zika, chikungunya e até câncer.
A pegadinha da questão está em confundir as vacinas de mRNA com as vacinas tradicionais (inativadas ou atenuadas) ou com outras tecnologias, como as vacinas recombinantes ou a terapia gênica. As alternativas A, C e E descrevem exatamente esses outros tipos de vacina, enquanto a alternativa D descreve algo que as vacinas de mRNA não fazem: alterar o DNA do receptor. O mRNA é uma molécula transitória — ele é degradado após cumprir sua função e não se integra ao genoma. Portanto, não há modificação permanente das características biológicas da pessoa vacinada.
Guarde o critério decisivo: vacina de mRNA = instrução para produzir antígeno; vacina tradicional = inoculação do antígeno (vírus morto/atenuado ou proteína recombinante). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Vacinas de mRNA: O que entrega (RNA mensageiro (instrução), Células produzem a proteína); O que NÃO faz (Não contém vírus morto/atenuado, Não altera o DNA, Não cultiva proteínas em células); Vantagens (Sem risco de reversão de virulência, Rápidas de atualizar, Resposta humoral e celular)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve a vacina de vírus inativado (como a CoronaVac ou a Covaxin), que contém o vírus morto e, portanto, não é uma vacina de mRNA. A vacina de mRNA não inocula vírus algum — ela entrega apenas o RNA mensageiro que codifica uma proteína do patógeno.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
É a definição precisa do mecanismo das vacinas de mRNA: o RNA mensageiro entra nas células e as instrui a produzir uma proteína específica do vírus, que será apresentada ao sistema imunológico. O corpo, então, aprende a reconhecer e combater o vírus real. A alternativa espelha exatamente os termos-chave: "preparam o corpo humano, dando instruções ao sistema imunológico sobre como combater um vírus específico".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve a vacina de agente infeccioso morto ou atenuado (vacinas inativadas ou atenuadas), que apresentam o próprio vírus (ou bactéria) ao sistema imunológico. A vacina de mRNA não contém o agente infeccioso — contém apenas a informação genética para produzir uma proteína dele.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a vacina de mRNA altera o DNA do receptor, o que é falso. O mRNA é uma molécula de vida curta que atua no citoplasma, fora do núcleo, e não se integra ao genoma. Não há modificação permanente do DNA nem das características biológicas da pessoa. Essa é uma confusão com a terapia gênica, que visa modificar o DNA de células para tratar doenças genéticas — algo totalmente diferente de uma vacina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve a tecnologia de vacinas recombinantes, em que proteínas do patógeno são produzidas em células (bactérias, leveduras, etc.) por meio da tecnologia do DNA recombinante e depois purificadas e inoculadas. A vacina de mRNA não cultiva vírus nem proteínas em células vivas para depois injetá-las; ela faz as próprias células do indivíduo produzirem a proteína a partir do mRNA entregue.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura as tecnologias de vacinas para confundir. As alternativas A, C e E descrevem vacinas tradicionais (inativadas, atenuadas e recombinantes), enquanto a D descreve terapia gênica. A pegadinha é o candidato associar "mRNA" a "modificação genética" (alternativa D) ou achar que a vacina contém o vírus (alternativas A e C). Lembre-se: mRNA é só uma instrução transitória — não altera o DNA e não contém o patógeno.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar os tipos de vacina, foque no que é entregue ao organismo: vírus inteiro (inativado/atenuado), proteína isolada (recombinante) ou apenas a informação genética (mRNA). Se a alternativa falar em "instruções" ou "receita", é mRNA; se falar em "vírus morto/atenuado", é tradicional; se falar em "alterar DNA", é terapia gênica — e aí está errada para vacina.