Questão de História e Geografia de Estados e Municípios — História e Geografia do Estado do Rio Grande do Norte — FGV 2025
História e Geografia de Estados e MunicípiosHistória e Geografia do Estado do Rio Grande do Norte
- Código
- fg125435
- Banca
- FGV
- Órgão
- SEEC-RN
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
Leia o trecho da entrevista a seguir com Tayse Campos Potiguara
e responda a questão a seguir.
“Não existe índio no Brasil”
Agora, esse termo indígena no Brasil, eu acho que é só uma
apropriação política. Nunca existiu índio no Brasil e vai continuar
não existindo índio no Brasil. Ele foi trazido pelos colonizadores que
passaram a chamar todo mundo aqui de índio. Essas pessoas até
hoje não se autoafirmam indígenas, mas usam a categoria que foi
criada pelo colonizador para garantir direitos. Então nós somos
índios, temos direitos, vamos garantir os nossos direitos a partir
dessa categoria. Mas continua no Brasil existindo os Mendonças
do Amarelão, os Potiguara do Catu, os Potiguara do Sagi, os
Potiguara da Baía da Traição, os Fulniô de Pernambuco, os
Xavante, os Tuxá da Bahia, os Caiapó lá na região Norte, os
Guarani-Kaiowá que perderam suas terras e estão espalhados em
vários Estados. Esses povos continuaram preservando sua etnia,
seu povo. Então não é pelo fato de eu ser índio que eu deixo de ser
Mendonça, eu sou Mendonça. E eu sou diferente do Potiguara do
Catu. Agora, eu acho que esse termo indígena se fortaleceu muito
a partir da década de 1970, a partir de toda aquela mobilização
indígena que houve a favor da constituição federal de 88, de
militância, de luta, para garantir, assegurar os direitos dentro
constituição federal.
Adaptado de CAMPOS. Tayse. Entrevista concedida para pesquisa de
doutoramento (setembro de 2021). Entrevistadora: Andreza de Oliveira
Andrade. Comunidade do Amarelão, João Câmara – RN, 2021. Entrevista
realizada em 21/09/2022 às 14hs.
A entrevista concedida por Tayse Campos Potiguara insere-se em um projeto de registro da tradição de resistência e atuação política de indígenas mulheres no Rio Grande do Norte.Nesse caso, o uso da história oral, permitiu
- Aregistrar memórias subjetivas, cuja validação depende de pesquisa documental de registros oficiais.
- Bconstruir um conhecimento provisório, que toma narrativas imaginárias como fonte de saberes.
- Cconectar memória individual e história do tempo presente para um exercício lírico plurissignificativo.
- Dvalorizar a oralidade como modo de produção e transmissão de saberes e histórias dos povos originários, narradas a partir de suas próprias falas.
- Edar voz às questões feministas indígenas e à autoafirmação de gênero mediante uma entrevista opinativa.