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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — FGV 2025

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
fg125832
Banca
FGV
Órgão
TJ-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Em “Inimigos”, Veríssimo associa o passar do tempo às transformações nas relações amorosas por meio de recursos linguísticos e contextuais.Assinale a opção em que se identifica o elemento linguístico que contribui diretamente para a construção da associação tempo-tratamento pretendida pelo autor.
  1. AUso de parênteses com referências à passagem de tempo, que simbolizam pensamentos associados ao senso comum.
  2. BEscolhas de pronomes referenciais, que evidenciam alterações no comportamento da personagem masculina.
  3. CUso de substantivos depreciativos, que fazem referências diretas e indiretas à personagem feminina.
  4. DPresença de travessões, que organizam a leitura ao diferenciar as vozes do narrador e dos personagens.
  5. EUso do sufixo de diminutivo, que antecipa o desfecho da narrativa ao se associar a substantivos comuns e próprios.
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GabaritoB — Escolhas de pronomes referenciais, que evidenciam alterações no comportamento da personagem masculina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da associação tempo-tratamento em "Inimigos"

Gabarito: letra B. As escolhas de pronomes referenciais ao longo do texto — de "Quequinha" a "Aquilo" — são o elemento linguístico que diretamente materializa a degradação do tratamento de Norberto para com Maria Teresa à medida que o tempo passa. O texto não apenas narra a passagem do tempo, mas a mostra por meio da evolução dos referentes usados. As demais alternativas apontam recursos secundários ou periféricos.

  1. 1Quequinha
  2. 2A mulher aqui
  3. 3Esta mulherzinha
  4. 4Ela
  5. 5Essa aí
  6. 6Aquilo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Os parênteses contêm reflexões metalinguísticas sobre o tempo ("O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos…"), mas são comentários do narrador, não o recurso que constrói a associação entre tempo e tratamento. A associação é construída pelas próprias palavras que Norberto usa para se referir à esposa, não pelas intervenções entre parênteses. A alternativa extrapola: atribui aos parênteses um papel que eles não desempenham na progressão dos tratamentos.

Alternativa B — ✅ Correta

Todo o texto é uma sucessão de formas de tratamento: "Quequinha" → "a mulher aqui" → "esta mulherzinha" → "Ela" → "essa aí" → "Aquilo". São pronomes referenciais (e expressões nominais com valor déitico) que evidenciam o distanciamento progressivo. O próprio título e o refrão "O tempo, o tempo" vinculam essa mudança ao fator temporal. Como se lê no trecho: "o Norberto deixou de chamar a Maria Teresa de Quequinha" e, ao final, "Faz um meneio de lado com a cabeça e diz: — Aquilo…". A letra B nomeia exatamente esse mecanismo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Substantivos depreciativos aparecem ("esta mulherzinha", "essa aí", "Aquilo"), mas o texto também emprega termos neutros ou afetivos ("Quequinha", "a mulher aqui"). O foco não é a depreciação em si, mas a sucessão de referentes, que inclui desde o afeto até a coisificação. A alternativa restringe o fenômeno a apenas uma parte do processo e ignora os demais estágios.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os travessões marcam falas de personagens, mas são um recurso de pontuação padrão em diálogos, não um elemento que contribua diretamente para a associação tempo-tratamento. A alternativa tangencia o tema: fala sobre organização da leitura, que é uma função geral dos travessões, sem relação específica com a progressão dos tratamentos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O sufixo de diminutivo aparece em "Quequinha" (apelido) e "mulherzinha" (já depreciativo), mas não é o elemento central. O desfecho ("Aquilo") não usa diminutivo; a progressão é marcada por mudanças de classe gramatical (substantivo próprio → substantivo comum → pronome remoto), não pelo grau. A alternativa confunde um recurso específico (diminutivo) com o padrão geral de referência, que é pronominal.

Conclusão: A única alternativa que identifica corretamente o elemento linguístico que diretamente constrói a associação entre o passar do tempo e a mudança no tratamento é a letra B, que aponta as escolhas de pronomes referenciais como evidência das alterações no comportamento da personagem masculina.

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