Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg128289
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Especialista Legislativo - Nível IV - Medicina
Paciente adulto em parada cardiorrespiratória encontra-se intubado e em RCP.Está disponível capnografia quantitativa de forma de onda, que mostra EtCO₂ persistentemente em 7 mmHg após vários ciclos de compressões torácicas.De acordo com as diretrizes do ACLS, assinale a opção que apresenta a interpretação e a conduta mais adequadas.
ATal valor de EtCO₂ é esperado durante RCP, devendo-se manter qualidade das compressões e não utilizar esse dado para qualquer decisão.
BTal valor de EtCO₂ sugere compressões torácicas excessivamente vigorosas, devendo-se reduzir a profundidade das compressões.
CUm EtCO₂ tão baixo sugere baixa eficácia circulatória - otimizar imediatamente a qualidade da RCP e reconhecer o pior prognóstico se o valor permanecer < 10 mmHg após cerca de 20 minutos.
DTal valor de EtCO₂ indica retorno de circulação espontânea (RCE) iminente, e deve-se interromper as compressões para checar pulso.
EO EtCO₂ não tem papel estabelecido durante RCP no ACLS, sendo útil apenas para confirmar posição do tubo orotraqueal.
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GabaritoC — Um EtCO₂ tão baixo sugere baixa eficácia circulatória - otimizar imediatamente a qualidade da RCP e reconhecer o pior prognóstico se o valor permanecer < 10 mmHg após cerca de 20 minutos.
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Capnografia na RCP: interpretação do EtCO₂ e conduta
Gabarito: letra C. Um EtCO₂ persistentemente em 7 mmHg durante RCP indica baixa eficácia circulatória — o valor normal durante compressões de alta qualidade costuma ser ≥ 10 mmHg —, exigindo otimização imediata da qualidade da RCP; valores persistentemente < 10 mmHg após cerca de 20 minutos de RCP associam-se a prognóstico muito reservado. Essa é a interpretação alinhada às diretrizes do ACLS, que recomendam o uso da capnografia quantitativa de forma de onda para monitorar a qualidade das compressões e detectar retorno da circulação espontânea (RCE).
A capnografia quantitativa de forma de onda mede a concentração de CO₂ no ar exalado ao final da expiração (EtCO₂). Durante a RCP, o EtCO₂ reflete o fluxo sanguíneo pulmonar gerado pelas compressões torácicas: quanto mais eficazes as compressões, maior o débito cardíaco artificial e, consequentemente, maior a eliminação de CO₂ pelos pulmões. Por isso, o EtCO₂ é um marcador direto da qualidade da RCP — não é um dado meramente informativo, mas uma ferramenta de monitorização contínua que orienta a conduta em tempo real.
As diretrizes do ACLS (AHA) estabelecem que, após a inserção de via aérea avançada, a capnografia deve ser utilizada para: (1) confirmar a posição do tubo traqueal; (2) monitorar a qualidade das compressões torácicas; e (3) detectar o RCE, que se manifesta por uma elevação abrupta e sustentada do EtCO₂ para valores próximos do normal (geralmente > 35-40 mmHg). Um EtCO₂ baixo e persistente (< 10 mmHg) durante a RCP indica fluxo sanguíneo pulmonar insuficiente, ou seja, compressões ineficazes ou um cenário de baixa probabilidade de sucesso.
Na prática, diante de um EtCO₂ de 7 mmHg, o profissional deve imediatamente: verificar se as compressões estão na frequência (100-120/min) e profundidade (5-6 cm) adequadas, se há retorno completo do tórax, se as interrupções são mínimas, e considerar causas reversíveis (hipovolemia, pneumotórax hipertensivo, tamponamento, etc.). Se, após otimização da RCP, o EtCO₂ permanecer < 10 mmHg por cerca de 20 minutos, o prognóstico é extremamente reservado — embora a decisão de encerrar a RCP nunca seja baseada apenas nesse dado isolado, ele é um forte preditor de não-RCE.
A pegadinha clássica desta questão é inverter o significado do EtCO₂: um valor baixo não indica RCE iminente (na verdade, o RCE causa elevação abrupta), nem compressões excessivamente vigorosas (o excesso de vigor não reduz o EtCO₂; o problema seria lesão por compressão). Também é incorreto ignorar o dado ou afirmar que a capnografia não tem papel na RCP — ela é recomendada justamente para avaliar a qualidade das compressões e detectar RCE.
Guarde a relação: EtCO₂ baixo = má perfusão = otimizar RCP; EtCO₂ que sobe abruptamente = RCE = checar pulso. É exatamente essa distinção que separa as alternativas corretas das incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o valor de 7 mmHg é esperado e que não se deve usar o dado para decisões. Isso contraria a recomendação do ACLS: o EtCO₂ é justamente uma ferramenta para avaliar a qualidade das compressões e guiar a conduta. Um valor tão baixo é um sinal de alerta, não algo a ser ignorado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere que o EtCO₂ baixo indica compressões excessivamente vigorosas e que se deve reduzir a profundidade. Na verdade, compressões vigorosas demais aumentariam o fluxo e, portanto, o EtCO₂ — não o reduziriam. O problema não é excesso de vigor, mas ineficácia circulatória (compressões inadequadas, interrupções, causas reversíveis).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Interpreta corretamente o EtCO₂ de 7 mmHg como sinal de baixa eficácia circulatória, orienta otimizar imediatamente a qualidade da RCP e reconhece o pior prognóstico se o valor permanecer < 10 mmHg após cerca de 20 minutos. Essa é a conduta alinhada às diretrizes do ACLS, que recomendam monitorar o EtCO₂ para avaliar a qualidade das compressões e reconhecer o RCE.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o EtCO₂ baixo indica RCE iminente e que se deve interromper as compressões para checar pulso. Na verdade, o RCE se manifesta por uma elevação abrupta e sustentada do EtCO₂ para valores próximos do normal — não por um valor baixo. Interromper as compressões diante de um EtCO₂ baixo seria um erro grave, pois reduziria ainda mais a perfusão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que o EtCO₂ não tem papel estabelecido durante a RCP, sendo útil apenas para confirmar a posição do tubo. Isso é falso: as diretrizes recomendam fortemente o uso da capnografia durante a RCP para avaliar a qualidade das compressões e detectar RCE, além da confirmação da posição do tubo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão do significado do EtCO₂: um valor baixo é apresentado como sinal de RCE iminente (alternativa D) ou como esperado (alternativa A). Lembre-se: EtCO₂ baixo = má perfusão = otimizar RCP; EtCO₂ que sobe abruptamente = RCE = checar pulso. Com esse raciocínio, você elimina as armadilhas de imediato.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver um valor de EtCO₂ durante RCP, pergunte-se: "o que esse número indica sobre o fluxo sanguíneo pulmonar?" Se < 10 mmHg, otimize compressões e pense em causas reversíveis; se subir abruptamente, suspeite de RCE. Essa lógica resolve a maioria das questões sobre capnografia na PCR.