Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Choque e Parada Cardiorrespiratória — FGV 2026

MedicinaChoque e Parada Cardiorrespiratória
Código
fg128291
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Especialista Legislativo - Nível IV - Medicina
Durante um atendimento extra-hospitalar, um adulto do sexo masculino é encontrado inconsciente, sem respiração normal e sem circulação aparente.Após chamar o serviço de emergência e iniciar compressões torácicas de alta qualidade, chegou um desfibrilador externo automático (DEA). Após posicionar os eletrodos corretamente e seguir as instruções vocais, o aparelho recomenda choque.Assinale a opção que apresenta a conduta mais alinhada às diretrizes atuais de suporte básico de vida para adultos.
  1. AAplicar o choque, garantir que ninguém toque a vítima e retomar imediatamente as compressões torácicas por cerca de 2 minutos, antes de nova análise do ritmo.
  2. BAplicar o choque, checar pulso central por até 10 segundos e só depois retomar compressões se não houver pulso.
  3. CSuspender temporariamente as compressões torácicas, ventilar por 2 minutos com bolsa-válvula-máscara e então aplicar o choque.
  4. DRealizar 30 compressões, retirar os eletrodos para checar o ritmo no monitor e recolocá-los antes de aplicar o choque.
  5. EAplicar o choque e aguardar por até 2 minutos que a vítima desperte; caso não desperte, retomar compressões.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Aplicar o choque, garantir que ninguém toque a vítima e retomar imediatamente as compressões torácicas por cerca de 2 minutos, antes de nova análise do ritmo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Suporte Básico de Vida: uso do DEA e retomada das compressões

Gabarito: letra A. Após o choque recomendado pelo DEA, a conduta correta é aplicar o choque, garantir que ninguém toque a vítima e retomar imediatamente as compressões torácicas por cerca de 2 minutos, antes de nova análise do ritmo — conforme as diretrizes atuais de RCP (AHA/SBC 2019). A lógica é minimizar as interrupções das compressões, pois a perfusão coronariana e cerebral depende de fluxo contínuo; a checagem de pulso só deve ocorrer após o ciclo de 2 minutos de RCP, e não imediatamente após o choque.

O Suporte Básico de Vida (SBV) é o conjunto de manobras que mantém a circulação e a oxigenação até a chegada do suporte avançado. A cadeia de sobrevivência inclui: reconhecimento imediato e acionamento do serviço de emergência, RCP precoce com ênfase nas compressões torácicas, rápida desfibrilação, suporte avançado eficaz e cuidados pós-parada integrados. No adulto em parada cardiorrespiratória (PCR) com ritmo chocável — fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) —, a desfibrilação precoce é o fator que mais impacta a sobrevida: quanto antes o choque, maiores as chances de reversão.

O DEA é um aparelho que analisa o ritmo cardíaco e, se identificar FV ou TVSP, orienta a aplicação do choque. No momento do choque, o socorrista deve se certificar de que ninguém esteja em contato com a vítima, para evitar acidentes. Após o choque, a RCP deve ser reiniciada imediatamente, mantida por 2 minutos (ou cinco ciclos de 30 compressões e 2 ventilações), e só então o DEA fará nova análise do ritmo. Essa sequência — choque → RCP imediata por 2 minutos → nova análise — é o padrão ouro, pois interromper as compressões para checar pulso logo após o choque reduz a perfusão e piora o prognóstico.

A pegadinha clássica desta questão é a checagem de pulso: muitos candidatos pensam que, após o choque, deve-se verificar imediatamente se a circulação retornou. As diretrizes, porém, orientam que a checagem de pulso só ocorra após o ciclo completo de 2 minutos de RCP, salvo se houver sinais evidentes de retorno da circulação espontânea (movimentos, respiração normal, tosse). Isso porque a maioria dos ritmos pós-choque ainda é assistolia ou FV refratária, e a interrupção das compressões para palpar pulso — que leva tempo e é imprecisa — compromete a qualidade da RCP.

Guarde a sequência exata: choque → RCP imediata por 2 minutos → nova análise do ritmo pelo DEA. É nessa ordem que as alternativas se dividem: as incorretas ou interrompem as compressões para checar pulso, ou suspendem a RCP para ventilar, ou aguardam o despertar da vítima.

  1. 1Ligar o DEA
  2. 2Posicionar eletrodos
  3. 3Analisar ritmo
  4. 4Aplicar choque (se indicado)
  5. 5RCP imediata por 2 min
  6. 6Nova análise do ritmo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa espelha exatamente a diretriz: aplicar o choque, garantir que ninguém toque a vítima (segurança do socorrista e dos demais) e retomar imediatamente as compressões torácicas por cerca de 2 minutos, antes de nova análise do ritmo. Isso minimiza as interrupções das compressões e mantém a perfusão coronariana e cerebral, otimizando as chances de retorno à circulação espontânea. A checagem de pulso, se necessária, ocorre após o ciclo de 2 minutos de RCP.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa manda checar pulso central por até 10 segundos imediatamente após o choque, antes de retomar as compressões. Isso contraria a diretriz: após o choque, a RCP deve ser reiniciada imediatamente, sem interrupção para palpação de pulso. A checagem de pulso só é recomendada após o ciclo de 2 minutos de RCP, e mesmo assim com cautela, pois a palpação é imprecisa e atrasa as compressões. O erro aqui é a interrupção precoce das compressões para verificar pulso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa propõe suspender as compressões para ventilar por 2 minutos antes do choque. Isso é duplamente errado: primeiro, porque o choque deve ser aplicado o quanto antes quando o DEA indica ritmo chocável — a desfibrilação precoce é prioridade; segundo, porque ventilar por 2 minutos sem compressões deixa o coração sem perfusão, piorando o prognóstico. A ventilação, quando realizada, deve ser integrada à RCP (30:2), não substituí-la. A diretriz enfatiza que, nos primeiros minutos de PCR em FV, as compressões são mais importantes que as ventilações.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa manda realizar 30 compressões, retirar os eletrodos para checar o ritmo no monitor e recolocá-los antes do choque. Isso é absurdo: os eletrodos do DEA não devem ser retirados durante a análise — o aparelho analisa o ritmo com os eletrodos posicionados. Retirá-los e recolocá-los atrasa a desfibrilação e interrompe a RCP desnecessariamente. Além disso, a análise do ritmo é feita pelo próprio DEA, não por um monitor externo. A conduta correta é manter os eletrodos fixos e seguir as instruções do aparelho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa manda aplicar o choque e aguardar até 2 minutos que a vítima desperte; caso não desperte, retomar compressões. Isso é completamente equivocado: após o choque, a RCP deve ser reiniciada imediatamente, sem aguardar o despertar. A vítima em PCR não vai "acordar" espontaneamente após o choque — a maioria dos ritmos pós-choque ainda é assistolia ou FV refratária, exigindo RCP contínua. Aguardar o despertar é perder tempo precioso e deixar o coração sem perfusão. A RCP imediata por 2 minutos é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "checar pulso após o choque" e "retomar compressões imediatamente". Muitos candidatos acham que, após a desfibrilação, deve-se verificar se a circulação voltou. As diretrizes, porém, são claras: após o choque, reinicie a RCP imediatamente por 2 minutos, e só então o DEA fará nova análise. A checagem de pulso só ocorre após esse ciclo, e mesmo assim com cautela. Lembre-se: a prioridade é minimizar as interrupções das compressões — cada segundo sem compressão reduz a perfusão coronariana e cerebral.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de SBV, memorize a sequência do DEA: ligar → colar eletrodos → analisar ritmo → se choque indicado, aplicar → RCP imediata por 2 minutos → nova análise. Se a alternativa mencionar checagem de pulso imediatamente após o choque, está errada. E desconfie de qualquer opção que interrompa as compressões para ventilar, checar pulso ou aguardar o despertar — a regra de ouro é "compressões contínuas, interrupções mínimas".

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/fg128291