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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2026

MedicinaNefrologia
Código
fg128308
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Especialista Legislativo - Nível IV - Medicina
Atualmente, a doença renal crônica (DRC) se destaca como um problema de Saúde Pública devido à sua prevalência crescente, morbimortalidade elevada e altos custos demandados para a manutenção dos pacientes renais crônicos dialíticos nas diversas modalidades de Terapia Renal Substitutiva (TRS) existentes (hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal).O tratamento conservador da DRC compreende o tratamento não dialítico. Seu objetivo é a manutenção da função renal e a prevenção da progressão da doença, buscando postergar a necessidade de TRS.Assinale a opção que indica a droga do grupo dos inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (reduz a absorção de glicose do filtrado glomerular no túbulo renal proximal, com redução concomitante da reabsorção de sódio, levando à excreção urinária da glicose e diurese osmótica), usada no tratamento medicamentoso da DRC.
  1. AFurosemida.
  2. BDapaglifozina.
  3. CLosartana.
  4. DEnalapril.
  5. EEspironolactona.
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GabaritoB — Dapaglifozina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inibidores do SGLT2 no tratamento da doença renal crônica

Gabarito: letra B. A dapagliflozina é um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), classe de fármacos que reduz a reabsorção de glicose e sódio no túbulo proximal, promovendo glicosúria e diurese osmótica — mecanismo que confere proteção renal e cardiovascular, sendo hoje pilar do tratamento conservador da DRC. As demais opções pertencem a outras classes: furosemida (diurético de alça), losartana e enalapril (bloqueadores do sistema renina-angiotensina) e espironolactona (antagonista da aldosterona).

A doença renal crônica (DRC) é definida como lesão renal ou taxa de filtração glomerular (TFG) inferior a 60 mL/min/1,73 m² por mais de três meses. O tratamento conservador visa retardar a progressão da doença e evitar ou postergar a terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). Entre as medidas farmacológicas, destacam-se o controle rigoroso da pressão arterial, o uso de bloqueadores do sistema renina-angiotensina (BRA/ECA) e, mais recentemente, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2).

Os inibidores do SGLT2 atuam no túbulo contorcido proximal, onde inibem o cotransportador responsável pela reabsorção de cerca de 90% da glicose filtrada. Ao bloquear esse transportador, reduzem a reabsorção de glicose e sódio, aumentando a excreção urinária de glicose (glicosúria) e promovendo diurese osmótica. Esse mecanismo reduz a hiperfiltração glomerular, diminui a albuminúria e melhora o perfil hemodinâmico intrarrenal, conferindo efeito renoprotetor. Estudos clínicos demonstraram redução do declínio da TFG, da progressão para doença renal terminal e de eventos cardiovasculares em pacientes com DRC, com ou sem diabetes.

Na prática clínica, a dapagliflozina e a empagliflozina são os representantes mais estudados e aprovados para o tratamento da DRC, mesmo em pacientes sem diabetes. A dose usual de dapagliflozina é de 10 mg ao dia, e seu uso deve ser monitorado quanto a risco de infecções genitais, depleção de volume e cetoacidose (em diabéticos). A classe é contraindicada em pacientes com TFG muito baixa (geralmente < 25 mL/min/1,73 m²) para início do tratamento, embora possa ser mantida se já em uso.

A pegadinha desta questão está em associar o mecanismo descrito (redução da absorção de glicose no túbulo proximal) a um diurético comum, como a furosemida, ou a um anti-hipertensivo clássico, como losartana ou enalapril. O candidato que não conhece a classe SGLT2 pode confundir com diuréticos tiazídicos ou de alça, que atuam em outros segmentos do néfron. A dica é memorizar os representantes da classe: dapagliflozina, empagliflozina, canagliflozina e ertugliflozina — todos com o sufixo "glifozina".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A furosemida é um diurético de alça, que atua na alça de Henle inibindo o cotransportador Na⁺-K⁺-2Cl⁻. Não tem relação com o cotransportador de sódio-glicose 2. Embora seja usada em pacientes com DRC para controle de edema e hipervolemia, não é a droga descrita no enunciado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dapagliflozina é um inibidor do SGLT2, exatamente a classe descrita: reduz a reabsorção de glicose e sódio no túbulo proximal, promovendo glicosúria e diurese osmótica. É amplamente utilizada no tratamento da DRC, com benefício renoprotetor comprovado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A losartana é um antagonista do receptor de angiotensina II (BRA), que atua no sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a pressão intraglomerular e a proteinúria. Não interfere no transporte de glicose no túbulo proximal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O enalapril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), com mecanismo semelhante ao da losartana, porém bloqueando a conversão de angiotensina I em II. Também não atua no SGLT2.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A espironolactona é um antagonista da aldosterona (diurético poupador de potássio), que atua no túbulo coletor. Não tem efeito sobre o cotransportador de sódio-glicose 2.

Gabarito: letra B

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