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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg128311
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Especialista Legislativo - Nível IV - Medicina
A obstrução intestinal aguda é responsável por cerca de 1 a 3% de todas as hospitalizações e por um quarto de todas as internações em cirurgia geral de urgência ou emergência. Cerca de 80% dos casos envolvem o intestino delgado, e em torno de um terço desses pacientes mostra evidências de isquemia significativa.A obstrução funcional, também chamada de íleo paralítico, está presente quando o distúrbio da motilidade impede que o conteúdo intestinal progrida distalmente, mesmo sem bloqueio mecânico.Assinale a opção que apresenta a causa mais comum de íleo paralítico.
  1. ASepse.
  2. BPós operatório de cirurgia abdominal.
  3. CPseudo-obstrução (Síndrome de Ogilvie).
  4. DAnormalidades metabólicas ou eletrolíticas, principalmente hipopotassemia e hipomagnesemia.
  5. EInflamação ou hemorragia intra-abdominal ou retroperitoneal.
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GabaritoB — Pós operatório de cirurgia abdominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Íleo paralítico: causas e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra B. A causa mais comum de íleo paralítico (obstrução intestinal funcional) é o pós-operatório de cirurgia abdominal, condição conhecida como íleo adinâmico ou íleo pós-operatório. O trauma cirúrgico, a manipulação de alças intestinais e a anestesia levam a uma inibição reflexa da motilidade gastrointestinal, que é a base fisiopatológica dessa condição. As demais alternativas (sepse, pseudo-obstrução, distúrbios metabólicos e inflamação intra-abdominal) são causas possíveis, porém menos frequentes, de íleo paralítico.

O íleo paralítico é definido como a falência da propulsão do conteúdo intestinal na ausência de uma obstrução mecânica. Diferentemente da obstrução mecânica, em que há um bloqueio físico ao trânsito (como uma aderência, hérnia ou tumor), no íleo paralítico o problema é funcional: a musculatura lisa intestinal perde a capacidade de contrair de forma coordenada, impedindo o avanço do bolo fecal e dos gases. Essa condição pode ser desencadeada por diversos fatores, que vão desde causas locais (como manipulação cirúrgica) até causas sistêmicas (como distúrbios eletrolíticos, sepse, uso de opioides, inflamação intra-abdominal, entre outras).

A fisiopatologia do íleo pós-operatório é multifatorial. Durante uma cirurgia abdominal, a manipulação das alças intestinais ativa reflexos neurais inibitórios (via simpática), que reduzem a motilidade. Além disso, a resposta inflamatória local libera mediadores que inibem a contração da musculatura lisa. O uso de anestésicos e analgésicos opioides também contribui, pois os opioides reduzem a propulsão intestinal. Esse conjunto de fatores explica por que o pós-operatório de cirurgia abdominal é a causa mais prevalente de íleo paralítico na prática clínica.

É importante distinguir o íleo paralítico da pseudo-obstrução intestinal (Síndrome de Ogilvie). Na pseudo-obstrução, há uma dilatação aguda do cólon, geralmente em pacientes críticos ou acamados, sem uma causa mecânica identificável. Embora ambas sejam formas de obstrução funcional, a Síndrome de Ogilvie é uma entidade específica, com apresentação clínica e manejo próprios, e não a causa mais comum de íleo paralítico. Da mesma forma, a sepse e os distúrbios metabólicos (como hipopotassemia e hipomagnesemia) são causas importantes, mas ocorrem com menor frequência que o pós-operatório.

A banca explora aqui a confusão entre as diversas causas de íleo paralítico. O candidato pode ser tentado a escolher a sepse ou a pseudo-obstrução por serem condições graves e bem conhecidas, mas a resposta correta é o pós-operatório, que é a causa mais frequente na prática cirúrgica. Para fixar: em um paciente que realizou cirurgia abdominal recente e apresenta distensão abdominal, ausência de eliminação de gases e fezes, e dor abdominal, o diagnóstico mais provável é o íleo paralítico pós-operatório.

Íleo paralítico (obstrução funcional)
  • 1Causa mais comum
    • Pós-operatório de cirurgia abdominal
  • 2Outras causas (menos frequentes)
    • Sepse
    • Pseudo-obstrução (Síndrome de Ogilvie)
    • Distúrbios metabólicos/eletrolíticos
    • Inflamação ou hemorragia intra-abdominal
  • 3Fisiopatologia
    • Manipulação de alças → reflexo inibitório simpático
    • Anestesia e opioides → ↓ motilidade
    • Resposta inflamatória local
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sepse é uma causa de íleo paralítico, mas não é a mais comum. A sepse pode levar à disfunção da motilidade intestinal por mecanismos inflamatórios e hemodinâmicos, porém o pós-operatório de cirurgia abdominal é estatisticamente mais frequente. A banca coloca a sepse como distrator por ser uma condição grave e associada a disfunção de múltiplos órgãos, mas a frequência é menor que a do pós-operatório.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pós-operatório de cirurgia abdominal é a causa mais comum de íleo paralítico. A manipulação cirúrgica das alças intestinais, a anestesia e o uso de opioides no pós-operatório inibem a motilidade gastrointestinal, levando ao íleo adinâmico. Essa é uma complicação esperada e transitória na maioria dos pacientes submetidos a laparotomias, sendo a causa mais prevalente na prática clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A pseudo-obstrução (Síndrome de Ogilvie) é uma forma específica de obstrução funcional que afeta principalmente o cólon, geralmente em pacientes críticos, idosos ou acamados. Embora seja uma causa de íleo paralítico, não é a mais comum. A Síndrome de Ogilvie é uma entidade distinta, com fisiopatologia e manejo próprios, e sua frequência é menor que a do íleo pós-operatório.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As anormalidades metabólicas e eletrolíticas, como hipopotassemia e hipomagnesemia, são causas de íleo paralítico, pois alteram a excitabilidade da musculatura lisa intestinal. No entanto, não são a causa mais comum. Esses distúrbios frequentemente coexistem com outras condições, como o pós-operatório, mas isoladamente são menos frequentes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A inflamação ou hemorragia intra-abdominal ou retroperitoneal pode causar íleo paralítico por irritação peritoneal e ativação de reflexos inibitórios. Contudo, essa é uma causa menos comum que o pós-operatório de cirurgia abdominal. A banca inclui essa alternativa como distrator, pois a inflamação intra-abdominal é uma causa reconhecida, mas não a mais frequente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as causas de íleo paralítico, colocando condições graves como sepse e pseudo-obstrução como distratores. O candidato pode ser levado a escolher a sepse por sua gravidade, mas a causa mais comum é o pós-operatório de cirurgia abdominal. Lembre-se: em cirurgia geral, o íleo pós-operatório é uma complicação esperada e frequente, e é a principal causa de íleo paralítico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as causas de íleo paralítico, pense na ordem de frequência: 1º pós-operatório de cirurgia abdominal, 2º distúrbios eletrolíticos (hipopotassemia, hipomagnesemia), 3º sepse, 4º inflamação intra-abdominal, 5º pseudo-obstrução. Essa hierarquia ajuda a responder questões que pedem a causa mais comum.

Gabarito: letra B

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