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Questão de Direito Civil — Parte Geral — FGV 2026

Direito CivilParte Geral
Código
fg128497
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Procurador Legislativo
Ricardo, escritor de renome, celebrou contrato com determinada editora autorizando, de forma ampla e irrevogável, o uso de seu nome, imagem e trechos de sua vida privada em campanhas publicitárias e obras biográficas, inclusive após a sua morte, renunciando expressamente a qualquer pretensão futura de impedir tais utilizações.Anos depois, ainda em vida, Ricardo passou a se sentir exposto negativamente, pois a editora passou a utilizar a sua imagem e relatos íntimos em material promocional de cunho comercial, afetando a sua honra e respeitabilidade. Mesmo assim, a editora sustentou a validade irrestrita do contrato, afirmando que Ricardo teria renunciado voluntariamente aos direitos da personalidade.A partir da análise dessa situação hipotética e à luz do Código Civil, assinale a afirmativa correta.
  1. AOs direitos da personalidade perdem a sua proteção jurídica quando exercidos de forma incompatível com contratos regularmente celebrados, prevalecendo a autonomia da vontade.
  2. BA autorização contratual válida implica a renúncia definitiva aos direitos da personalidade, impedindo Ricardo de questionar judicialmente o uso de sua imagem e de sua vida privada.
  3. COs direitos da personalidade podem ser livremente renunciados quando envolverem interesses patrimoniais, especialmente em contratos firmados com finalidade econômica.
  4. DA utilização da imagem e do nome de Ricardo para fins comerciais é lícita independentemente de autorização, desde que não haja intenção difamatória por parte da editora.
  5. EOs direitos da personalidade são, em regra, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis, sendo inválida a renúncia ampla e definitiva ao seu exercício, podendo Ricardo exigir a cessação da lesão e uma eventual indenização.
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GabaritoE — Os direitos da personalidade são, em regra, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis, sendo inválida a renúncia ampla e definitiva ao seu exercício, podendo Ricardo exigir a cessação da lesão e uma eventual indenização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direitos da Personalidade – Irrenunciabilidade

Gabarito: letra E. Os direitos da personalidade são, em regra, intransmissíveis e irrenunciáveis (art. 11 do Código Civil), não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária ampla e definitiva. Assim, a renúncia contratual feita por Ricardo é inválida, cabendo-lhe exigir a cessação da lesão e pleitear indenização. A editora não pode se valer do contrato para justificar o uso abusivo.

A questão aborda as características dos direitos da personalidade, especialmente a irrenunciabilidade e a indisponibilidade. O art. 11 do CC é o dispositivo central:

Código Civil:

Art. 11 — "Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária."

Além disso, o art. 17 protege o nome contra exposição ao desprezo público, mesmo sem intenção difamatória:

Código Civil:

Art. 17 — "O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória."

1Características
Intransmissíveis
Irrenunciáveis
Indisponíveis
2Art. 11
Regra: não sofrem limitação voluntária
Exceção: casos previstos em lei
3Consequências da violação
Nulidade da renúncia ampla
Cessação da lesão
Indenização
Direitos da personalidade (CC)
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Direitos da personalidade (CC): Características (Intransmissíveis, Irrenunciáveis, Indisponíveis); Art. 11 (Regra: não sofrem limitação voluntária, Exceção: casos previstos em lei); Consequências da violação (Nulidade da renúncia ampla, Cessação da lesão, Indenização)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os direitos da personalidade perdem proteção quando exercidos de forma incompatível com contratos, prevalecendo a autonomia da vontade. Erro: a autonomia privada não pode suprimir a irrenunciabilidade dos direitos da personalidade. O contrato que a viola é nulo de pleno direito, e a proteção persiste.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que a autorização contratual válida implica renúncia definitiva, impedindo Ricardo de questionar judicialmente. Erro: a renúncia ampla e definitiva é inválida por força do art. 11. O contrato não pode, sozinho, legitimar o uso abusivo; o lesado sempre pode buscar a tutela jurisdicional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Defende que os direitos da personalidade podem ser livremente renunciados quando envolverem interesses patrimoniais, especialmente em contratos com finalidade econômica. Erro: a regra é a irrenunciabilidade (art. 11). A existência de interesse patrimonial não transforma o direito em disponível; a proteção da personalidade prevalece.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alega que o uso da imagem e do nome para fins comerciais é lícito independentemente de autorização, desde que não haja intenção difamatória. Erro: o art. 17 veda a exposição ao desprezo público ainda que sem dolo; além disso, a utilização comercial da imagem e do nome exige autorização do titular (salvo exceções legais, como a ordem pública). A ausência de intenção difamatória não torna o uso lícito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reconhece que os direitos da personalidade são, em regra, inalienáveis, imprescritíveis e irrenunciáveis, sendo inválida a renúncia ampla e definitiva, podendo Ricardo exigir a cessação da lesão e eventual indenização. Correto: exata reprodução do art. 11 do CC e da consequência jurídica adequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa ideia de que a liberdade contratual (autonomia da vontade) permite a renúncia irrestrita dos direitos da personalidade. No entanto, o art. 11 do CC estabelece a irrenunciabilidade como regra absoluta — as únicas exceções são as previstas em lei (ex.: disposição do próprio corpo para transplante, art. 13). O contrato não pode suprimir essa proteção.

Gabarito: letra E.

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