Questão de Física — Física Moderna — FGV 2026
- Código
- fg129120
- Banca
- FGV
- Órgão
- AMAZUL
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Engenheiro Nuclear
- A12 W.
- B1200 W.
- C19,2 W.
- D192 W.
- E4 W.
GabaritoB — 1200 W.
Gabarito: letra B — a conta chega a 1200 W — alternativa B.
Em um reator nuclear, a energia vem das fissões: núcleos pesados se partem ao absorver nêutrons, liberando energia. A taxa com que isso acontece depende de dois fatores: quantos nêutrons atravessam o material por segundo e por área (o fluxo φ) e a probabilidade de cada nêutron causar uma fissão ao atravessar 1 cm de material (a seção de choque macroscópica Σf). O produto φ·Σf dá quantas fissões ocorrem por segundo em cada centímetro cúbico.
A taxa de fissões por volume é R = φ·Σf, medida em fissões por cm³ por segundo. Cada fissão libera uma energia E (em joules), então a potência por volume é R·E, e a potência total é o produto disso pelo volume V. A relação entre fissões e energia é dada pela calibração do enunciado: 4,0×10¹⁰ fissões/s equivalem a 1,0 W, o que permite achar E. Tudo isso vale enquanto o fluxo e a seção de choque forem constantes no volume.
A questão fornece a calibração (fissões por watt) e os dados de fluxo e seção de choque para calcular a taxa real de fissões. O passo central é usar R = φ·Σf para achar quantas fissões ocorrem por cm³ por segundo, e depois converter isso em potência.
fluxo de nêutrons térmicos = 8,0 × 10¹² cm⁻² s⁻¹
seção de choque macroscópica de fissão = 0,06 cm⁻¹
volume do reator = 100 cm³
densidade de potência de referência: 4,0 × 10¹⁰ fissões/s produzem 1,0 W
O que queremos: a potência total produzida pelo reator
Precisamos saber quantas fissões acontecem em cada centímetro cúbico por segundo. O fluxo de nêutrons diz quantos nêutrons passam por cm² a cada segundo, e a seção de choque diz a chance de cada um causar fissão ao atravessar 1 cm. Multiplicando os dois, obtemos a taxa volumétrica.
Por que esta fórmula: R = φ·Σf é a definição de taxa de reação: fluxo (partículas por área por tempo) vezes probabilidade por comprimento (por cm) resulta em eventos por volume por tempo.
De onde vem cada valor: = enunciado: 8,0 × 10¹² cm⁻² s⁻¹ · = enunciado: 0,06 cm⁻¹
Esquecer de multiplicar as unidades: o resultado deve ter cm⁻³ s⁻¹, não cm⁻² s⁻¹.
A taxa de fissões por si só não dá a potência; precisamos saber quanta energia cada fissão libera. O enunciado fornece essa relação indiretamente: 4,0×10¹⁰ fissões por segundo produzem 1,0 W. Como 1 W = 1 J/s, cada fissão libera 1 J dividido pelo número de fissões por segundo.
Por que esta fórmula: E = P / (fissões por segundo) é a definição de energia por evento: potência total dividida pela taxa de eventos.
De onde vem cada valor: = enunciado: 1,0 W · = enunciado: 4,0 × 10¹⁰ fissões/s
Inverter a fração e achar 4,0×10¹⁰ J por fissão — absurdo, pois seria uma energia gigantesca.
Agora que sabemos quantas fissões ocorrem por cm³ por segundo (passo 1) e quanta energia cada uma libera (passo 2), o produto dá a potência gerada em cada cm³. Isso é a densidade de potência real do reator.
Por que esta fórmula: P_vol = R × E: potência por volume é a taxa de eventos vezes a energia por evento.
De onde vem cada valor: = passo 1: 4,8 × 10¹¹ fissões cm⁻³ s⁻¹ · = passo 2: 2,5 × 10⁻¹¹ J
Usar a densidade de potência do enunciado (1,0 W/cm³) aqui — ela é só uma calibração, não a densidade real.
A potência por volume vale para cada cm³; o reator inteiro tem 100 cm³, então a potência total é a densidade vezes o volume. Esse é o passo final que responde à pergunta.
Por que esta fórmula: P = P_vol × V: potência total é a potência por unidade de volume vezes o volume total.
De onde vem cada valor: = passo 3: 12 W/cm³ · = enunciado: 100 cm³
Esquecer de multiplicar pelo volume e responder 12 W (alternativa A).
Resposta: 1200 W — alternativa B
Link permanente: /questoes/fg129120