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Questão de Física — Dinâmica — FGV 2026

FísicaDinâmica
Código
fg129421
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Físico
Um nêutron livre, com massa aproximadamente igual a mn = 1,67ꞏ10−²⁷ kg e viajando a uma velocidade de vn = 2ꞏ10⁷ m/s (um nêutron rápido), colide frontalmente e é absorvido por um núcleo de Deutério (que possui um próton e um nêutron, massa aproximadamente mD ≈ 2mn). Imediatamente antes da colisão, o núcleo de Deutério estava em repouso. Considerando que a colisão é perfeitamente inelástica (o nêutron e o núcleo se unem, formando um núcleo de Trítio).A velocidade do núcleo resultante (Trítio) imediatamente após a colisão será
  1. A7,3ꞏ10⁷m/s
  2. B2,1ꞏ10⁷ m/s
  3. C9,5ꞏ10⁶ m/s
  4. D6,7ꞏ10⁶ m/s
  5. E4,9ꞏ10⁷ m/s
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — 6,7ꞏ10⁶ m/s

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colisão perfeitamente inelástica e conservação da quantidade de movimento

Gabarito: letra D. Na colisão perfeitamente inelástica, os corpos se unem e passam a se mover juntos; a quantidade de movimento total do sistema se conserva (não há força externa relevante atuando), então a velocidade do conjunto formado é dada por v=mnvnmn+mDv = \dfrac{m_n v_n}{m_n + m_D}. Substituindo mn=1,67×1027kgm_n = 1{,}67\times10^{-27}\,\text{kg}, vn=2×107m/sv_n = 2\times10^7\,\text{m/s} e mD2mnm_D \approx 2m_n, obtém-se v6,7×106m/sv \approx 6{,}7\times10^6\,\text{m/s}, que corresponde à alternativa D.

A quantidade de movimento (ou momento linear) de um corpo é o produto de sua massa pela sua velocidade: Q=mv\vec{Q} = m\vec{v}. Em um sistema isolado — ou seja, quando a resultante das forças externas é nula — a quantidade de movimento total se conserva. Isso significa que a soma vetorial das quantidades de movimento de todos os corpos antes da interação é igual à soma após a interação. Essa é uma das leis mais fundamentais da mecânica e independe do tipo de colisão: vale tanto para colisões elásticas quanto para inelásticas.

Numa colisão perfeitamente inelástica, os corpos se unem e passam a se mover com a mesma velocidade. O exemplo clássico é o pêndulo balístico, em que uma bala se aloja em um bloco e o conjunto sobe. Aqui, o nêutron é absorvido pelo núcleo de deutério, formando um núcleo de trítio — exatamente o mesmo tipo de situação. Como o deutério está em repouso, sua quantidade de movimento inicial é zero; toda a quantidade de movimento do sistema está no nêutron.

Aplicando a conservação da quantidade de movimento:

Qantes=QdepoisQ_{\text{antes}} = Q_{\text{depois}}
mnvn+mD0=(mn+mD)vm_n v_n + m_D \cdot 0 = (m_n + m_D) v

Como mD2mnm_D \approx 2m_n, a massa total após a colisão é mn+mD3mnm_n + m_D \approx 3m_n. Substituindo:

v=mnvnmn+mD=mn2×1073mn=2×10736,67×106m/sv = \frac{m_n v_n}{m_n + m_D} = \frac{m_n \cdot 2\times10^7}{3m_n} = \frac{2\times10^7}{3} \approx 6{,}67\times10^6\,\text{m/s}

O resultado é aproximadamente 6,7×106m/s6{,}7\times10^6\,\text{m/s}, que é a alternativa D.

A pegadinha clássica dessa questão é esquecer que a massa do núcleo resultante é a soma das massas do nêutron e do deutério. Se o aluno usar apenas a massa do deutério no denominador, obtém v=1×107m/sv = 1\times10^7\,\text{m/s} (que não aparece nas alternativas). Se usar a massa do nêutron sozinha, obtém v=2×107m/sv = 2\times10^7\,\text{m/s} (alternativa B), que é a velocidade inicial do nêutron — um distrator que confunde quem não aplica a conservação corretamente. Outro erro comum é tentar usar a conservação da energia cinética, que não se aplica a colisões inelásticas: parte da energia é dissipada na deformação ou na excitação interna dos núcleos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conservação da quantidade de movimento e conservação da energia cinética. Em colisões perfeitamente inelásticas, a energia cinética não se conserva — ela diminui, pois parte é transformada em calor, som ou deformação. A quantidade de movimento, porém, sempre se conserva em sistemas isolados. Outra armadilha é usar a massa errada no denominador: lembre-se de que, após a colisão, a massa é a soma das massas dos corpos que se unem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O valor 7,3×107m/s7{,}3\times10^7\,\text{m/s} é maior que a velocidade inicial do nêutron (2×107m/s2\times10^7\,\text{m/s}). Isso violaria a conservação da quantidade de movimento: a massa do conjunto é maior que a massa do nêutron, então a velocidade final deve ser menor que a inicial. Esse número não corresponde a nenhum cálculo simples com os dados fornecidos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

2,1×107m/s2{,}1\times10^7\,\text{m/s} é praticamente a velocidade inicial do nêutron. Esse valor seria obtido se o aluno ignorasse a massa do deutério e considerasse apenas a massa do nêutron no denominador — um erro conceitual grave, pois o núcleo de deutério também participa do movimento final.

Alternativa C — ❌ Incorreta

9,5×106m/s9{,}5\times10^6\,\text{m/s} é um valor intermediário, mas não corresponde ao resultado correto. Ele poderia surgir de um erro de cálculo, como usar mD=mnm_D = m_n (em vez de 2mn2m_n) no denominador, o que daria v=1×107m/sv = 1\times10^7\,\text{m/s}, ou de uma divisão incorreta de 2×1072\times10^7 por um fator errado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Aplicando corretamente a conservação da quantidade de movimento com mD=2mnm_D = 2m_n, obtém-se v=2×10736,67×106m/sv = \dfrac{2\times10^7}{3} \approx 6{,}67\times10^6\,\text{m/s}, que é exatamente o valor da alternativa. A massa total após a colisão é 3mn3m_n, e a velocidade final é um terço da velocidade inicial do nêutron.

Alternativa E — ❌ Incorreta

4,9×107m/s4{,}9\times10^7\,\text{m/s} é um valor maior que a velocidade inicial, o que é fisicamente impossível em uma colisão inelástica com um corpo em repouso. Esse número não tem relação com os dados do problema e provavelmente foi incluído apenas como distrator.

Gabarito: letra D

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