Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg129463
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
Conforme as Diretrizes de Utilização para Cobertura de Procedimentos na Saúde Suplementar, assinale a opção que representa corretamente a cobertura obrigatória para teste ergométrico realizado em pacientes assintomáticos, com finalidade de screening.
Apaciente de médio risco pelo escore de Framingham.
Bavaliação de mulheres com mais de 45 anos ou homens com mais de 40 anos candidatos a programas de exercício.
Cpré-operatório de cirurgias cardíacas em pacientes com risco intermediário a alto pelo escore de Framingham.
Dadultos com arritmias atriais que apresentam uma probabilidade intermediária ou alta de doença coronariana pelos critérios de Diamond e Forrester.
Eavaliação de indivíduos com ocupações especiais responsáveis pela vida de outros como pilotos, motoristas de coletivos ou embarcações ou similares.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — avaliação de indivíduos com ocupações especiais responsáveis pela vida de outros como pilotos, motoristas de coletivos ou embarcações ou similares.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Teste ergométrico de rastreamento na saúde suplementar
Gabarito: letra E. A cobertura obrigatória do teste ergométrico (TE) em pacientes assintomáticos, com finalidade de screening, inclui a avaliação de indivíduos com ocupações especiais responsáveis pela vida de outros, como pilotos, motoristas de coletivos ou embarcações ou similares — exatamente o que a alternativa E descreve. Essa previsão consta das Diretrizes de Utilização para Cobertura de Procedimentos na Saúde Suplementar, que incorporam as recomendações das diretrizes da American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) para o rastreamento de doença arterial coronariana (DAC).
O teste ergométrico é um método diagnóstico que avalia a resposta cardiovascular ao esforço, sendo amplamente utilizado na investigação de doença arterial coronariana. No entanto, seu uso como ferramenta de rastreamento em pacientes assintomáticos é controverso, pois o exame detecta apenas obstruções coronarianas graves que causam restrição ao fluxo sanguíneo, e há pouca evidência de que o rastreamento rotineiro seja eficaz. Por isso, as diretrizes restringem a indicação a grupos específicos de pacientes assintomáticos nos quais o benefício potencial justifica o exame.
A lógica por trás dessas indicações é a seguinte: em pacientes de baixo risco, o rastreamento não é necessário, pois a taxa de exames falso-positivos é alta, podendo levar a investigações invasivas desnecessárias. Já em pacientes de alto risco, a taxa de falso-negativos é alta, o que pode atrasar o diagnóstico. Assim, o TE de rastreamento é reservado para situações em que a detecção precoce de DAC pode mudar a conduta ou prevenir eventos graves, como no caso de profissionais cuja atividade coloca em risco a vida de terceiros.
As indicações de rastreamento em assintomáticos, conforme as diretrizes, incluem: pacientes diabéticos que pretendem iniciar programa de exercícios físicos (classe IIa); pacientes com risco intermediário para DAC avaliados por escores como o de Framingham, para guiar terapia de fatores de risco (classe IIb); e homens com idade > 45 anos e mulheres com idade > 55 anos que pretendem iniciar programa de exercícios físicos intensos, trabalham em profissões de risco para o público ou apresentam alto risco para DAC devido a outras doenças (classe IIb). A alternativa E se encaixa exatamente na hipótese de "profissões de risco para o público", que é uma das situações em que o rastreamento é recomendado.
A pegadinha da questão está em distinguir as indicações de rastreamento (pacientes assintomáticos) das indicações diagnósticas (pacientes sintomáticos) e das indicações pré-operatórias. As alternativas A, B, C e D descrevem situações que não correspondem à cobertura obrigatória para screening em assintomáticos, seja por envolverem pacientes sintomáticos, seja por critérios de risco diferentes dos previstos, seja por se tratar de avaliação pré-operatória, que segue outra lógica. A alternativa E é a única que reproduz fielmente uma das hipóteses de rastreamento previstas.
Guarde a fronteira entre rastreamento em assintomáticos e investigação diagnóstica em sintomáticos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o TE é coberto para paciente de médio risco pelo escore de Framingham. O erro está no termo "médio risco": a diretriz prevê o rastreamento para pacientes com risco intermediário para DAC avaliados por escores de risco cardiovascular como o de Framingham, com o objetivo de guiar a terapia para fatores de risco. A banca trocou "intermediário" por "médio", o que descaracteriza a indicação. Além disso, a recomendação é classe IIb (utilidade menos comprovada), e não uma cobertura obrigatória ampla.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "mulheres com mais de 45 anos ou homens com mais de 40 anos candidatos a programas de exercício". A diretriz prevê o rastreamento para homens com idade > 45 anos e mulheres com idade > 55 anos que pretendem iniciar programa de exercícios físicos intensos. A banca inverteu as idades e os sexos: trocou homens > 45 por mulheres > 45, e mulheres > 55 por homens > 40. Além disso, a diretriz fala em "exercícios físicos intensos", não apenas "programas de exercício" de forma genérica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa trata de "pré-operatório de cirurgias cardíacas em pacientes com risco intermediário a alto pelo escore de Framingham". Essa é uma indicação de avaliação pré-operatória, que segue critérios diferentes do rastreamento em assintomáticos. A diretriz de rastreamento não inclui o pré-operatório de cirurgias cardíacas como indicação de TE para screening. A avaliação pré-operatória é baseada no risco cirúrgico e na condição clínica do paciente, não no escore de Framingham isoladamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "adultos com arritmias atriais que apresentam uma probabilidade intermediária ou alta de doença coronariana pelos critérios de Diamond e Forrester". Essa é uma indicação de investigação diagnóstica em pacientes sintomáticos, não de rastreamento em assintomáticos. Os critérios de Diamond e Forrester são usados para estimar a probabilidade pré-teste de DAC em pacientes com dor torácica, ou seja, sintomáticos. Além disso, a diretriz de rastreamento não menciona arritmias atriais como indicação de TE para screening.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve "avaliação de indivíduos com ocupações especiais responsáveis pela vida de outros como pilotos, motoristas de coletivos ou embarcações ou similares". Essa é exatamente uma das hipóteses de rastreamento em pacientes assintomáticos previstas na diretriz: homens com idade > 45 anos e mulheres com idade > 55 anos que trabalham em profissões de risco para o público. A alternativa está correta porque reproduz fielmente essa indicação, que é uma das situações em que o TE é recomendado para screening, mesmo em pacientes sem sintomas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre rastreamento em assintomáticos e investigação diagnóstica em sintomáticos. As alternativas A, B, C e D descrevem situações que parecem plausíveis, mas não correspondem às indicações de screening previstas. A alternativa B inverte as idades e os sexos (homens > 45 e mulheres > 55, não o contrário), e a alternativa D usa critérios de Diamond e Forrester, que são para pacientes sintomáticos. Fique atento aos termos exatos: "risco intermediário", "exercícios físicos intensos", "profissões de risco para o público".
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre cobertura de procedimentos na saúde suplementar, memorize as indicações de rastreamento do TE em assintomáticos: diabéticos que vão iniciar exercícios, risco intermediário pelo escore de Framingham, e homens > 45/mulheres > 55 que vão iniciar exercícios intensos, trabalham em profissões de risco ou têm alto risco por outras doenças. Compare com as indicações diagnósticas (pacientes sintomáticos com probabilidade pré-teste intermediária) e pré-operatórias (avaliação de risco cirúrgico).