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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg129468
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
A definição de dor abdominal aguda é bastante arbitrária, já que não está estabelecida uma duração específica para ela. Quadros que duram poucos dias, com piora recente, configuram claramente uma dor abdominal aguda; quadros com instalação por meses ou anos configuram dor abdominal crônica.Analise o caso:Paciente do sexo feminino de 25 anos deu entrada para atendimento com quadro de dor pélvica há 4 dias, dispareunia, irregularidade menstrual, ao exame com dor à mobilização cervical e à palpação dos anexos e febre.Assinale a opção que representa o diagnóstico mais provável.
  1. APielonefrite
  2. BNeoplasia de ovário
  3. CApendicite aguda
  4. DDoença inflamatória pélvica
  5. EDiverticulite
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GabaritoD — Doença inflamatória pélvica

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dor pélvica aguda: diagnóstico diferencial em ginecologia

Gabarito: letra D. O quadro — mulher jovem, dor pélvica há 4 dias, dispareunia, irregularidade menstrual, febre, dor à mobilização cervical e à palpação dos anexos — é a apresentação clássica da doença inflamatória pélvica (DIP), infecção ascendente do trato genital superior. O critério decisivo é a tríade clínica: dor pélvica + febre + dor à mobilização cervical (cervicite), que aponta diretamente para o diagnóstico, conforme os critérios clínicos do CDC.

A dor pélvica aguda é definida como aquela que se manifesta em horas a dias, podendo ter origem ginecológica, gastrointestinal ou urológica. No caso apresentado, a combinação de sintomas é altamente específica: a dispareunia (dor durante a relação sexual) e a irregularidade menstrual são queixas comuns em processos inflamatórios pélvicos, enquanto a dor à mobilização cervical é um sinal clássico de irritação peritoneal pélvica, frequentemente associado à DIP. A febre reforça a natureza infecciosa do processo. É importante destacar que a DIP é uma infecção polimicrobiana ascendente, geralmente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, que acomete endométrio, tubas e ovários, podendo levar a sequelas como infertilidade e dor pélvica crônica.

O diagnóstico da DIP é essencialmente clínico, baseado nos critérios do CDC (Centers for Disease Control and Prevention). Os critérios mínimos incluem dor à palpação dos anexos, dor uterina ou dor à mobilização cervical, presentes no caso. Critérios adicionais que aumentam a especificidade incluem febre (>38,3°C), secreção cervical ou vaginal purulenta, e achados laboratoriais como proteína C reativa elevada. A presença de múltiplos critérios, como no caso (febre, dor à mobilização cervical e dor anexial), torna o diagnóstico altamente provável. O tratamento empírico deve ser iniciado prontamente, mesmo antes da confirmação laboratorial, para prevenir complicações.

A principal dificuldade no diagnóstico diferencial da dor pélvica aguda é distinguir a DIP de outras causas, como apendicite, gestação ectópica, torção de ovário e cisto ovariano roto. A apendicite geralmente apresenta dor que migra para o quadrante inferior direito, com anorexia e vômitos, e não cursa com dispareunia ou dor à mobilização cervical. A gestação ectópica deve ser sempre excluída com teste de gravidez, especialmente em mulheres com irregularidade menstrual. A torção de ovário causa dor súbita e intensa, frequentemente associada a náuseas e vômitos, sem febre significativa. A pielonefrite, por sua vez, apresenta dor no flanco, disúria e sintomas urinários, sem dor à mobilização cervical. A diverticulite é mais comum em pacientes mais velhos e causa dor no quadrante inferior esquerdo, frequentemente com alteração do hábito intestinal.

A banca explora a confusão entre DIP e apendicite, pois ambas podem causar dor abdominal baixa e febre. No entanto, a presença de dispareunia, irregularidade menstrual e dor à mobilização cervical são sinais que direcionam inequivocamente para a origem ginecológica, excluindo a apendicite. Além disso, a dor à mobilização cervical é um sinal específico de irritação pélvica, não presente na apendicite. O raciocínio clínico deve priorizar os sinais ginecológicos para diferenciar as causas.

Guarde o critério que separa as alternativas: a presença de sinais de irritação pélvica (dor à mobilização cervical, dispareunia) e febre em mulher jovem aponta para DIP, enquanto a ausência desses sinais e a presença de sintomas gastrointestinais ou urinários direcionam para outras causas.

Dor pélvica aguda
  • 1Sinais ginecológicos
    • Dispareunia
    • Irregularidade menstrual
    • Dor à mobilização cervical
    • Dor anexial
  • 2Diagnóstico diferencial
    • DIP (ginecológica)
      • Febre + sinais pélvicos
    • Apendicite (QID, anorexia, vômitos)
    • Pielonefrite (flanco, disúria)
    • Diverticulite (QIE, idosos)
    • Torção de ovário (dor súbita, sem febre)
    • Gestação ectópica (excluir com β-hCG)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A pielonefrite é uma infecção do trato urinário superior, que se manifesta com dor no flanco, febre, calafrios, disúria e urgência miccional. No caso, a dor é pélvica, com dispareunia e dor à mobilização cervical, sinais que não são característicos de pielonefrite. A dor à mobilização cervical é um sinal de irritação pélvica, não renal. A pielonefrite não causa dispareunia nem irregularidade menstrual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A neoplasia de ovário geralmente se apresenta de forma insidiosa, com dor abdominal vaga, distensão abdominal, massa pélvica e, em fases avançadas, sintomas compressivos. Não é característica a presença de febre aguda, dor à mobilização cervical ou dispareunia. O quadro agudo com febre e sinais de irritação peritoneal aponta para um processo infeccioso, não neoplásico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A apendicite aguda causa dor periumbilical que migra para o quadrante inferior direito, acompanhada de anorexia, náuseas e vômitos. Embora possa causar febre e dor à palpação, não é característica a dispareunia, a irregularidade menstrual ou a dor à mobilização cervical. A dor à mobilização cervical é um sinal específico de irritação pélvica, ausente na apendicite. A localização da dor e a ausência de sintomas ginecológicos diferenciam as duas condições.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção ascendente do trato genital superior, que se manifesta com dor pélvica, febre, dispareunia, irregularidade menstrual e, ao exame, dor à mobilização cervical e à palpação dos anexos. Todos os sintomas do caso são clássicos da DIP. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do CDC, e o tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado prontamente para prevenir complicações como infertilidade e dor pélvica crônica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A diverticulite é uma inflamação dos divertículos do cólon, mais comum em pacientes acima de 50 anos, que causa dor no quadrante inferior esquerdo, febre, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e, às vezes, náuseas e vômitos. Não é característica a dispareunia, a irregularidade menstrual ou a dor à mobilização cervical. A localização da dor e a ausência de sintomas ginecológicos diferenciam a diverticulite da DIP.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a DIP pela apendicite, explorando a associação automática entre dor abdominal baixa + febre e apendicite. No entanto, a presença de dispareunia, irregularidade menstrual e dor à mobilização cervical são sinais que direcionam para a origem ginecológica. Fique atento: a dor à mobilização cervical é um sinal de irritação pélvica, não presente na apendicite. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

Gabarito: letra D

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