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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2026

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
fg129479
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
Paciente masculino de 30 anos deu entrada no PS com quadro de intoxicação exógena por inseticida, apresentando quadro de sialorreia, sudorese, vômitos, diarreia, bradicardia, miose, broncorreia, sibilos, incontinência urinária, fasciculações, mioclonias, taquicardia, hiperglicemia, fraqueza muscular, insuficiência respiratória, agitação seguida de sonolência. Assinale a opção que apresenta corretamente a medicação que é a primeira opção de antídoto para o caso.
  1. AAtropina
  2. BFlumazenil
  3. CNaloxona
  4. DN-acetilcisteína
  5. EHidroxocobalamina
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Atropina

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intoxicação exógena por organofosforados: antídoto de primeira linha

Gabarito: letra A. O quadro descrito — sialorreia, sudorese, vômitos, diarreia, bradicardia, miose, broncorreia, sibilos, incontinência urinária, fasciculações, mioclonias, insuficiência respiratória — é a síndrome colinérgica aguda típica da intoxicação por inseticidas organofosforados (ou carbamatos), e o antídoto de primeira linha é a atropina, um antagonista muscarínico que reverte os efeitos mediados pelos receptores muscarínicos da acetilcolina. A atropina é a droga que salva a vida nesse cenário, pois combate a broncorreia, a bradicardia e a insuficiência respiratória de origem colinérgica.

A intoxicação por organofosforados é uma emergência médica frequente, especialmente em áreas rurais e em tentativas de autoextermínio. Esses compostos inibem de forma irreversível a enzima acetilcolinesterase, responsável por degradar a acetilcolina na fenda sináptica. Com a enzima bloqueada, a acetilcolina se acumula e estimula de forma excessiva e contínua os receptores colinérgicos, tanto muscarínicos quanto nicotínicos, além dos receptores do sistema nervoso central. O resultado é um quadro clínico exuberante, que pode ser dividido em três grupos de manifestações: os efeitos muscarínicos (parassimpáticos), os efeitos nicotínicos (simpáticos e motores) e os efeitos centrais.

Os efeitos muscarínicos são os mais proeminentes e incluem a tríade clássica de sialorreia, lacrimejamento e broncorreia, além de miose (constrição pupilar), bradicardia, vômitos, diarreia, incontinência urinária e broncoespasmo. Os efeitos nicotínicos, por sua vez, manifestam-se com fasciculações musculares, fraqueza, taquicardia e hipertensão (devido à estimulação dos gânglios simpáticos). Já os efeitos centrais podem causar agitação, confusão, convulsões e, nos casos graves, coma e depressão respiratória. A combinação de bradicardia (muscarínico) com taquicardia (nicotínico) e a presença de miose com broncorreia são a chave para o diagnóstico sindrômico.

O tratamento da intoxicação por organofosforados tem três pilares: medidas de suporte (incluindo suporte ventilatório, pois a insuficiência respiratória é a principal causa de morte), descontaminação (retirada da roupa contaminada e lavagem da pele) e o uso de antídotos específicos. O antídoto de primeira linha é a atropina, que antagoniza competitivamente os receptores muscarínicos, revertendo a bradicardia, a broncorreia, a sialorreia e o broncoespasmo. A dose inicial em adultos é de 2 a 5 mg por via intravenosa, repetida a cada 5 minutos até que ocorra a "atropinização" (sinais de secura das mucosas, midríase, frequência cardíaca > 80 bpm). Em casos graves, podem ser necessárias doses muito elevadas, de centenas de miligramas. Além da atropina, a pralidoxima é um antídoto adjuvante que reativa a enzima acetilcolinesterase, mas apenas se administrada precocemente (antes do envelhecimento da enzima) e não substitui a atropina como medida inicial.

A banca explora a associação automática entre "intoxicação" e antídotos específicos de outras síndromes. O candidato que decora antídotos isoladamente pode confundir o quadro colinérgico com outras intoxicações. A chave é reconhecer a síndrome colinérgica (miose, bradicardia, sialorreia, broncorreia, fasciculações) e lembrar que a atropina é o antídoto que reverte esses efeitos. As demais alternativas são antídotos para outras intoxicações: flumazenil para benzodiazepínicos, naloxona para opioides, N-acetilcisteína para paracetamol e hidroxocobalamina para cianeto. Guarde essa correlação: cada antídoto é específico para um tipo de intoxicação, e o quadro clínico é o guia para a escolha.

1Mecanismo
Inibição da acetilcolinesterase
Acúmulo de acetilcolina
2Efeitos muscarínicos
Miose, bradicardia
Sialorreia, broncorreia
Vômitos, diarreia
3Efeitos nicotínicos
Fasciculações, fraqueza
Taquicardia, hipertensão
4Efeitos centrais
Agitação, confusão
Convulsões, coma
5Antídoto de 1ª linha
Atropina (antagonista muscarínico)
Adjuvante: pralidoxima (reativa a enzima)
Intoxicação por organofosforados
LEVELsoulevel.com.br
Intoxicação por organofosforados: Mecanismo (Inibição da acetilcolinesterase, Acúmulo de acetilcolina); Efeitos muscarínicos (Miose, bradicardia, Sialorreia, broncorreia, Vômitos, diarreia); Efeitos nicotínicos (Fasciculações, fraqueza, Taquicardia, hipertensão); Efeitos centrais (Agitação, confusão, Convulsões, coma); Antídoto de 1ª linha (Atropina (antagonista muscarínico), Adjuvante: pralidoxima (reativa a enzima))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A atropina é o antídoto de primeira linha para a intoxicação por organofosforados (e carbamatos). Ela antagoniza os receptores muscarínicos da acetilcolina, revertendo os efeitos parassimpáticos que dominam o quadro clínico: sialorreia, broncorreia, bradicardia, miose, vômitos, diarreia e broncoespasmo. A dose deve ser titulada até a atropinização, e em casos graves podem ser necessárias doses maciças. É a medida que salva a vida ao combater a insuficiência respiratória de origem colinérgica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O flumazenil é o antídoto para a intoxicação por benzodiazepínicos. O quadro típico dessa intoxicação é depressão do sistema nervoso central (sonolência, coma), hipotensão e depressão respiratória, sem os sinais colinérgicos (miose, sialorreia, broncorreia, fasciculações) descritos no enunciado. Além disso, o flumazenil é contraindicado em pacientes que fazem uso crônico de benzodiazepínicos ou em intoxicação mista com antidepressivos tricíclicos, pois pode precipitar convulsões.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A naloxona é o antídoto para a intoxicação por opioides (morfina, heroína, fentanil). A tríade clássica da intoxicação opioide é miose puntiforme, bradipneia e coma. Embora haja miose, o quadro do enunciado apresenta broncorreia, sialorreia, fasciculações e vômitos, que não são características da intoxicação por opioides. A naloxona não teria efeito sobre os receptores muscarínicos e não reverteria a síndrome colinérgica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A N-acetilcisteína é o antídoto para a intoxicação por paracetamol (acetaminofeno). O quadro clínico dessa intoxicação é inicialmente inespecífico (náuseas, vômitos, mal-estar) e evolui com lesão hepática (elevação de transaminases, icterícia) e, em casos graves, insuficiência hepática fulminante. Não há manifestações colinérgicas como miose, sialorreia, broncorreia ou fasciculações. A N-acetilcisteína repõe os estoques de glutationa e não tem ação sobre os receptores de acetilcolina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hidroxocobalamina é o antídoto para a intoxicação por cianeto. O quadro clínico da intoxicação por cianeto é de hipóxia celular: taquipneia, cefaleia, confusão, convulsões, coma, acidose láctica e, nos casos graves, parada cardiorrespiratória. Não há os sinais colinérgicos (miose, sialorreia, broncorreia, fasciculações) descritos no enunciado. A hidroxocobalamina se liga ao cianeto formando cianocobalamina, que é excretada na urina.

Gabarito: letra A — a atropina é o antídoto de primeira linha para a síndrome colinérgica aguda por organofosforados.

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