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Questão de Química — Soluções e Substâncias Inorgânicas — FGV 2026

QuímicaSoluções e Substâncias Inorgânicas
Código
fg129787
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Químico
Nos atomizadores que utilizam chama, a temperatura elevada pode provocar a ionização de certos analitos, reduzindo a quantidade de átomos neutros disponíveis para absorção e, consequentemente, diminuindo a sensibilidade da análise.Para minimizar esse efeito indesejado, costuma-se adicionar um supressor de ionização, como é o caso do
  1. Apaládio (Pd).
  2. Bcésio (Cs).
  3. Cflúor (F).
  4. Dcriptônio (Kr).
  5. Eoxigênio (O).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — césio (Cs).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Supressores de ionização em espectrometria de absorção atômica

Gabarito: letra B. O césio (Cs) é um metal alcalino de baixo potencial de ionização, e é exatamente essa propriedade que o torna um supressor de ionização eficaz: ao ser adicionado à amostra, ele ioniza preferencialmente na chama, deslocando o equilíbrio de ionização do analito e aumentando a população de átomos neutros disponíveis para absorção. A questão cobra o conhecimento de que elementos com baixa energia de ionização, como os metais alcalinos (Cs, K, Na, Li), são usados para esse fim, enquanto metais de transição (Pd), ametais (F, O) e gases nobres (Kr) não têm essa função.

A espectrometria de absorção atômica (AAS) é uma técnica analítica que mede a concentração de elementos metálicos em uma amostra. O princípio fundamental é que átomos no estado gasoso e no estado fundamental (neutros) absorvem radiação eletromagnética em comprimentos de onda específicos, característicos de cada elemento. A quantidade de radiação absorvida é proporcional à concentração de átomos neutros na chama, e é isso que permite a quantificação.

O problema surge quando a temperatura da chama é muito alta. A energia térmica pode ser suficiente para arrancar elétrons dos átomos do analito, transformando-os em íons. Esses íons, por sua vez, não absorvem a radiação no mesmo comprimento de onda que os átomos neutros, pois sua configuração eletrônica mudou. O resultado é uma diminuição na população de átomos neutros e, consequentemente, uma redução na absorbância medida, o que se traduz em menor sensibilidade e resultados menos precisos.

Para contornar esse problema, utiliza-se um supressor de ionização. A estratégia é adicionar à amostra um elemento que ionize mais facilmente que o analito, ou seja, que tenha um potencial de ionização menor. Esse elemento, ao ser atomizado na chama, libera uma grande quantidade de elétrons. Esses elétrons em excesso deslocam o equilíbrio de ionização do analito de volta para a forma atômica neutra, de acordo com o princípio de Le Chatelier. Em outras palavras, o excesso de elétrons "empurra" a reação de ionização do analito para o lado dos átomos neutros, restaurando a sensibilidade da análise.

Os elementos mais utilizados como supressores de ionização são os metais alcalinos, como o césio (Cs), o potássio (K), o sódio (Na) e o lítio (Li). Isso ocorre porque eles possuem baixos potenciais de ionização, ou seja, perdem elétrons com facilidade. O césio, em particular, é um dos elementos com menor potencial de ionização da tabela periódica, o que o torna extremamente eficiente nesse papel. Na prática, uma solução de um sal de césio (como o cloreto de césio, CsCl) é adicionada à amostra e aos padrões de calibração, garantindo que a supressão seja uniforme em toda a faixa de trabalho.

A escolha do supressor de ionização depende do analito. Para analitos que ionizam facilmente, como os metais alcalinos e alcalino-terrosos (Ca, Mg, Ba, Sr), a supressão é quase sempre necessária. Para analitos com alto potencial de ionização, como os metais de transição, a ionização na chama é menos pronunciada e a supressão pode não ser necessária. A banca explora exatamente essa distinção: o candidato precisa reconhecer que a função do supressor é doar elétrons, e que essa função é típica de elementos com baixa energia de ionização, não de qualquer elemento presente na chama.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao listar elementos que têm outras funções em química analítica, mas que não atuam como supressores de ionização. O paládio (Pd) é um modificador químico em forno de grafite, o flúor (F) e o oxigênio (O) são ametais que não doam elétrons facilmente, e o criptônio (Kr) é um gás nobre, quimicamente inerte. A chave é lembrar que o supressor de ionização deve ser um elemento de baixo potencial de ionização, como os metais alcalinos.

1Função
Ioniza preferencialmente na chama
Libera elétrons em excesso
Desloca equilíbrio do analito p/ forma neutra
2Característica
Baixo potencial de ionização
Metal alcalino (Cs, K, Na, Li)
3Exemplo clássico
Césio (Cs)
Cloreto de césio (CsCl)
Supressor de ionização
LEVELsoulevel.com.br
Supressor de ionização: Função (Ioniza preferencialmente na chama, Libera elétrons em excesso, Desloca equilíbrio do analito p/ forma neutra); Característica (Baixo potencial de ionização, Metal alcalino (Cs, K, Na, Li)); Exemplo clássico (Césio (Cs), Cloreto de césio (CsCl))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O paládio (Pd) é um metal de transição com alto potencial de ionização. Ele não é usado como supressor de ionização, mas sim como modificador químico em espectrometria de absorção atômica com forno de grafite, onde ajuda a estabilizar o analito durante as etapas de pirólise e atomização. Sua função é diferente da descrita no enunciado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O césio (Cs) é um metal alcalino com um dos menores potenciais de ionização da tabela periódica. Ao ser adicionado à amostra, ele ioniza preferencialmente na chama, liberando elétrons que deslocam o equilíbrio de ionização do analito para a forma neutra, aumentando a população de átomos disponíveis para absorção. É o supressor de ionização clássico, amplamente utilizado em análises de metais alcalinos e alcalino-terrosos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O flúor (F) é um ametal altamente eletronegativo, com alta energia de ionização. Ele não doa elétrons; pelo contrário, tende a ganhá-los. Portanto, não tem capacidade de atuar como supressor de ionização. Sua presença na chama não geraria o excesso de elétrons necessário para deslocar o equilíbrio de ionização do analito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O criptônio (Kr) é um gás nobre, quimicamente inerte, com alta energia de ionização. Ele não participa de reações químicas na chama e não doa elétrons. Portanto, não pode atuar como supressor de ionização. Sua inclusão na lista é um distrator, pois não tem nenhuma função relevante nesse contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O oxigênio (O) é um ametal que, na chama, atua como comburente, participando da reação de combustão. Ele não doa elétrons para o meio e não tem capacidade de suprimir a ionização do analito. Pelo contrário, sua presença é essencial para a manutenção da chama, mas não para o controle do equilíbrio de ionização.

A regra de ouro para questões sobre supressores de ionização é: o supressor deve ser um elemento com baixo potencial de ionização, tipicamente um metal alcalino. Metais de transição, ametais e gases nobres não desempenham essa função. Lembre-se de que o objetivo é inundar a chama com elétrons, e quem faz isso com mais facilidade são os elementos que perdem elétrons com maior facilidade.

Gabarito: letra B

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