Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2026
- Código
- fg130386
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Anestesiologia
- Aclínico geral.
- Banestesiologista.
- Ccardiologista.
- Dneurologista.
- Ecirurgião.
GabaritoB — anestesiologista.
Gabarito: letra B. O médico em posição privilegiada para avaliar os riscos associados à anestesia ou à cirurgia e discuti-los com o paciente é o anestesiologista, pois é ele quem realiza a avaliação pré-anestésica, base clínica para orientar o manejo perioperatório. Essa atribuição decorre da própria natureza da especialidade e das diretrizes de segurança anestésica, que colocam o anestesiologista como responsável pela estratificação de risco e pelo plano anestésico individualizado.
A avaliação pré-operatória é um processo multidisciplinar, mas cada profissional tem um papel definido. O anestesiologista é o especialista que conduz a avaliação pré-anestésica: coleta a história clínica, realiza o exame físico, revisa exames complementares, classifica o risco cirúrgico (como a classificação ASA) e define a estratégia anestésica mais segura. É ele quem discute com o paciente os riscos específicos da anestesia — como reações adversas, complicações respiratórias ou cardiovasculares — e obtém o consentimento informado para o ato anestésico. Essa função é tão central que a Resolução do Conselho Federal de Medicina que regulamenta a especialidade e as diretrizes da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) estabelecem a consulta pré-anestésica como etapa obrigatória antes de qualquer procedimento anestésico.
O cirurgião (alternativa E) é responsável pela indicação cirúrgica, pelos riscos do procedimento em si e pelo consentimento para a cirurgia. O clínico geral (A) pode fazer uma avaliação global e encaminhar, mas não tem a formação específica para avaliar riscos anestésicos. O cardiologista (C) e o neurologista (D) são consultores para comorbidades específicas — por exemplo, o cardiologista é acionado quando há doença cardíaca ativa, como insuficiência cardíaca descompensada ou estenose aórtica grave, conforme as diretrizes da ACC/AHA. Nenhum deles substitui o anestesiologista na avaliação do risco anestésico.
A pegadinha desta questão está em associar a avaliação pré-operatória ao cirurgião ou ao clínico, quando o enunciado fala explicitamente em "riscos associados à anestesia ou à cirurgia" e "discutir esses riscos com o paciente". O termo "anestesia" é a chave: quem domina e responde por esse risco é o anestesiologista. A banca explora a confusão entre quem indica a cirurgia (cirurgião) e quem avalia o risco anestésico (anestesiologista).
Guarde o critério decisivo: risco anestésico → anestesiologista; risco cirúrgico → cirurgião; comorbidade específica → especialista consultor. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
O clínico geral pode realizar uma avaliação global do paciente e solicitar exames, mas não é o profissional com formação específica para avaliar riscos anestésicos. Ele pode encaminhar o paciente ao anestesiologista, mas não substitui a avaliação pré-anestésica especializada. A alternativa confunde avaliação clínica geral com avaliação anestésica.
O anestesiologista é o médico que realiza a avaliação pré-anestésica, estratifica o risco (como a classificação ASA), define o plano anestésico e discute com o paciente os riscos específicos da anestesia. O enunciado destaca "riscos associados à anestesia ou à cirurgia" e "discutir esses riscos com o paciente" — exatamente as atribuições do anestesiologista na consulta pré-anestésica.
O cardiologista é um consultor para avaliação cardíaca específica, indicado quando há doença cardíaca ativa (como insuficiência cardíaca descompensada, arritmia grave ou valvopatia importante). Ele não avalia o risco anestésico global nem discute os riscos da anestesia com o paciente — essa é função do anestesiologista.
O neurologista é consultor para condições neurológicas que possam se exacerbar no perioperatório, como doenças neuromusculares ou doença de Parkinson. Não é o profissional responsável pela avaliação do risco anestésico nem pela discussão desses riscos com o paciente.
O cirurgião é responsável pela indicação cirúrgica, pelos riscos do procedimento e pelo consentimento para a cirurgia. Embora participe da avaliação pré-operatória, não é ele quem avalia os riscos anestésicos — essa é uma atribuição exclusiva do anestesiologista. A alternativa confunde o responsável pela cirurgia com o responsável pela anestesia.
A banca explora a associação automática entre "avaliação pré-operatória" e "cirurgião" ou "clínico geral". Mas o enunciado fala em "riscos associados à anestesia ou à cirurgia" — e quem domina o risco anestésico é o anestesiologista. Fique atento: quando a questão menciona "anestesia", o profissional é o anestesiologista; quando fala de "procedimento cirúrgico", é o cirurgião.
Gabarito: letra B — o anestesiologista é o médico em posição privilegiada para avaliar e discutir os riscos anestésicos e cirúrgicos com o paciente.
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