Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2026
- Código
- fg130395
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Anestesiologia
- A40-60 mmHg.
- B50-60 mmHg.
- C50-80 mmHg.
- D60-70 mmHg.
- E70-80 mmHg.
GabaritoD — 60-70 mmHg.
Gabarito: letra D. A resultante da equação pressão arterial média (PAM) menos pressão intracraniana (PIC) — a pressão de perfusão cerebral (PPC) — deve ser mantida, nas primeiras 48 a 72 horas após TCE em adultos, na faixa de 60-70 mmHg. Essa é a meta estabelecida pelas diretrizes de manejo do TCE grave, que priorizam evitar a lesão cerebral secundária por hipoperfusão.
A pressão de perfusão cerebral é o gradiente que impulsiona o fluxo sanguíneo ao encéfalo. Ela é calculada pela diferença entre a pressão arterial média e a pressão intracraniana (PPC = PAM − PIC). No paciente com TCE, a PIC frequentemente se eleva por edema cerebral, hematomas ou congestão vascular, e a PAM pode cair por hipotensão associada a outras lesões. Manter a PPC dentro da faixa alvo é essencial para garantir oxigenação e nutrição adequadas ao tecido cerebral, prevenindo a isquemia — o principal mecanismo de lesão secundária, que agrava o prognóstico.
A meta de PPC de 60-70 mmHg é um consenso baseado em evidências que correlacionam valores abaixo de 60 mmHg com pior perfusão e desfechos neurológicos desfavoráveis, enquanto valores acima de 70 mmHg podem aumentar o risco de complicações, como a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), especialmente quando se utiliza pressão arterial média elevada. Por isso, a faixa estreita de 60-70 mmHg representa o equilíbrio entre evitar a isquemia e evitar os efeitos adversos da hipertensão.
Na prática, o manejo envolve monitorização invasiva da PIC (cateter intraventricular ou intraparenquimatoso) e da PAM (cateter arterial), com ajustes de sedação, osmoterapia (manitol ou solução salina hipertônica), drenagem de liquor e, em casos refratários, craniectomia descompressiva. A hipotensão deve ser agressivamente tratada, pois mesmo episódios breves de PAM baixa podem comprometer a PPC. O contexto do atendimento ao trauma ressalta que evitar hipotensão é prioridade para prevenir lesão cerebral secundária.
A pegadinha desta questão está na memorização exata da faixa numérica. O candidato pode confundir a meta de PPC com outros alvos, como a pressão arterial sistólica (≥ 100-110 mmHg) ou a PaCO2 (35-45 mmHg). A banca explora justamente essa mistura de valores que o estudante acumula ao estudar o TCE. Guarde a fronteira: PPC alvo = 60-70 mmHg; PAS alvo = ≥ 100-110 mmHg; PaCO2 = 35-45 mmHg. É exatamente nessa distinção que as alternativas se separam.
A faixa de 40-60 mmHg está abaixo do alvo recomendado. Valores de PPC inferiores a 60 mmHg estão associados a risco aumentado de isquemia cerebral e piores desfechos. Essa alternativa pode confundir com a faixa de PPC considerada mínima aceitável em algumas situações, mas não é a meta a ser mantida nas primeiras 48-72 horas.
A faixa de 50-60 mmHg também está abaixo do alvo. Embora o limite inferior de 60 mmHg seja o ponto crítico, a faixa de 50-60 mmHg não é a recomendada, pois valores nesse intervalo já indicam perfusão limítrofe ou insuficiente. O erro aqui é apresentar um intervalo que começa abaixo do mínimo aceitável.
A faixa de 50-80 mmHg é muito ampla e inclui valores abaixo do alvo mínimo (50-59 mmHg) e acima do máximo recomendado (71-80 mmHg). A meta de 60-70 mmHg é estreita justamente para evitar tanto a isquemia quanto os efeitos adversos de uma PPC excessivamente alta. Essa alternativa pode parecer razoável por abranger uma margem maior, mas não reflete a recomendação precisa.
A faixa de 60-70 mmHg é exatamente a meta de pressão de perfusão cerebral recomendada para adultos nas primeiras 48-72 horas após TCE. Esse valor representa o equilíbrio entre garantir fluxo sanguíneo cerebral adequado (evitando isquemia) e não submeter o cérebro a pressões que possam causar complicações. É o alvo consagrado nas diretrizes de manejo do TCE grave.
A faixa de 70-80 mmHg está acima do alvo recomendado. Embora valores mais altos de PPC possam parecer benéficos por aumentar o fluxo sanguíneo, eles estão associados a maior risco de complicações, como SDRA, especialmente em pacientes com lesão pulmonar concomitante. A recomendação é manter a PPC em 60-70 mmHg, não acima disso.
A regra de ouro para a prova: no TCE grave, a PPC deve ser mantida entre 60 e 70 mmHg — abaixo disso há risco de isquemia, acima disso há risco de complicações sistêmicas. Memorize essa faixa e diferencie-a dos outros alvos (PAS, PaCO2, PIC).
Gabarito: letra D
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