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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg130463
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Cirurgia Cardiovascular
Paciente, sexo masculino, 80 anos, lúcido e orientado, mas com fragilidades. Apresenta estenose aórtica calcificada grave, DPOC grave. Foi indicada a troca valvar por uma TAVI.Em comparação à troca de valva aórtica convencional, no pós operatório pós TAVI a complicação mais encontrada é:
  1. Atamponamento cardíaco.
  2. Bvazamento perivalvar.
  3. Cfibrilação atrial.
  4. Dendocardite infecciosa.
  5. Einsuficiência renal aguda.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — vazamento perivalvar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Complicações da TAVI versus troca valvar aórtica cirúrgica

Gabarito: letra B. A complicação mais característica e frequente no pós-operatório da TAVI (implante percutâneo de valva aórtica) é o vazamento perivalvar (regurgitação paravalvar), decorrente da calcificação do anel aórtico e da dificuldade de aposição completa da prótese ao anel nativo — complicação muito menos comum na troca valvar cirúrgica, em que o anel é desbridado e a prótese é suturada diretamente. Essa é a diferença central que a questão explora.

A TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation) é um procedimento minimamente invasivo para tratar estenose aórtica grave em pacientes de alto risco cirúrgico, como o paciente do enunciado (80 anos, DPOC grave, fragilidade). Em vez de abrir o tórax e usar circulação extracorpórea (CEC), a prótese é introduzida por cateter — via femoral, apical ou outras — e expandida sobre o anel aórtico nativo, que permanece calcificado. É justamente essa característica que explica o perfil de complicações: como o anel não é desbridado, a prótese pode não se assentar perfeitamente, deixando espaços entre a prótese e o anel por onde o sangue regurgita — o chamado vazamento perivalvar (ou regurgitação paravalvar). Estudos mostram que algum grau de vazamento perivalvar ocorre em uma proporção significativa dos pacientes submetidos a TAVI, sendo a complicação mais comum do procedimento. Na cirurgia convencional, o anel é desbridado e a prótese é suturada, o que torna o vazamento perivalvar muito menos frequente.

Outras complicações, como tamponamento cardíaco, fibrilação atrial, endocardite e insuficiência renal aguda, podem ocorrer em ambos os procedimentos, mas não são a complicação "mais encontrada" especificamente na TAVI. A fibrilação atrial, por exemplo, é mais comum na cirurgia convencional (devido à manipulação atrial e à CEC) do que na TAVI. O tamponamento cardíaco pode ocorrer na TAVI (por perfuração de câmara com o fio-guia ou pela punção), mas é menos frequente que o vazamento perivalvar. A endocardite é uma complicação tardia e rara em ambos. A insuficiência renal aguda pode ocorrer pelo contraste e pela instabilidade hemodinâmica, mas não é a complicação mais característica.

A pegadinha da questão está em associar a TAVI a complicações da cirurgia convencional (como fibrilação atrial e tamponamento) ou a complicações gerais de qualquer procedimento (como endocardite e IRA). O candidato que não conhece o perfil específico de complicações da TAVI pode cair em uma dessas alternativas. A chave é lembrar que a TAVI é um procedimento percutâneo que não desbrida o anel, e por isso o vazamento perivalvar é a complicação mais frequente.

TAVI vs. Troca valvar cirúrgica
  • 1TAVI (percutânea)
    • Anel nativo permanece calcificado
    • Vazamento perivalvar (mais comum)
    • Menos fibrilação atrial (sem CEC)
  • 2Cirurgia convencional
    • Anel é desbridado
    • Prótese suturada
    • Menos vazamento perivalvar
    • Mais fibrilação atrial (CEC)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O tamponamento cardíaco é uma complicação possível da TAVI (por perfuração de câmara cardíaca com o fio-guia, pelo pacing rápido ou pela punção de acesso), mas não é a complicação mais encontrada. É um evento relativamente raro, embora grave. Na cirurgia convencional, o tamponamento também pode ocorrer, mas não é a complicação mais frequente em nenhum dos dois procedimentos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O vazamento perivalvar (regurgitação paravalvar) é a complicação mais comum no pós-operatório da TAVI. Isso ocorre porque a prótese é implantada sobre o anel aórtico nativo, que permanece calcificado, dificultando a aposição completa da prótese. A calcificação do anel impede que a prótese se assente perfeitamente, deixando espaços por onde o sangue regurgita. Na cirurgia convencional, o anel é desbridado (removida a calcificação) e a prótese é suturada diretamente, o que reduz drasticamente a incidência de vazamento perivalvar. Por isso, essa é a complicação que diferencia a TAVI da cirurgia convencional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fibrilação atrial é uma complicação mais comum na cirurgia valvar convencional do que na TAVI. Na cirurgia aberta, a manipulação atrial, a CEC e a inflamação pericárdica predispõem à fibrilação atrial. Na TAVI, a incidência de fibrilação atrial é menor, pois não há manipulação atrial direta nem CEC. Portanto, não é a complicação mais encontrada na TAVI.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A endocardite infecciosa é uma complicação tardia e rara, tanto na TAVI quanto na cirurgia convencional. Não é a complicação mais encontrada no pós-operatório imediato. A profilaxia antibiótica é realizada no procedimento, e a incidência de endocardite é baixa (em torno de 1-2% ao ano). Portanto, não é a complicação mais característica da TAVI.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insuficiência renal aguda (IRA) pode ocorrer na TAVI, principalmente devido ao uso de contraste iodado e à instabilidade hemodinâmica durante o procedimento. No entanto, não é a complicação mais encontrada. A incidência de IRA na TAVI é variável, mas o vazamento perivalvar é mais frequente e mais específico do procedimento. Além disso, a IRA também pode ocorrer na cirurgia convencional, não sendo uma complicação que diferencie os dois procedimentos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre cirurgia cardíaca e complicações como fibrilação atrial e tamponamento. Mas a TAVI é um procedimento percutâneo, sem CEC e sem manipulação atrial — por isso, a complicação mais comum é o vazamento perivalvar, consequência direta da não remoção da calcificação do anel. Lembre-se: na TAVI, o anel fica calcificado; na cirurgia, ele é desbridado. Essa é a diferença que decide a questão.

Gabarito: letra B

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