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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026

MedicinaNeurologia
Código
fg130475
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Clínica Médica
Mulher, 29 anos, 12 dias pós-parto, chega com cefaleia progressiva há cinco dias, pior ao deitar-se, associada a turvação visual transitória. Um episódio de crise focal motora curta em membro superior esquerdo na sala de espera. Sem febre.Exame: PA 130/80, papiledema bilateral, sem déficit motor.Exames: Hemograma normal, plaquetas 240 mil; D-dímero normal; TC sem contraste: pequena hemorragia cortical parasagital direita com edema adjacente; Angio-TC arterial: sem aneurisma/malformação; RM (T2/FLAIR) + SWI: sinais de infarto venoso hemorrágico parasagital; Venografia (MRV/CTV): falha de enchimento do seio sagital superior.A conduta correta na fase aguda é
  1. Aevitar anticoagulação devido à hemorragia; tratar apenas com antiepiléptico e controle de pressão intracraniana.
  2. Biniciar heparina (preferencialmente HBPM ou HNF) mesmo na presença de hemorragia venosa, com manejo de hipertensão intracraniana e anticonvulsivante se indicado.
  3. Ciniciar dupla antiagregação plaquetária por 21 dias, como em AVC menor.
  4. Dfazer trombólise venosa sistêmica imediata, pois há déficit neurológico.
  5. Eaguardar confirmação por arteriografia cerebral antes de qualquer terapia antitrombótica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — iniciar heparina (preferencialmente HBPM ou HNF) mesmo na presença de hemorragia venosa, com manejo de hipertensão intracraniana e anticonvulsivante se indicado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombose venosa cerebral pós-parto: anticoagulação na fase aguda

Gabarito: letra B. O quadro — cefaleia progressiva que piora em decúbito, papiledema, crise focal e infarto venoso hemorrágico com trombose do seio sagital superior — é trombose venosa cerebral (TVC), e a conduta na fase aguda é anticoagular com heparina (HBPM ou HNF), mesmo na presença de hemorragia venosa, associada ao manejo da hipertensão intracraniana e anticonvulsivante se indicado. Essa é a recomendação das principais diretrizes (AHA/ASA e ESO), que priorizam o tratamento da trombose em detrimento do risco hemorrágico, pois a recanalização venosa reduz a morbimortalidade.

A trombose venosa cerebral é uma causa de acidente vascular cerebral que acomete preferencialmente mulheres jovens, especialmente no puerpério — período de estado hipercoagulável. O diagnóstico é confirmado por venografia (MRV ou CTV) mostrando falha de enchimento do seio venoso, e a RM com SWI evidencia o infarto venoso hemorrágico. A fisiopatologia difere do AVC arterial: a oclusão venosa causa congestão, edema e, eventualmente, hemorragia por aumento da pressão capilar. Por isso, o tratamento não é trombólise arterial nem antiagregação, mas sim anticoagulação plena, que interrompe a progressão da trombose e permite a recanalização espontânea do seio.

A decisão de anticoagular mesmo com hemorragia venosa é o ponto central. Diferentemente da hemorragia intracerebral hipertensiva ou da transformação hemorrágica de um infarto arterial, o sangramento venoso é consequência da própria trombose — o sangue extravasa porque a drenagem está obstruída. Anticoagular, portanto, trata a causa e não apenas o sintoma. As diretrizes recomendam heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF) na fase aguda, com transição para anticoagulação oral (varfarina ou DOAC) por 3 a 6 meses, ou mais se houver fator de risco persistente.

A alternativa A propõe evitar anticoagulação por causa da hemorragia — isso contraria a evidência, pois o risco de extensão da trombose e de novo infarto venoso supera o risco de piora hemorrágica. A alternativa C sugere dupla antiagregação, que não tem papel na TVC, pois o mecanismo é venoso e trombótico, não arterial aterotrombótico. A alternativa D propõe trombólise venosa sistêmica, que não é indicada na TVC — a trombólise local com cateter é reservada para casos selecionados com deterioração apesar da anticoagulação. A alternativa E sugere aguardar arteriografia, mas a venografia por RM ou TC já confirmou o diagnóstico, e a arteriografia não é necessária nem deve atrasar o tratamento.

A pegadinha desta questão está em associar "hemorragia cerebral" a "contraindicação de anticoagulação". Na TVC, a presença de hemorragia venosa é justamente a indicação mais forte para anticoagular, pois a trombose é a causa do sangramento. O candidato que pensa no manejo da hemorragia intracerebral primária erra a questão. Guarde essa distinção: hemorragia arterial = evitar anticoagulante; hemorragia venosa por TVC = anticoagular sempre.

Conduta

Indicação na TVC

Justificativa

Anticoagulação com heparina (HBPM/HNF)

Sim, mesmo com hemorragia venosa

Trata a trombose (causa do sangramento); permite recanalização do seio; reduz morbimortalidade

Evitar anticoagulação

Não

Hemorragia venosa é consequência da trombose; risco de extensão da trombose supera risco hemorrágico

Dupla antiagregação plaquetária

Não

Mecanismo é venoso/trombótico, não arterial; sem papel na TVC

Trombólise venosa sistêmica

Não

Não indicada na TVC; reservada trombólise local para casos selecionados com deterioração

Arteriografia antes do tratamento

Não

Venografia (MRV/CTV) já confirma diagnóstico; atraso não traz benefício

1Diagnóstico
Cefaleia + papiledema
Crise focal
MRV/CTV: falha de enchimento
2Tratamento agudo
Heparina (HBPM/HNF)
Mesmo com hemorragia venosa
Manejo de PIC
Anticonvulsivante se crise
3Erros comuns
Evitar anticoagulação
Antiagregação plaquetária
Trombólise sistêmica
Aguardar arteriografia
TVC pós-parto
LEVELsoulevel.com.br
TVC pós-parto: Diagnóstico (Cefaleia + papiledema, Crise focal, MRV/CTV: falha de enchimento); Tratamento agudo (Heparina (HBPM/HNF), Mesmo com hemorragia venosa, Manejo de PIC, Anticonvulsivante se crise); Erros comuns (Evitar anticoagulação, Antiagregação plaquetária, Trombólise sistêmica, Aguardar arteriografia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Evitar anticoagulação por causa da hemorragia é o erro clássico. Na TVC, a hemorragia venosa é consequência da trombose, e não contraindicação ao tratamento. A anticoagulação é o pilar do tratamento, e o uso isolado de antiepiléptico e controle da PIC não trata a causa — a trombose continuaria progredindo, aumentando o risco de novo infarto venoso e de piora neurológica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta recomendada pelas diretrizes. A anticoagulação com heparina (HBPM ou HNF) é indicada na fase aguda da TVC, mesmo com hemorragia venosa associada, pois o benefício de recanalizar o seio supera o risco de expansão hemorrágica. O manejo da hipertensão intracraniana (cabeceira elevada, osmoterapia se necessário) e o anticonvulsivante (se houver crise, como no caso) completam o tratamento de suporte.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dupla antiagregação plaquetária é tratamento para AVC isquêmico arterial (como em AVC menor ou AIT de alto risco). Na TVC, o mecanismo é venoso e trombótico, e a antiagregação não é eficaz — o tratamento é anticoagulação plena. Além disso, o prazo de 21 dias não corresponde a nenhuma recomendação para TVC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Trombólise venosa sistêmica (alteplase) é indicada para AVC isquêmico arterial dentro da janela de 4,5 horas. Na TVC, a trombólise sistêmica não é recomendada; a trombólise local com cateter é reservada para casos graves com deterioração apesar da anticoagulação. O caso descrito tem hemorragia venosa, o que aumenta o risco de trombólise, e o déficit focal foi uma crise breve, não um déficit persistente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A arteriografia cerebral (angiografia por cateter) não é necessária para confirmar TVC — a venografia por RM (MRV) ou TC (CTV) já é o padrão-ouro não invasivo e mostrou falha de enchimento do seio sagital superior. Aguardar arteriografia atrasaria o tratamento sem benefício diagnóstico, pois o diagnóstico já está estabelecido.

Gabarito: letra B — anticoagulação com heparina na fase aguda da trombose venosa cerebral, mesmo com hemorragia venosa, associada ao manejo da hipertensão intracraniana e anticonvulsivante se indicado.

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