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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
fg130485
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Clínica Médica
Homem, 36 anos, refere cefaleia progressiva há oito meses, redução importante da libido e disfunção erétil. Evoluiu nas últimas semanas com dificuldade para dirigir à noite.• Ao exame: hemianopsia bitemporal; testículos de volume reduzido; sem galactorreia.• RM de sela túrcica: Lesão expansiva selar e suprasselar de 2,3 cm, heterogênea, com compressão do quiasma óptico e desvio do pedículo hipofisário.• Laboratório (8 h): Prolactina: 85 ng/mL (VN < 20); TSH: normal; T4 livre: normal; Cortisol basal: 17 mcg/dL; ACTH: normal; LH e FSH: baixos; Testosterona total: reduzida.• Nova dosagem de prolactina após diluição seriada: 92 ng/mL.O diagnóstico mais provável é o
  1. Amacroprolactinoma.
  2. Bmacroadenoma não funcionante com hiperprolactinemia por efeito haste.
  3. Ccraniopharingioma com hiperprolactinemia secundária.
  4. Dadenoma corticotrófico silencioso.
  5. Ehipofisite linfocítica.
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GabaritoB — macroadenoma não funcionante com hiperprolactinemia por efeito haste.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Macroadenoma hipofisário não funcionante com hiperprolactinemia por efeito haste

Gabarito: letra B. O quadro clínico-laboratorial — lesão selar/suprasselar de 2,3 cm com compressão do quiasma óptico, hipogonadismo hipogonadotrófico e prolactina apenas discretamente elevada (85–92 ng/mL, sem diluição progressiva) — é a apresentação clássica do macroadenoma não funcionante com hiperprolactinemia por efeito haste (compressão do pedículo hipofisário). A prolactina < 100 ng/mL, a ausência de galactorreia e a estabilidade do valor após diluição seriada afastam o macroprolactinoma, que cursaria com níveis muito mais elevados.

O raciocínio diagnóstico em lesões selares começa pela prolactina. O prolactinoma é o tumor hipofisário mais comum e, quando macro (> 1 cm), costuma elevar a prolactina a níveis > 200 ng/mL, frequentemente > 1.000 ng/mL. A hiperprolactinemia por efeito haste (ou efeito stalk) ocorre quando um tumor não lactotrófico comprime o pedículo hipofisário, interrompendo o fluxo do hormônio inibitório dopaminérgico vindo do hipotálamo; a prolactina então se eleva, mas de forma discreta a moderada, tipicamente < 100 ng/mL. Este é o ponto central da questão: a magnitude da elevação da prolactina é o critério que separa o prolactinoma verdadeiro do adenoma não funcionante com efeito haste.

Na prática, a regra é: prolactina > 200 ng/mL (alguns autores usam > 250 ng/mL) é virtualmente diagnóstica de prolactinoma; prolactina < 100 ng/mL em presença de lesão selar aponta para efeito haste; valores entre 100 e 200 ng/mL são zona cinzenta, exigindo correlação com o tamanho do tumor. No caso, a prolactina de 85–92 ng/mL, com tumor de 2,3 cm, encaixa perfeitamente no efeito haste. A diluição seriada foi feita para excluir o efeito gancho (hook effect), um artefato laboratorial em que prolactinas extremamente altas saturam o ensaio e retornam valores falsamente baixos; como a diluição não revelou níveis muito maiores, confirma-se que a prolactina é realmente baixa, afastando o macroprolactinoma.

O hipogonadismo (LH e FSH baixos, testosterona reduzida, testículos pequenos) é consequência da compressão das células gonadotróficas pelo tumor ou do efeito da hiperprolactinemia sobre o eixo gonadotrófico. A hemianopsia bitemporal e a dificuldade para dirigir à noite (visão noturna comprometida) decorrem da compressão do quiasma óptico pela extensão suprasselar. A ausência de galactorreia, apesar da hiperprolactinemia, é comum em homens e não exclui o diagnóstico. O cortisol basal normal e o ACTH normal afastam o adenoma corticotrófico, e a ausência de sintomas de diabetes insipidus ou de características císticas na RM torna o craniofaringioma menos provável.

A pegadinha central da questão é a tentação de diagnosticar macroprolactinoma diante de uma lesão selar com prolactina elevada. A banca explora exatamente a associação automática "tumor de hipófise + prolactina alta = prolactinoma", quando o valor de 85–92 ng/mL é baixo demais para um tumor de 2,3 cm. O candidato que não domina a faixa de valores do efeito haste erra a questão. Guarde a fronteira: prolactinoma macro → prolactina muito alta (> 200 ng/mL); adenoma não funcionante com efeito haste → prolactina discretamente elevada (< 100 ng/mL). É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Macroprolactinoma (A)

Macroadenoma não funcionante com efeito haste (B)

Nível de prolactina

Muito elevado (> 200 ng/mL, frequentemente > 1.000)

Discreto a moderado (< 100 ng/mL)

Mecanismo

Secreção tumoral direta de prolactina

Compressão do pedículo hipofisário (interrupção do fluxo dopaminérgico)

Resultado da diluição seriada

Revela níveis muito mais altos (descarta efeito gancho)

Mantém valores baixos (confirma prolactina realmente baixa)

Galactorreia

Pode estar presente

Geralmente ausente (comum em homens)

Diagnóstico diferencial

Tumor lactotrófico

Tumor não secretor com efeito de massa

Alternativa A — ❌ Incorreta

O macroprolactinoma é um adenoma lactotrófico que secreta prolactina em grandes quantidades. Em tumores > 1 cm, a prolactina costuma estar > 200 ng/mL, frequentemente > 1.000 ng/mL. O valor de 85–92 ng/mL, mesmo com diluição seriada (que descarta o efeito gancho), é incompatível com macroprolactinoma. Além disso, a diluição seriada foi realizada justamente para investigar a possibilidade de hook effect — se houvesse macroprolactinoma, a diluição revelaria níveis muito mais altos, o que não ocorreu.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O macroadenoma não funcionante (tumor sem hipersecreção hormonal clinicamente relevante) comprime o pedículo hipofisário, interrompendo o transporte de dopamina do hipotálamo para a hipófise anterior. Sem a inibição dopaminérgica, a secreção de prolactina pelos lactotrofos aumenta, mas de forma discreta a moderada (tipicamente < 100 ng/mL). O quadro clínico — cefaleia, hemianopsia bitemporal, hipogonadismo hipogonadotrófico — é consequência do efeito de massa do tumor. A prolactina de 85–92 ng/mL, a ausência de galactorreia e a estabilidade após diluição seriada confirmam o efeito haste, não um prolactinoma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O craniofaringioma é um tumor derivado de restos epiteliais da bolsa de Rathke, geralmente com componente cístico e calcificações na RM. Pode causar hiperprolactinemia por efeito haste, mas a apresentação típica inclui sinais de hipertensão intracraniana, distúrbios visuais e, frequentemente, diabetes insipidus (por envolvimento do hipotálamo/neuro-hipófise). A RM descrita (lesão heterogênea, sem características císticas/calcificadas típicas) e o quadro clínico sem poliúria/polidipsia tornam o craniofaringioma menos provável. O adenoma hipofisário é a causa mais comum de lesão selar nessa faixa etária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O adenoma corticotrófico silencioso é um tumor que expressa ACTH, mas sem manifestações clínicas de hipercortisolismo (síndrome de Cushing). No caso, o cortisol basal é normal (17 mcg/dL) e o ACTH é normal, o que não sugere hiperprodução de ACTH. Além disso, a hiperprolactinemia não seria explicada por um adenoma corticotrófico, a menos que houvesse efeito haste — mas o diagnóstico mais provável, dado o conjunto, é o adenoma não funcionante. A ausência de sinais de Cushing e a normalidade do eixo HHA afastam esta alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipofisite linfocítica é uma doença inflamatória autoimune da hipófise, mais comum em mulheres no período periparto. Pode causar hipopituitarismo e efeito de massa, mas a RM tipicamente mostra espessamento difuso e simétrico da glândula, sem lesão expansiva heterogênea bem delimitada como a descrita. A apresentação em homem de 36 anos, com lesão selar/suprasselar de 2,3 cm e compressão do quiasma, é muito mais sugestiva de adenoma hipofisário. A hipofisite linfocítica é um diagnóstico de exclusão, não o mais provável neste cenário.

Gabarito: letra B — macroadenoma não funcionante com hiperprolactinemia por efeito haste.

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