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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg130554
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Genética Médica
Os inibidores da PARP representam um marco na oncogenética. O mecanismo de ação que justifica sua eficácia preferencial em pacientes com variantes patogênicas em BRCA1 ou BRCA2 é conhecido como
  1. Abloqueio da angiogênese tumoral.
  2. Bletalidade sintética.
  3. Creparação direta do DNA via CRISPR.
  4. Dimunomodulação via PD-L1.
  5. Einibição da via mTOR.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — letalidade sintética.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inibidores de PARP e letalidade sintética

Gabarito: letra B. O mecanismo que explica a eficácia preferencial dos inibidores de PARP em tumores com variantes patogênicas em BRCA1/BRCA2 é a letalidade sintética: a célula tumoral já perdeu um dos sistemas de reparo do DNA (recombinação homóloga, por defeito no BRCA) e, ao inibir a PARP, o segundo sistema de reparo também é bloqueado, levando a célula à morte. Esse conceito está diretamente ligado à deficiência de recombinação homóloga (HRD) e à instabilidade genômica, como descrito na literatura de oncologia molecular.

A letalidade sintética é um conceito central na oncologia moderna. Em termos simples, ela ocorre quando a perda de função de dois genes diferentes é letal para a célula, mas a perda de apenas um deles não é. No contexto dos inibidores de PARP, a célula tumoral com mutação em BRCA1 ou BRCA2 já tem um defeito no reparo de quebras de fita dupla do DNA por recombinação homóloga. A PARP é uma enzima envolvida no reparo de quebras de fita simples. Quando a PARP é inibida, essas quebras de fita simples não são reparadas e se convertem em quebras de fita dupla durante a replicação do DNA. Como a célula tumoral não consegue reparar essas quebras de fita dupla (devido à deficiência de BRCA), ocorre acúmulo de dano genômico e, consequentemente, a morte celular. As células normais, que possuem pelo menos um alelo funcional de BRCA, conseguem reparar o dano e sobreviver, o que confere seletividade ao tratamento.

A base molecular desse mecanismo está na instabilidade genômica. Mutações em genes de reparo do DNA aumentam a carga de mutação tumoral. No caso específico dos genes BRCA, que fazem parte do complexo FANC, a deficiência de recombinação homóloga (HRD) é observada em subgrupos de pacientes com câncer de ovário, mama, próstata e pâncreas. Esses tumores, para sobreviver, dependem de sistemas de reparo alternativos, como o sistema PARP. Ao inibir a PARP, remove-se essa via de resgate, explorando a fragilidade genética do tumor. Esse é o princípio da letalidade sintética aplicado à terapia alvo.

Na prática clínica, os inibidores de PARP são medicamentos orais utilizados em pacientes com HRD, seja por mutação germinativa (herdada) ou somática (adquirida no tumor). A presença da mutação em BRCA é um biomarcador preditivo de resposta, pois indica que o tumor é dependente da via PARP para reparar seu DNA. A eficácia preferencial nesses pacientes não se deve a um efeito direto sobre a angiogênese, nem à modulação imunológica, nem à inibição de vias de sinalização como mTOR, mas sim à exploração de uma vulnerabilidade genética específica.

A distinção crucial é entre letalidade sintética e outros mecanismos de ação de drogas antineoplásicas. Enquanto a maioria das quimioterapias age de forma inespecífica sobre células em divisão, a letalidade sintética é um conceito de medicina de precisão: explora uma característica genética específica do tumor para matar seletivamente as células cancerosas, poupando as normais. É essa seletividade que torna os inibidores de PARP tão eficazes em tumores com BRCA mutado e menos eficazes em tumores sem essa alteração.

A pegadinha da banca está em associar os inibidores de PARP a outros mecanismos de ação de drogas oncológicas, como a inibição da angiogênese (bevacizumabe), a imunomodulação via PD-L1 (imunoterapia) ou a inibição da via mTOR (everolimo). O candidato que não domina o conceito de letalidade sintética pode confundir esses mecanismos. A chave é lembrar que a PARP está envolvida no reparo do DNA, e sua inibição é letal apenas para células que já têm outro defeito no reparo, como as com mutação em BRCA.

Inibidores de PARP
  • 1Mecanismo: letalidade sintética
    • Célula tumoral: defeito em BRCA (HRD)
    • Inibição da PARP: bloqueia 2º reparo
    • Resultado: morte celular seletiva
  • 2Seletividade
    • Células normais: BRCA funcional sobrevive
    • Células tumorais: acumulam dano e morrem
  • 3Biomarcador preditivo
    • Mutação germinativa ou somática
    • Dependência da via PARP
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O bloqueio da angiogênese tumoral é o mecanismo de ação de drogas como o bevacizumabe, que inibem o fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF). Não há relação direta com o reparo do DNA ou com a vulnerabilidade genética de tumores com BRCA mutado. A eficácia dos inibidores de PARP não se deve à inibição da formação de novos vasos sanguíneos, mas sim à exploração da deficiência de recombinação homóloga.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A letalidade sintética é exatamente o mecanismo que justifica a eficácia preferencial dos inibidores de PARP em pacientes com BRCA1/BRCA2 mutados. A célula tumoral já tem um defeito no reparo de quebras de fita dupla (recombinação homóloga) e, ao inibir a PARP, bloqueia-se também o reparo de quebras de fita simples, levando à morte celular seletiva. Esse é o conceito central da medicina de precisão aplicado à oncogenética.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reparação direta do DNA via CRISPR é uma técnica de edição genética, não um mecanismo de ação de fármacos. Os inibidores de PARP não editam o DNA; eles bloqueiam uma enzima envolvida no reparo do DNA. A confusão pode surgir porque ambos os temas envolvem DNA, mas são conceitos completamente distintos: CRISPR é uma ferramenta de engenharia genética, enquanto a PARP é um alvo farmacológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A imunomodulação via PD-L1 é o mecanismo de ação dos inibidores de checkpoint imunológico, como o pembrolizumabe e o nivolumabe. Essas drogas atuam no sistema imune, não no reparo do DNA. Embora tumores com alta carga de mutação possam responder melhor à imunoterapia, o mecanismo que justifica a eficácia dos inibidores de PARP em BRCA mutado é a letalidade sintética, não a imunomodulação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A inibição da via mTOR é o mecanismo de ação de drogas como o everolimo e o temsirolimo, que atuam na via de sinalização PI3K/AKT/mTOR, envolvida no crescimento e proliferação celular. Não há relação com o reparo do DNA ou com a vulnerabilidade genética de tumores com BRCA mutado. A via mTOR é um alvo terapêutico em diversos tumores, mas não é o mecanismo dos inibidores de PARP.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os diferentes mecanismos de ação das terapias-alvo em oncologia. O candidato que associa PARP a reparo de DNA pode ser tentado a escolher CRISPR, mas a chave é lembrar que a PARP é uma enzima, não uma ferramenta de edição. A letalidade sintética é o conceito que une a deficiência de BRCA à dependência da via PARP.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre terapia-alvo em oncologia, monte um mapa mental dos principais mecanismos: inibidores de PARP → letalidade sintética (reparo de DNA); anti-angiogênicos → VEGF; imunoterapia → PD-L1/PD-1; inibidores de mTOR → via PI3K/AKT. Essa distinção é recorrente em provas de oncologia e oncogenética.

Gabarito: letra B

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