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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg130584
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Ginecologia e Obstetrícia
Mulher de 33 anos, nuligesta, com diagnóstico de endometriose profunda, apresenta dor pélvica crônica moderada e infertilidade há 2 anos. Exames mostram endometriomas ovarianos bilaterais de 3,5 cm e 4,0 cm, sem sinais de obstrução tubária completa. Reserva ovariana dentro da normalidade. A paciente expressa desejo reprodutivo imediato.A melhor estratégia terapêutica nesse cenário é
  1. Atratamento hormonal contínuo com progestagênio por 6 a 12 meses antes de tentar gestação.
  2. Banálogo de GnRH por 6 meses, seguido de tentativa espontânea de gravidez.
  3. Ccirurgia laparoscópica para ressecção das lesões de endometriose, independentemente da estratégia reprodutiva.
  4. Dencaminhamento direto para técnicas de reprodução assistida, sem tratamento prévio da endometriose.
  5. Eindividualizar a conduta, priorizando técnicas de reprodução assistida, evitando tratamento hormonal supressivo e indicando cirurgia apenas em situações selecionadas.
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GabaritoE — individualizar a conduta, priorizando técnicas de reprodução assistida, evitando tratamento hormonal supressivo e indicando cirurgia apenas em situações selecionadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endometriose e infertilidade: individualização da conduta reprodutiva

Gabarito: letra E. Em mulher com endometriose profunda, endometriomas bilaterais e desejo reprodutivo imediato, a melhor estratégia é individualizar a conduta, priorizando técnicas de reprodução assistida (TRA), evitando tratamento hormonal supressivo e indicando cirurgia apenas em situações selecionadas. O tratamento hormonal supressivo não se justifica em mulheres inférteis que desejam engravidar, pois não aumenta as taxas de fertilidade e apenas adia a tentativa de gestação — princípio que orienta as diretrizes do Ministério da Saúde sobre endometriose.

A endometriose é uma doença ginecológica crônica, estrogênio-dependente, definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina, o que gera uma reação inflamatória crônica. Suas apresentações clínicas mais comuns são a dor pélvica (dismenorreia, dispareunia, dor pélvica cíclica) e a infertilidade. A doença pode se manifestar como lesões superficiais, endometriomas (cistos ovarianos) e endometriose profunda (invasão tecidual > 5 mm). No caso apresentado, a paciente tem endometriose profunda, endometriomas bilaterais de 3,5 e 4,0 cm, dor pélvica crônica moderada e infertilidade há 2 anos, com reserva ovariana normal e desejo reprodutivo imediato.

O ponto central da questão é a dissociação entre o tratamento da dor e o tratamento da infertilidade. Para o controle da dor, o tratamento hormonal (progestagênios, ACOs contínuos, análogos de GnRH) é a base, pois induz amenorreia e cria ambiente desfavorável aos implantes endometriais. Porém, para a mulher que deseja engravidar, o tratamento hormonal supressivo não está indicado, pois suprime a ovulação e adia a gestação sem trazer benefício comprovado para a fertilidade. As diretrizes do Ministério da Saúde são claras: "Para o grupo de mulheres com infertilidade, não se justifica o tratamento hormonal com supressão da ovulação" e "mulheres inférteis devido à endometriose não devem receber tratamentos para supressão da ovulação".

A cirurgia laparoscópica tem papel definido: é indicada para tratamento da dor quando há falha do tratamento clínico, sintomas graves ou incapacitantes, endometriomas, distorção anatômica, aderências ou obstrução de órgãos. Na infertilidade associada a endometriose mínima ou leve (estágios I e II), a laparoscopia com ressecção/ablação dos focos mostrou aumento das taxas de gravidez. Porém, em casos de endometriose profunda com endometriomas, a cirurgia não é a primeira escolha quando o objetivo é a gestação imediata — especialmente porque a ressecção de endometriomas pode impactar a reserva ovariana. A conduta moderna prioriza o encaminhamento direto para TRA (FIV), reservando a cirurgia para situações selecionadas, como dor refratária, endometriomas > 4 cm (que podem comprometer o acesso aos folículos), ou suspeita de malignidade.

A alternativa E sintetiza exatamente essa abordagem: individualizar, priorizar TRA, evitar supressão hormonal e considerar cirurgia apenas em casos selecionados. É a conduta que concilia o desejo reprodutivo imediato com a melhor evidência disponível. As demais alternativas caem em armadilhas clássicas: usar tratamento hormonal (que suprime ovulação) em quem quer engravidar, ou indicar cirurgia de forma indiscriminada sem considerar a estratégia reprodutiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento da dor e o tratamento da infertilidade na endometriose. O candidato que associa automaticamente "endometriose" a "tratamento hormonal" ou a "cirurgia" erra a questão. A chave é o desejo reprodutivo imediato: se a paciente quer engravidar agora, o tratamento hormonal supressivo está contraindicado e a cirurgia só entra em situações específicas. Guarde: dor → hormônio/cirurgia; infertilidade com desejo de gestação → TRA, sem supressão hormonal.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tratamento hormonal contínuo com progestagênio por 6 a 12 meses suprime a ovulação e adia a tentativa de gestação. Para mulheres inférteis que desejam engravidar, essa conduta não se justifica, pois não há evidência de aumento das taxas de fertilidade — apenas retarda o projeto reprodutivo. O progestagênio é opção para controle da dor, não para infertilidade com desejo reprodutivo imediato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O análogo de GnRH por 6 meses também promove supressão da ovulação (pseudomenopausa), o que é contraindicado em quem deseja gestação imediata. Além disso, não há evidência de que o uso prévio de análogo de GnRH aumente as taxas de gravidez espontânea ou melhore os desfechos reprodutivos. É tratamento para dor, não para infertilidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A cirurgia laparoscópica para ressecção das lesões não deve ser indicada de forma independente da estratégia reprodutiva. Em endometriose profunda com endometriomas, a cirurgia pode comprometer a reserva ovariana e não é a primeira escolha quando o objetivo é a gestação imediata. A indicação cirúrgica deve ser individualizada, considerando sintomas, tamanho dos endometriomas e o plano reprodutivo. A alternativa erra ao tornar a cirurgia uma conduta obrigatória e desvinculada do contexto reprodutivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O encaminhamento direto para TRA sem tratamento prévio é parcialmente correto, mas a alternativa é incompleta e absoluta: desconsidera que a cirurgia pode ser necessária em situações selecionadas (ex.: endometriomas > 4 cm que dificultam a captação oocitária, dor refratária, suspeita de malignidade). A conduta ideal não é "encaminhar direto sem nenhuma avaliação", mas sim individualizar, priorizando TRA e reservando cirurgia para casos específicos. A letra E captura essa nuance; a D simplifica demais.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa sintetiza a conduta baseada em evidências: individualizar a abordagem, priorizando TRA (FIV) como via mais rápida e eficaz para gestação em endometriose profunda com endometriomas, evitando tratamento hormonal supressivo (que não aumenta fertilidade e adia a gestação) e indicando cirurgia apenas em situações selecionadas (dor refratária, endometriomas grandes que dificultam a punção folicular, ou suspeita de malignidade). É exatamente o que preconizam as diretrizes do Ministério da Saúde: em mulheres inférteis, não se justifica supressão da ovulação; a prioridade é a via reprodutiva.

Gabarito: letra E

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