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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg130590
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Ginecologia e Obstetrícia
Mulher de 58 anos, menopausada há 6 anos, obesa grau I, com antecedente de dois partos vaginais instrumentais, refere perda urinária aos esforços associada, nos últimos 8 meses, a episódios de urgência miccional com perdas precedidas de forte desejo de urinar. Relata noctúria (2–3 episódios/noite) e sensação ocasional de esvaziamento vesical incompleto. Nega infecções urinárias recentes. Ao exame físico, observa-se discreto prolapso anterior (Pelvic Organ Prolapse Quantification / POP-Q estágio II), teste de esforço negativo em repouso e positivo apenas com bexiga repleta.

Foi realizada urodinâmica multicanal, que demonstrou capacidade cistométrica máxima: 420 mL; sensibilidade vesical preservada; contrações detrusoras involuntárias fásicas durante o enchimento, associadas a desejo miccional súbito; pressão de perda ao esforço (VLPP): 85 cm H₂O; fluxo máximo reduzido (Qmax 11 mL/s), com pressão detrusora normal e resíduo pós-miccional: 90 mL.


Com base nos achados clínicos e urodinâmicos, é correto afirmar que 
  1. Ao diagnóstico é de incontinência urinária de esforço pura, sendo indicada cirurgia anti-incontinência como tratamento inicial.
  2. Bo quadro é compatível com hiperatividade detrusora isolada, devendo-se excluir completamente componente esfincteriano.
  3. Ctrata-se de incontinência urinária mista, com predomínio do componente de esforço, e a urodinâmica contraindica tratamento cirúrgico.
  4. Do diagnóstico é de incontinência urinária mista, e a presença de hiperatividade detrusora não contraindica cirurgia, devendo o tratamento ser individualizado.
  5. Eos achados indicam disfunção miccional obstrutiva funcional, sendo o tratamento cirúrgico prioritário.
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GabaritoD — o diagnóstico é de incontinência urinária mista, e a presença de hiperatividade detrusora não contraindica cirurgia, devendo o tratamento ser individualizado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incontinência urinária mista: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra D. O caso combina perda urinária aos esforços (teste de esforço positivo com bexiga repleta e VLPP de 85 cm H₂O) com urgência miccional e contrações detrusoras involuntárias na urodinâmica — o que define incontinência urinária mista (IUM). A presença de hiperatividade detrusora não contraindica o tratamento cirúrgico do componente de esforço; a conduta deve ser individualizada, tratando primeiro o componente de urgência e reavaliando antes de indicar cirurgia. Essa é a orientação das diretrizes de uroginecologia (IUGA/ICS e EAU).

A incontinência urinária (IU) é definida como perda urinária involuntária, objetivamente demonstrável, que representa um problema social ou higiênico. Ela se classifica em três grandes tipos: incontinência urinária de esforço (IUE), incontinência urinária de urgência (IUU) e incontinência urinária mista (IUM). A IUE ocorre por deficiência do suporte vesical e uretral (assoalho pélvico) ou fraqueza/lesão do esfíncter uretral, levando a perdas em situações de aumento da pressão intra-abdominal (tossir, espirrar, correr, pegar peso). A IUU é consequência da hiperatividade detrusora (HD), quando o músculo detrusor apresenta contração involuntária durante o enchimento, gerando desejo súbito e imperioso de urinar. A IUM é a combinação de ambos: insuficiência de oclusão uretral associada à hiperatividade detrusora.

No caso apresentado, a paciente tem perda urinária aos esforços (sintoma de IUE) e episódios de urgência miccional com perdas precedidas de forte desejo de urinar (sintomas de IUU). A urodinâmica confirma a natureza mista: contrações detrusoras involuntárias fásicas durante o enchimento (HD) e VLPP de 85 cm H₂O, que indica componente de esforço (valores < 60 cm H₂O sugerem insuficiência esfincteriana intrínseca; valores mais altos, como 85 cm H₂O, indicam hipermobilidade uretral, mas ainda confirmam perda aos esforços). O resíduo pós-miccional de 90 mL é elevado (normal < 50 mL), o que pode indicar disfunção miccional associada, mas não muda o diagnóstico principal.

O ponto central da questão é a conduta na IUM. A presença de hiperatividade detrusora não contraindica a cirurgia anti-incontinência. A abordagem recomendada é individualizada: em geral, trata-se primeiro o componente de urgência (com anticolinérgicos, beta-3-agonistas, treinamento vesical, fisioterapia do assoalho pélvico) e, se os sintomas de esforço persistirem, a cirurgia pode ser indicada. A urodinâmica pré-operatória é útil para caracterizar os componentes, mas a HD isolada não é contraindicação cirúrgica. O que se evita é operar um paciente com HD não tratada, pois isso pode piorar a urgência ou levar a falência do tratamento.

A pegadinha da banca está em afirmar que a urodinâmica contraindica cirurgia (alternativa C) ou que o tratamento cirúrgico é prioritário (alternativa E). A alternativa D captura corretamente a nuance: o diagnóstico é misto, e a HD não contraindica cirurgia, desde que o tratamento seja individualizado. Guarde essa fronteira: IUM não é contraindicação cirúrgica; é indicação de tratamento sequencial e individualizado — é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Incontinência urinária mista (IUM)
  • 1Componentes
    • Esforço (IUE)
      • Perda aos esforços
      • VLPP 85 cm H₂O
    • Urgência (IUU)
      • Desejo súbito
      • Contração detrusora involuntária
  • 2Conduta
    • 1º tratar urgência
      • Farmacológico
      • Comportamental
    • 2º reavaliar
    • 3º cirurgia se persistir IUE
  • 3HD não contraindica cirurgia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico não é de IUE pura, pois há sintomas claros de urgência (perdas precedidas de forte desejo de urinar) e a urodinâmica demonstra contrações detrusoras involuntárias. Além disso, mesmo na IUE pura, a cirurgia não é o tratamento inicial — a primeira linha é conservadora (fisioterapia do assoalho pélvico, mudanças de estilo de vida). A alternativa erra tanto no diagnóstico quanto na conduta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O quadro não é de hiperatividade detrusora isolada: há perda urinária aos esforços com teste de esforço positivo e VLPP de 85 cm H₂O, o que comprova componente esfincteriano/uretral. A alternativa erra ao afirmar que se deve "excluir completamente" o componente esfincteriano — ele está presente e documentado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O diagnóstico de IUM está correto, mas a afirmação de que a urodinâmica contraindica tratamento cirúrgico é falsa. A hiperatividade detrusora não é contraindicação para cirurgia anti-incontinência; o que se recomenda é tratar primeiro o componente de urgência e reavaliar. A alternativa erra ao transformar a HD em contraindicação absoluta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta: o diagnóstico é de incontinência urinária mista (IUE + IUU), confirmado pela clínica e pela urodinâmica. A hiperatividade detrusora não contraindica cirurgia — o tratamento deve ser individualizado, priorizando inicialmente o componente de urgência e reavaliando a necessidade cirúrgica para o componente de esforço. É exatamente o que as diretrizes recomendam.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os achados não indicam disfunção miccional obstrutiva funcional como diagnóstico principal. Embora haja fluxo máximo reduzido (Qmax 11 mL/s) e resíduo pós-miccional elevado (90 mL), a pressão detrusora é normal, o que não caracteriza obstrução funcional. O quadro central é IUM, e o tratamento cirúrgico não é prioritário — a abordagem inicial é conservadora e individualizada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "hiperatividade detrusora" e "contraindicação cirúrgica". Na IUM, a HD não contraindica cirurgia; ela apenas orienta a sequência do tratamento — tratar a urgência primeiro e reavaliar. Cuidado com alternativas que transformam a HD em barreira absoluta à cirurgia.

PEGA ESSA DICA!

Na IUM, memorize a sequência: 1º tratar componente de urgência (farmacológico, comportamental), 2º reavaliar, 3º se persistir IUE, considerar cirurgia. A urodinâmica serve para caracterizar os componentes, não para proibir cirurgia.

Gabarito: letra D

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