Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2026
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg130625
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Física e Reabilitação
Paciente em tratamento para transtorno psiquiátrico evolui com movimentos involuntários orofaciais, de tronco e de membros, de caráter incapacitante, compatíveis com discinesias induzidas por uso crônico de antipsicóticos. Encontra-se em seguimento ambulatorial multiprofissional.Considerando o plano terapêutico global, a principal contribuição do médico fisiatra, nesse contexto, é
Aajustar a medicação antipsicótica.
Bindicar procedimentos cirúrgicos para inibir as discinesias.
Cprescrever doses elevadas de benzodiazepínicos.
Dsolicitar ao psiquiatra a suspensão da medicação.
Ecoordenar abordagem interdisciplinar com foco na mobilidade e independência funcional.
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GabaritoE — coordenar abordagem interdisciplinar com foco na mobilidade e independência funcional.
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Discinesias tardias por antipsicóticos: papel do médico fisiatra no plano terapêutico
Gabarito: letra E. A principal contribuição do médico fisiatra, nesse contexto, é coordenar abordagem interdisciplinar com foco na mobilidade e independência funcional, pois as discinesias tardias são movimentos involuntários incapacitantes que comprometem a funcionalidade, e o fisiatra é o especialista em reabilitação e funcionalidade. As demais alternativas envolvem condutas que fogem da competência do fisiatra, como ajuste de medicação (psiquiatra), procedimentos cirúrgicos (neurocirurgião) e doses elevadas de benzodiazepínicos (psiquiatra).
As discinesias tardias são um efeito adverso extrapiramidal de uso crônico de antipsicóticos, caracterizadas por movimentos involuntários repetitivos, muitas vezes orofaciais, de tronco e membros, que podem ser incapacitantes. O tratamento envolve uma abordagem multiprofissional, na qual o médico fisiatra tem papel central na reabilitação funcional, visando melhorar a mobilidade, prevenir contraturas e quedas, e promover a independência nas atividades de vida diária. O fisiatra coordena a equipe interdisciplinar (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia) para otimizar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente.
O ajuste da medicação antipsicótica é de responsabilidade do psiquiatra, que pode reduzir a dose, trocar por antipsicótico de menor risco (como clozapina ou quetiapina) ou associar medicamentos como amantadina, tetrabenazina ou clonazepam. Procedimentos cirúrgicos, como estimulação cerebral profunda, são opções para casos refratários, mas são indicados por neurocirurgiões em centros especializados, não pelo fisiatra. Benzodiazepínicos em doses elevadas não são tratamento de primeira linha para discinesias tardias e podem causar dependência e sedação, além de não serem prescritos pelo fisiatra. A suspensão da medicação antipsicótica é decisão do psiquiatra, que deve avaliar riscos e benefícios, pois a suspensão abrupta pode piorar os sintomas ou causar recaída do transtorno psiquiátrico.
A abordagem interdisciplinar coordenada pelo fisiatra é essencial para o manejo global do paciente com discinesias tardias, pois o foco na mobilidade e independência funcional é o que diferencia a atuação do fisiatra dos demais profissionais. O fisiatra avalia a capacidade funcional, prescreve órteses e adaptações, orienta exercícios terapêuticos e coordena a equipe para maximizar a funcionalidade e prevenir complicações secundárias à imobilidade.
Discinesias tardias (antipsicóticos)
1Manifestações
Movimentos orofaciais
Tronco e membros
Caráter incapacitante
2Manejo
Psiquiatra
Ajuste da medicação
Suspensão (risco de recaída)
Fisiatra
Coordena equipe interdisciplinar
Foco em mobilidade e independência
Previne contraturas e quedas
Neurocirurgião
Estimulação cerebral profunda (refratários)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Ajustar a medicação antipsicótica é atribuição do psiquiatra, que é o responsável pelo tratamento farmacológico do transtorno psiquiátrico. O fisiatra não tem competência para ajustar psicofármacos, pois isso envolve conhecimento específico de psicofarmacologia e manejo do transtorno de base.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indicar procedimentos cirúrgicos para inibir as discinesias, como estimulação cerebral profunda, é atribuição do neurocirurgião, em centros especializados, após avaliação criteriosa de casos refratários. O fisiatra não indica cirurgias, mas pode participar da reabilitação pós-operatória.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Prescrever doses elevadas de benzodiazepínicos não é conduta adequada para discinesias tardias, pois não é tratamento de primeira linha e pode causar dependência, sedação e piora da funcionalidade. Além disso, a prescrição de psicofármacos é atribuição do psiquiatra, não do fisiatra.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar ao psiquiatra a suspensão da medicação é uma conduta que pode ser discutida, mas não é a principal contribuição do fisiatra. A suspensão abrupta de antipsicóticos pode piorar as discinesias ou causar recaída do transtorno psiquiátrico, e a decisão é exclusiva do psiquiatra, que avalia riscos e benefícios.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Coordenar abordagem interdisciplinar com foco na mobilidade e independência funcional é a principal contribuição do médico fisiatra, pois as discinesias tardias comprometem a funcionalidade e o fisiatra é o especialista em reabilitação. O fisiatra coordena a equipe multiprofissional (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia) para otimizar a mobilidade, prevenir complicações e promover a independência nas atividades de vida diária.