Hidrocefalia de pressão normal: achados na tomografia computadorizada
Gabarito: letra D. Na hidrocefalia de pressão normal (HPN), a TC de encéfalo demonstra dilatação ventricular desproporcional ao grau de atrofia cortical, sem efeito de massa — e, como consequência da expansão ventricular, há dilatação das cisternas cerebrais (cisternas da base e convexidade), que é o achado esperado entre as opções. As demais alternativas descrevem alterações que não fazem parte do padrão típico da HPN.
A hidrocefalia de pressão normal é uma síndrome clínica caracterizada pela tríade clássica de distúrbio da marcha (marcha magnética, com pés "grudados" ao chão), demência subcortical e incontinência urinária. O mecanismo fisiopatológico envolve comprometimento da hidrodinâmica do líquido cefalorraquidiano (LCR), com redução da reabsorção liquórica, levando ao acúmulo de LCR no sistema ventricular. O ponto-chave é que, apesar do nome "pressão normal", a pressão do LCR pode estar no limite superior da normalidade ou apresentar ondas de pressão intermitentes — mas o dano estrutural já está instalado.
Na neuroimagem, o achado fundamental é a dilatação ventricular (ventriculomegalia) desproporcional à atrofia cortical. Isso significa que os ventrículos laterais, terceiro e quarto ventrículos estão aumentados, mas os sulcos corticais não apresentam alargamento proporcional — ao contrário do que ocorre na atrofia cerebral pura (como na doença de Alzheimer), em que há alargamento de sulcos e fissuras junto com aumento ventricular. Essa desproporção é o critério radiológico que ajuda a diferenciar a HPN de outras causas de demência.
Como consequência do aumento ventricular, as cisternas cerebrais (cisternas da base, cisterna magna, cisternas da convexidade) tendem a se dilatar, pois o espaço subaracnóideo acompanha a expansão do sistema ventricular. Esse é um achado esperado e compatível com o diagnóstico. A dilatação das cisternas, portanto, é a alternativa correta.
Vale destacar que a HPN é uma das poucas causas potencialmente reversíveis de demência — daí a importância do diagnóstico precoce. O tratamento definitivo é a derivação ventriculoperitoneal, e a resposta clínica à retirada de 30 a 40 mL de LCR por punção lombar (melhora da marcha e do estado de alerta em minutos a horas) é o melhor preditor de sucesso cirúrgico.
A pegadinha central desta questão está em associar a HPN a achados de atrofia cortical ou efeito de massa — que são típicos de outras condições (doença de Alzheimer, tumores, hematomas). Na HPN, o processo é de dilatação ventricular sem hipertensão intracraniana franca, e é exatamente essa combinação que define o padrão tomográfico. Guarde a tríade: ventriculomegalia desproporcional + cisternas dilatadas + ausência de efeito de massa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A redução das circunvoluções cerebrais (sulcos alargados, giros atróficos) é o achado típico de atrofia cortical, como na doença de Alzheimer e outras demências degenerativas. Na HPN, a atrofia cortical é discreta ou ausente — o achado marcante é a dilatação ventricular desproporcional. A banca explora a confusão entre HPN e demência degenerativa: ambas cursam com declínio cognitivo, mas a neuroimagem as distingue.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O aumento da densidade do córtex motor não é um achado descrito na HPN nem em qualquer condição demencial típica. Alterações de densidade cortical na TC podem ocorrer em calcificações, hemorragias ou tumores, mas não fazem parte do espectro da hidrocefalia de pressão normal. A densidade do parênquima cerebral permanece normal na HPN.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O aumento do volume da base do cérebro não corresponde a nenhum achado da HPN. Na verdade, o que aumenta é o volume ventricular (ventriculomegalia), e não a base do cérebro. A banca tenta confundir com a dilatação das cisternas da base, mas o aumento de volume da base encefálica não é um conceito radiológico válido para essa condição.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dilatação das cisternas cerebrais é um achado esperado na HPN. O aumento ventricular comprime o parênquima e desloca o LCR para o espaço subaracnóideo, resultando em alargamento das cisternas da base e da convexidade. Esse achado, combinado com a ventriculomegalia desproporcional à atrofia cortical, compõe o padrão tomográfico clássico da doença. É a única alternativa que descreve corretamente uma alteração presente na HPN.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O efeito de massa intracraniano (desvio de estruturas da linha média, apagamento de sulcos, herniação) é típico de lesões expansivas — tumores, hematomas, abscessos. Na HPN, não há efeito de massa: a pressão intracraniana está normal ou discretamente elevada, e o processo é difuso (dilatação ventricular), sem deslocamento de estruturas. A presença de efeito de massa afastaria o diagnóstico de HPN.
Gabarito: letra D.