Durante a avaliação ambulatorial, um paciente idoso apresenta queixa de dificuldade progressiva para caminhar, com instabilidade postural, associada a alterações cognitivas de intensidade variável. Não há relato de cefaleia intensa nem sinais focais neurológicos agudos.Considerando os achados clínicos clássicos, o seguinte sinal leva o médico fisiatra a suspeitar de hidrocefalia de pressão normal (HPN):
Atontura associada a náuseas.
Bdistúrbio postural com perda cognitiva variável.
Ccefaleia incoercível associada a delírio.
Dafasia motora associada a disfagia.
Ehemiplegia de instalação súbita.
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GabaritoB — distúrbio postural com perda cognitiva variável.
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Hidrocefalia de pressão normal (HPN): tríade clássica e diagnóstico
Gabarito: letra B. O quadro descrito — dificuldade progressiva para caminhar com instabilidade postural, associada a alterações cognitivas de intensidade variável, sem cefaleia intensa nem sinais focais agudos — é a apresentação clássica da hidrocefalia de pressão normal (HPN), cuja tríade característica (tríade de Hakim-Adams) é composta por apraxia da marcha, incontinência urinária e demência. A alternativa B, ao mencionar "distúrbio postural com perda cognitiva variável", espelha exatamente os dois componentes centrais dessa tríade presentes no enunciado: a alteração da marcha/postura e o comprometimento cognitivo. As demais alternativas descrevem quadros que não correspondem à HPN, como cefaleia intensa (mais típica de hipertensão intracraniana), afasia/disfagia (sugerindo lesão focal) ou hemiplegia súbita (AVC).
A hidrocefalia de pressão normal é uma entidade clássica da neurologia, caracterizada pela tríade de Hakim-Adams: apraxia da marcha, incontinência urinária e demência. Essa tríade não é específica da HPN, sendo comumente encontrada em diversas demências não Alzheimer (demências subcorticais), as quais também costumam cursar precocemente com apraxia de marcha e incontinência tipo urgência, sendo a mais comum delas a demência microvascular. O diagnóstico é essencialmente clínico, com confirmação por neuroimagem (TC ou RM) que revela aumento ventricular desproporcional ao grau de atrofia cortical, e o teste mais importante é a resposta clínica à remoção de grandes volumes de líquido cefalorraquidiano (LCS) por punções lombares seriadas ou dreno lombar temporário, com melhora da marcha e do estado de alerta minutos a horas após o procedimento.
Na prática, o paciente com HPN apresenta marcha com base alargada, passos curtos e pés "grudados ao chão", sem levantar os joelhos, além de instabilidade postural e quedas frequentes. O comprometimento cognitivo é tipicamente subcortical, com apatia, lentificação psicomotora e déficit de atenção e função executiva, de intensidade variável. A incontinência urinária, quando presente, costuma ser do tipo urgência. É importante destacar que a HPN é uma das poucas causas potencialmente reversíveis de demência, o que torna seu reconhecimento fundamental, especialmente em idosos.
A banca explora a associação automática entre sintomas neurológicos e quadros mais comuns, como AVC ou demência degenerativa. A pegadinha está em reconhecer que a combinação de distúrbio de marcha + alteração cognitiva progressiva, sem sinais focais agudos e sem cefaleia intensa, aponta para a HPN, e não para outras condições. A alternativa B é a única que reúne os dois elementos centrais da tríade, enquanto as demais descrevem quadros que não se encaixam na apresentação clássica da doença.
Hidrocefalia de pressão normal (HPN)
1Tríade de Hakim-Adams
Apraxia da marcha
Incontinência urinária
Demência
2Diagnóstico
Clínico
Neuroimagem (ventrículos aumentados)
Teste: remoção de LCS
Melhora da marcha
3Características
Marcha com base alargada
Passos curtos
Instabilidade postural
Cognição subcortical
4Causa reversível de demência
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A tontura associada a náuseas é um sintoma inespecífico, frequentemente relacionado a disfunções vestibulares, hipotensão ortostática ou efeitos colaterais de medicamentos, mas não faz parte da tríade clássica da HPN. A HPN não cursa com náuseas, que são mais típicas de hipertensão intracraniana aguda ou de crises vestibulares. A banca incluiu essa alternativa para testar se o candidato confunde sintomas gerais do idoso com os sinais específicos da doença.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve "distúrbio postural com perda cognitiva variável", que corresponde diretamente a dois dos três componentes da tríade de Hakim-Adams: a apraxia da marcha (manifestada como instabilidade postural e dificuldade para caminhar) e a demência (alterações cognitivas de intensidade variável). O enunciado reforça a ausência de cefaleia intensa e de sinais focais agudos, o que afasta outras causas e direciona o diagnóstico para a HPN. É a única alternativa que espelha a apresentação clássica da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cefaleia incoercível associada a delírio sugere hipertensão intracraniana aguda (como tumores, hemorragia ou hidrocefalia obstrutiva aguda), não a HPN. Na HPN, a pressão do LCS é normal em repouso, e a cefaleia intensa não faz parte do quadro. O delírio também não é característico; o comprometimento cognitivo na HPN é crônico e progressivo, não agudo. Essa alternativa mistura sinais de alarme que exigem investigação imediata, mas que não correspondem à doença em questão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afasia motora associada a disfagia sugere lesão focal em áreas específicas do cérebro, como o hemisfério dominante (afasia de Broca) e o tronco encefálico (disfagia). Esses sinais focais não fazem parte da tríade da HPN, que se manifesta de forma difusa e simétrica. A presença de sinais focais no enunciado é explicitamente negada ("não há sinais focais neurológicos agudos"), o que torna essa alternativa claramente incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hemiplegia de instalação súbita é a apresentação clássica do acidente vascular cerebral (AVC), seja isquêmico ou hemorrágico. O início súbito e o déficit motor focal contrastam com a evolução progressiva e a ausência de sinais focais descritas no enunciado. A HPN tem início insidioso e progressivo, ao longo de semanas a meses, sem déficits focais agudos. Essa alternativa testa se o candidato reconhece a diferença entre um quadro vascular agudo e uma doença neurodegenerativa/ hidrodinâmica crônica.