Paciente adulto é admitido após trauma raquimedular, evoluindo com paralisia flácida, arreflexia e perda sensitivo-motora abaixo do nível da lesão, quadro compatível com choque medular. Durante a evolução clínica, realiza-se acompanhamento neurológico seriado para identificação do término dessa fase aguda.No exame físico, o seguinte achado define o término da fase de choque medular:
Aausência de contração muscular com força muscular maior que 3 abaixo do nível da lesão.
Bausência de sensibilidade tátil abaixo do nível da lesão.
Cpresença do reflexo bulbocavernoso ou cremastérico.
Dausência de reflexos tendinosos profundos.
Eausência de sensibilidade dolorosa abaixo do nível da lesão.
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GabaritoC — presença do reflexo bulbocavernoso ou cremastérico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Choque medular: definição do término da fase aguda
Gabarito: letra C. O término do choque medular é definido pelo retorno dos reflexos espinais abaixo do nível da lesão, sendo o reflexo bulbocavernoso (ou cremastérico) o primeiro a reaparecer — é o marcador clínico que indica o fim da fase de arreflexia e permite a avaliação prognóstica definitiva da lesão. O conceito é consenso na literatura de trauma raquimedular e está diretamente ligado à fisiopatologia do choque medular.
O choque medular é um estado de paralisia flácida transitória que ocorre após lesão aguda da medula espinhal, caracterizado por perda temporária de toda a atividade reflexa abaixo do nível da lesão. Durante essa fase, o exame neurológico revela arreflexia, flacidez e perda sensitivo-motora completa — o que impede determinar se a lesão é completa ou incompleta, pois a ausência de reflexos não permite avaliar a integridade das vias sacrais. É fundamental distinguir o choque medular do choque neurogênico: o primeiro é um fenômeno neurológico (perda de reflexos), enquanto o segundo é um fenômeno hemodinâmico (vasodilatação, hipotensão e bradicardia por interrupção do tônus simpático).
A duração do choque medular varia de dias a semanas, e o término é marcado pelo retorno dos reflexos espinais, que ocorre de forma gradual e ascendente. O primeiro reflexo a retornar é tipicamente o bulbocavernoso — testado pela contração do esfíncter anal em resposta à estimulação da glande ou do clitóris — seguido pelo reflexo cremastérico e, posteriormente, pelos reflexos tendinosos profundos. A importância clínica desse marco é enorme: somente após o retorno dos reflexos é possível realizar a avaliação prognóstica definitiva, verificando se há poupança sacral (sensibilidade perianal e contração anal voluntária), o que classifica a lesão como incompleta (Frankel B–D) ou completa (Frankel A).
Na prática, o acompanhamento neurológico seriado busca exatamente esse ponto de virada. O exame retal e a presença do reflexo bulbocavernoso são essenciais nesse diagnóstico: enquanto o reflexo estiver ausente, o paciente permanece em choque medular e a avaliação prognóstica fica suspensa. Uma vez que o reflexo retorna, o exame neurológico completo — incluindo a escala ASIA e a classificação de Frankel — pode ser realizado com acurácia. A pegadinha da banca está em associar o término do choque medular à recuperação da função sensitiva ou motora, quando na verdade o que define o fim é a recuperação da atividade reflexa, que precede qualquer retorno de sensibilidade ou força muscular.
Guarde o critério decisivo: choque medular termina quando os reflexos espinais retornam — não quando a sensibilidade ou a motricidade reaparecem. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
1Trauma raquimedular
2Choque medular (arreflexia)
3Retorno do reflexo bulbocavernoso
4Fim do choque medular
5Avaliação ASIA/Frankel
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a ausência de contração muscular com força maior que 3 define o término do choque medular. Isso é um contrassenso: durante o choque medular há paralisia flácida completa, e a recuperação da força muscular é um processo tardio que ocorre após o retorno dos reflexos. A força muscular > 3 (na escala MRC) indica função motora útil, o que só é avaliado de forma confiável depois que o choque medular já terminou — não é o marcador do término.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ausência de sensibilidade tátil abaixo do nível da lesão é uma característica da fase de choque medular, não do seu término. Durante o choque, há perda sensitiva completa; o retorno da sensibilidade é um evento posterior e gradual, que não define o fim da fase aguda. O marcador é reflexo, não sensibilidade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença do reflexo bulbocavernoso (ou cremastérico) é o achado que define o término do choque medular. O retorno desses reflexos indica a recuperação da atividade reflexa espinal abaixo do nível da lesão, encerrando a fase de arreflexia. A partir desse momento, a avaliação prognóstica (ASIA/Frankel) torna-se confiável, podendo-se determinar se a lesão é completa ou incompleta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ausência de reflexos tendinosos profundos é uma característica do choque medular (arreflexia), não do seu término. O retorno dos reflexos tendinosos profundos ocorre depois do retorno dos reflexos bulbocavernoso e cremastérico — ou seja, a ausência deles indica que o paciente ainda está em choque medular, e a presença deles seria um sinal de término, mas a alternativa afirma o contrário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ausência de sensibilidade dolorosa abaixo do nível da lesão também é uma manifestação da fase de choque medular, não do seu fim. A recuperação da sensibilidade álgica é um processo posterior e não serve como marcador do término da fase aguda. O critério é sempre o retorno dos reflexos espinais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o que é característica do choque medular (arreflexia, perda sensitivo-motora) e o que define seu término. O candidato que associa o fim da fase à recuperação de sensibilidade ou força muscular erra — o marco é o retorno dos reflexos espinais, especialmente o bulbocavernoso. Com treino, você identifica essa troca de imediato 💪
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se da sequência: choque medular → arreflexia → retorno do reflexo bulbocavernoso → fim do choque → avaliação prognóstica (ASIA/Frankel). O reflexo bulbocavernoso é o primeiro a retornar e o mais precoce marcador do término.