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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026

MedicinaNeurologia
Código
fg130645
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Física e Reabilitação
Mulher de 40 anos apresenta quadro de dor musculoesquelética difusa, referindo, entretanto, dor intensa localizada em região de trapézio direito, com irradiação para o ombro ipsilateral. Ao exame físico, não há sinais neurológicos associados.Considerando o diagnóstico diferencial entre síndromes dolorosas musculoesqueléticas, o seguinte achado clínico sugere síndrome miofascial:
  1. Afadiga.
  2. Bidentificação de ponto gatilho no trapézio.
  3. Csintomas há mais de três meses.
  4. Dquadro depressivo.
  5. Equeixa de insônia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — identificação de ponto gatilho no trapézio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome miofascial: o ponto-gatilho como achado-chave

Gabarito: letra B. O diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial (SDM) se sustenta na identificação do ponto-gatilho (PG) — um nódulo palpável em banda muscular tensa que, à compressão, reproduz a dor referida do paciente. No caso, a dor localizada no trapézio direito com irradiação para o ombro ipsilateral é o padrão típico de dor referida de um PG nesse músculo, e a ausência de sinais neurológicos afasta outras causas. Os demais achados (fadiga, cronificação, depressão, insônia) são inespecíficos e comuns a várias síndromes dolorosas, não sendo diagnósticos de SDM.

A síndrome dolorosa miofascial é uma condição caracterizada pela presença de pontos-gatilho em músculos, que são bandas tensas e palpáveis, dolorosas à compressão, capazes de gerar dor referida em áreas distantes do ponto comprimido. O mecanismo envolve isquemia por contração sustentada, liberação de substâncias pró-inflamatórias (bradicinina, histamina, substância P) e irritação das terminações nervosas sensitivas, com manutenção da atividade da placa motora. Essa dor tem ritmo mecânico: piora ao movimento ou em posturas prolongadas e alivia com o repouso. No exame físico, o passo fundamental é a palpação do músculo suspeito, identificando a banda tensa e, dentro dela, o ponto mais doloroso que reproduz a dor usual do paciente — é exatamente isso que o enunciado descreve ao localizar a dor no trapézio com irradiação para o ombro.

O diagnóstico diferencial das dores musculoesqueléticas é amplo, e a SDM se distingue por características específicas. Diferentemente das dores bem localizadas (que sugerem acometimento de tendões, bursas, ligamentos ou estruturas articulares), a dor miofascial costuma ser mal localizada, difusa, e não respeita território de nervo ou raiz nervosa — ela segue o padrão de dor referida dos pontos-gatilho. No ombro, os músculos mais acometidos são o trapézio superior (58%) e o infraespinal (77%), e a disfunção miofascial desses músculos é causa frequente de dor na região cervical posterior, na cintura escapular e na região posterior do ombro. A localização da dor no trapézio com irradiação para o ombro é, portanto, um forte indicativo de origem miofascial.

A banca explora aqui a diferença entre o que é específico da SDM e o que é inespecífico de qualquer síndrome dolorosa crônica. Fadiga, sintomas há mais de três meses, quadro depressivo e insônia são comorbidades frequentes em pacientes com dor crônica, mas não são achados que permitam diferenciar a SDM de outras condições — eles podem estar presentes na fibromialgia, na dor crônica generalizada, na depressão com somatização, entre outras. O ponto-gatilho, por outro lado, é o achado semiológico que define a síndrome miofascial: sem ele, o diagnóstico não se sustenta. É esse o critério que separa as alternativas: a única que traz um achado específico e diagnóstico da SDM é a identificação do ponto-gatilho no trapézio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato oferecendo sintomas associados à dor crônica (fadiga, depressão, insônia, tempo de evolução) como se fossem diagnósticos de SDM. Esses são achados inespecíficos, presentes em diversas síndromes dolorosas. O que define a SDM é o ponto-gatilho — a banda tensa palpável que reproduz a dor referida à compressão. Guarde: sem ponto-gatilho, não há síndrome miofascial.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A fadiga é um sintoma inespecífico, presente em inúmeras condições — fibromialgia, depressão, anemia, hipotireoidismo, síndrome da fadiga crônica — e não é um achado que caracterize a síndrome miofascial. Embora possa coexistir com a SDM, especialmente em quadros crônicos, ela não tem valor diagnóstico específico para essa condição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A identificação de ponto gatilho no trapézio é o achado clínico que define a síndrome dolorosa miofascial. O ponto-gatilho é uma banda tensa e palpável no músculo que, à compressão, reproduz a dor referida do paciente — exatamente o padrão descrito no enunciado: dor no trapézio direito com irradiação para o ombro ipsilateral. A palpação do PG deve lembrar ao paciente a qualidade e a distribuição da dor usual, o que confirma o diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sintomas há mais de três meses indicam cronificação da dor, mas não são específicos da SDM. A dor crônica musculoesquelética é definida pela persistência do desconforto por mais de três meses, independentemente da causa — pode ser miofascial, fibromiálgica, degenerativa, inflamatória, entre outras. O tempo de evolução não diferencia a síndrome miofascial de outras condições dolorosas crônicas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O quadro depressivo é uma comorbidade frequente em pacientes com dor crônica, mas não é um achado diagnóstico de SDM. A depressão pode estar presente em qualquer síndrome dolorosa crônica e, inclusive, contribuir para a perpetuação da dor por mecanismos de disfunção autonômica e aumento do tônus simpático. No entanto, não é um sinal específico da síndrome miofascial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insônia é outro sintoma inespecífico, comum em pacientes com dor crônica de qualquer etiologia. O sono prejudicado pode ser consequência da dor ou estar associado a comorbidades psiquiátricas, mas não é um achado que permita diagnosticar a síndrome miofascial. A presença de insônia isoladamente não diferencia a SDM de outras síndromes dolorosas.

Gabarito: letra B — a identificação do ponto-gatilho no trapézio é o achado clínico específico que sugere síndrome dolorosa miofascial, pois reproduz a dor referida característica da condição.

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