Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026
- Código
- fg130646
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Medicina Física e Reabilitação
- Adiplegia espástica.
- Bdiscinética.
- Catáxica.
- Dhipotônica.
- Ecoreoatetose.
GabaritoA — diplegia espástica.
Gabarito: letra A. O quadro — atraso motor, hipertonia espástica em membros inferiores e sinal de Babinski bilateral, sem regressão do desenvolvimento — é a apresentação clássica da diplegia espástica, a forma mais comum de paralisia cerebral, que acomete predominantemente os membros inferiores. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade: lesão cerebral não progressiva, distúrbio do movimento e da postura, e início na primeira infância.
A paralisia cerebral (PC) é um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do movimento e da postura, atribuídas a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento. A classificação mais utilizada na prática clínica é a topográfica, que divide a PC conforme a distribuição do comprometimento motor. A forma espástica é a mais prevalente (cerca de 70-80% dos casos) e caracteriza-se por hipertonia do tipo espástica (aumento do tônus que piora com o movimento rápido, sinal do canivete), hiperreflexia e sinal de Babinski. Dentro da forma espástica, a diplegia é o subtipo mais comum, especialmente em prematuros, e acomete principalmente os membros inferiores, com os superiores relativamente preservados. O parto distócico é um fator de risco relevante, pois pode levar a eventos hipóxico-isquêmicos perinatais, que são a principal causa de PC espástica.
A ausência de perda de habilidades previamente adquiridas é um dado crucial: diferencia a PC (lesão estática, não progressiva) das doenças neurodegenerativas ou metabólicas progressivas, que cursam com regressão do desenvolvimento. O sinal de Babinski bilateral em uma criança de 2 anos é patológico, pois o reflexo normalmente desaparece por volta do 4º ao 6º mês de vida, indicando lesão do trato corticoespinhal. A combinação de espasticidade em MMII + Babinski bilateral + atraso motor + fator de risco perinatal aponta diretamente para a diplegia espástica.
Para fixar a correlação clínica, é útil comparar as principais formas topográficas:
Forma | Distribuição | Tônus | Sinais típicos |
|---|---|---|---|
Diplegia espástica | Predomínio em MMII | Espástico | Babinski bilateral, marcha em tesoura, equino |
Hemiplegia espástica | Um hemicorpo | Espástico | Assimetria, membro superior mais afetado |
Tetraplegia espástica | Quatro membros | Espástico | Comprometimento global, frequentemente associado a déficits cognitivos |
Discinética | Generalizada | Flutuante (distonia, atetose) | Movimentos involuntários, piora com estresse |
Atáxica | Tronco e membros | Hipotônico | Ataxia, dismetria, tremor |
A pegadinha da questão está em associar o parto distócico a uma forma específica. Embora a asfixia perinatal possa causar vários tipos de PC, a diplegia espástica é a mais característica, especialmente quando o quadro é de espasticidade em MMII com Babinski bilateral. As formas discinética e atáxica têm apresentações clínicas distintas, e a hipotônica não é uma classificação topográfica clássica da PC (é mais um sinal clínico).
A banca explora a associação automática entre parto distócico e paralisia cerebral, mas o que define o subtipo é a distribuição do comprometimento motor, não o fator de risco. O candidato que decora apenas "parto distócico = PC" pode cair na armadilha de escolher uma forma menos específica. Aqui, o dado decisivo é a espasticidade em MMII com Babinski bilateral, que é a assinatura clínica da diplegia espástica.
A diplegia espástica é a forma mais compatível. O quadro clínico é típico: atraso no desenvolvimento motor, aumento do tônus (espasticidade) em membros inferiores e sinal de Babinski bilateral, indicando lesão do trato corticoespinhal. A ausência de perda de habilidades confirma o caráter não progressivo da lesão, característico da PC. O parto distócico é um fator de risco que se associa frequentemente a essa forma, especialmente em prematuros.
A forma discinética caracteriza-se por movimentos involuntários (distonia, atetose, coreia) e flutuação do tônus, não por espasticidade fixa em MMII. O Babinski bilateral não é o achado predominante. A discinesia costuma estar associada a lesões dos gânglios da base, frequentemente por icterícia neonatal (kernicterus), não ao padrão descrito.
A forma atáxica apresenta hipotonia, ataxia, dismetria e tremor, com comprometimento do equilíbrio e da coordenação. Não há espasticidade nem sinal de Babinski como achados centrais. A ataxia reflete lesão cerebelar, que não é o padrão do caso.
A hipotônica não é uma classificação topográfica clássica da PC. A hipotonia pode ser um sinal inicial em algumas formas, mas o quadro descrito é de hipertonia espástica, o que exclui essa alternativa. A hipotonia é mais comum em outras condições, como doenças neuromusculares ou síndromes genéticas.
A coreoatetose é uma manifestação da forma discinética, caracterizada por movimentos involuntários (coreia e atetose). Não se encaixa no quadro de espasticidade em MMII com Babinski bilateral. A coreoatetose está mais associada a lesões dos gânglios da base, como no kernicterus.
Gabarito: letra A — diplegia espástica, pela correlação clássica entre espasticidade em MMII, Babinski bilateral e atraso motor sem regressão.
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