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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2026

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
fg130652
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Física e Reabilitação
Paciente do sexo feminino, 52 anos, apresenta dor lombar há mais de 8 meses, de caráter contínuo, intensidade moderada a intensa, associada a fadiga, distúrbio do sono e redução progressiva da capacidade funcional. Já realizou exames de imagem, sem achados estruturais significativos. Refere afastamento de atividades laborais e sociais, além de medo de piora da dor com o movimento. Encontra-se em seguimento ambulatorial multiprofissional.


Caso seja diagnosticada dor crônica, não se deve recomendar de forma alguma
  1. Arepouso prolongado.
  2. Bmedicação miorrelaxante.
  3. Canti-inflamatórios não esteroides por via parenteral.
  4. Dopioides de alta potência.
  5. Eintervenções diretas nas terminações nervosas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — repouso prolongado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dor lombar crônica: manejo e condutas a evitar

Gabarito: letra A. Em dor lombar crônica, o repouso prolongado é a conduta que não deve ser recomendada de forma alguma, pois contraria as diretrizes atuais de manejo, que preconizam a manutenção de atividades e o movimento precoce. As demais alternativas (miorrelaxantes, AINEs parenterais, opioides de alta potência e intervenções em terminações nervosas) podem ser consideradas em situações específicas, embora com cautela e avaliação individualizada.

A dor lombar crônica é definida como dor na região lombar que persiste por mais de 12 semanas. O caso descrito — dor há mais de 8 meses, contínua, moderada a intensa, com fadiga, distúrbio do sono, redução funcional, afastamento laboral e social, e medo de piora com o movimento — é um exemplo clássico de dor crônica com componentes biopsicossociais significativos. O medo de movimento (cinesiofobia) e a catastrofização são fatores de risco para cronificação e incapacidade, e a abordagem deve ser multiprofissional, incluindo educação, exercícios e terapia cognitivo-comportamental.

A recomendação de repouso prolongado no leito é uma prática ultrapassada e prejudicial. Estudos mostram que o repouso prolongado piora o prognóstico, aumenta a incapacidade, prolonga o afastamento do trabalho e contribui para o descondicionamento físico. As diretrizes atuais recomendam que os pacientes permaneçam ativos, retomando as atividades gradualmente, mesmo com dor, pois o movimento é essencial para a recuperação funcional e para evitar a cronificação.

O tratamento da dor lombar crônica deve ser multimodal e individualizado. As opções farmacológicas incluem analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), miorrelaxantes e, em casos selecionados, opioides de baixa potência ou adjuvantes como antidepressivos e anticonvulsivantes. Intervenções como bloqueios nervosos e procedimentos intervencionistas podem ser consideradas em casos refratários, mas sempre dentro de um plano terapêutico abrangente. A escolha da via de administração (oral, tópica, parenteral) depende da intensidade da dor, da resposta ao tratamento e das comorbidades do paciente.

A pegadinha desta questão está em associar o repouso prolongado a uma conduta benéfica, quando na verdade é a única opção que deve ser evitada no manejo da dor crônica. As demais alternativas, embora possam não ser a primeira escolha ou exijam cautela, não são absolutamente contraindicadas e podem ser utilizadas em contextos específicos.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O repouso prolongado é a conduta que não deve ser recomendada de forma alguma em dor lombar crônica. As diretrizes atuais de manejo da dor crônica preconizam a manutenção de atividades e o movimento precoce, pois o repouso prolongado piora o prognóstico, aumenta a incapacidade, prolonga o afastamento do trabalho e contribui para o descondicionamento físico. O caso descrito, com medo de piora com o movimento (cinesiofobia), reforça a importância de orientar o paciente a permanecer ativo, retomando as atividades gradualmente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A medicação miorrelaxante pode ser recomendada em casos de dor lombar crônica, especialmente quando há espasmo muscular associado. Embora o uso deva ser criterioso e por tempo limitado, não é uma conduta absolutamente contraindicada. O erro da alternativa está em afirmar que não se deve recomendar de forma alguma, o que é falso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) por via parenteral podem ser utilizados em casos de dor lombar crônica, especialmente em situações de dor intensa ou quando a via oral não é adequada. Embora o uso prolongado deva ser evitado devido aos riscos gastrointestinais e renais, não é uma conduta absolutamente contraindicada. O erro da alternativa está em generalizar a contraindicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os opioides de alta potência podem ser considerados em casos de dor lombar crônica refratária a outras terapias, embora com extrema cautela devido ao risco de dependência, tolerância e efeitos adversos. Não é uma conduta absolutamente contraindicada, mas deve ser reservada para situações específicas e com acompanhamento rigoroso. O erro da alternativa está em afirmar que não se deve recomendar de forma alguma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As intervenções diretas nas terminações nervosas, como bloqueios nervosos e procedimentos intervencionistas, podem ser consideradas em casos de dor lombar crônica refratária, como parte de um plano terapêutico multimodal. Embora não sejam a primeira linha de tratamento, não são absolutamente contraindicadas. O erro da alternativa está em generalizar a contraindicação.

Gabarito: letra A — a única conduta que não deve ser recomendada de forma alguma é o repouso prolongado.

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