Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
fg130654
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Intensiva
Homem de 30 anos, natural de Singapura, procura o pronto-socorro com queixa de fraqueza muscular bilateral, súbita, principalmente nos membros inferiores, iniciada ao acordar, com dificuldade para deambular. Refere episódio semelhante há cerca de 3 meses, com melhora espontânea após algumas horas e COVID há aproximadamente uma semana. Na noite anterior, participou de confraternização com ingestão exagerada de arroz, massas e bebidas açucaradas.Ao exame físico: FC: 124 bpm, PA: 128/72 mmHg, força muscular: 2/5 em membros inferiores e 4/5 em membros superiores, Reflexos profundos diminuídos, Sensibilidade preservada, ECG: taquicardia sinusal com ondas U, Laboratório: Sódio 138 mEq/L, Potássio: 2,1 mEq/L, TSH suprimido, T4 livre elevado.O diagnóstico mais provável é
  1. Asíndrome de Guillain-Barré pós-infecciosa.
  2. Bparalisia periódica familiar hipocalêmica.
  3. Cmiopatia inflamatória associada ao hipertireoidismo.
  4. Dparalisia periódica hipocalêmica tireotóxica.
  5. Erabdomiólise.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica: diagnóstico diferencial de fraqueza muscular aguda

Gabarito: letra D. O quadro — fraqueza muscular flácida e simétrica de início súbito ao acordar, hipopotassemia grave (K 2,1 mEq/L), ondas U no ECG, TSH suprimido com T4 livre elevado e gatilho por refeição rica em carboidratos — é a apresentação clássica da paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica (PPHT), que associa a paralisia periódica hipocalêmica ao estado de tireotoxicose. A alternativa B (paralisia periódica familiar hipocalêmica) é o principal distrator, pois compartilha a tríade clínico-laboratorial, mas não explica o hipertireoidismo evidenciado pelos hormônios tireoidianos.

A fraqueza muscular aguda e bilateral tem um leque amplo de causas, e o raciocínio clínico exige integrar a apresentação clínica com os dados laboratoriais. O ponto central é reconhecer que a hipopotassemia grave (K 2,1 mEq/L) com fraqueza flácida, reflexos diminuídos e ondas U no ECG aponta para um distúrbio eletrolítico como causa da fraqueza — e não para uma doença neuromuscular primária. A paralisia periódica hipocalêmica (PPH) é uma canalopatia que causa episódios transitórios de fraqueza flácida, precipitados por fatores como refeições ricas em carboidratos (que estimulam a liberação de insulina, promovendo influxo de potássio para o interior das células) e estresse. O que diferencia a forma tireotóxica da forma familiar é a presença de hipertireoidismo: o excesso de hormônios tireoidianos aumenta a atividade da bomba Na⁺/K⁺-ATPase, intensificando o deslocamento de potássio para o intracelular e, assim, precipitando os episódios de hipopotassemia e paralisia.

O diagnóstico de PPHT é firmado pela combinação de: (1) quadro clínico compatível com paralisia periódica hipocalêmica; (2) hipopotassemia documentada; (3) evidência laboratorial de tireotoxicose (TSH suprimido e T4 livre elevado). A origem asiática do paciente (Singapura) é um dado epidemiológico relevante, pois a PPHT é mais prevalente em homens jovens de ascendência asiática. O gatilho alimentar (ingestão exagerada de carboidratos) e o episódio prévio semelhante com melhora espontânea reforçam o diagnóstico. A COVID recente pode ser um fator precipitante adicional, mas não é o mecanismo central.

A distinção crucial é entre a PPHT e a paralisia periódica familiar hipocalêmica (alternativa B). Ambas cursam com hipopotassemia e paralisia flácida, mas a forma familiar é uma doença genética autossômica dominante, sem tireotoxicose, e o TSH seria normal. A presença de TSH suprimido e T4 livre elevado é o dado que separa as duas entidades. A síndrome de Guillain-Barré (alternativa A) é uma polineuropatia desmielinizante que geralmente cursa com fraqueza ascendente, arreflexia e dissociação albumino-citológica no LCR, mas não causa hipopotassemia nem ondas U. A miopatia inflamatória associada ao hipertireoidismo (alternativa C) é uma entidade rara, com fraqueza proximal e elevação de enzimas musculares, mas não se apresenta com episódios paroxísticos de paralisia flácida e hipopotassemia grave. A rabdomiólise (alternativa E) cursa com dor muscular, elevação importante de CK e mioglobinúria, além de hiperpotassemia — não hipopotassemia.

A pegadinha da banca está em oferecer a paralisia periódica familiar hipocalêmica (alternativa B) como distrator, pois o candidato que reconhece a hipopotassemia e a paralisia pode marcar essa opção sem perceber que o TSH suprimido e o T4 livre elevado indicam tireotoxicose — o que muda o diagnóstico para a forma tireotóxica. O gatilho para a resposta é sempre verificar a função tireoidiana em todo paciente com paralisia periódica hipocalêmica, especialmente em homens jovens asiáticos.

Critério

Paralisia Periódica Hipocalêmica Tireotóxica (PPHT)

Paralisia Periódica Familiar Hipocalêmica

Função tireoidiana

TSH suprimido, T4 livre elevado (tireotoxicose)

TSH e T4 normais (eutireoidismo)

Mecanismo

Aumento da atividade da Na⁺/K⁺-ATPase pelo excesso de hormônios tireoidianos

Canalopatia genética (autossômica dominante)

Epidemiologia

Mais comum em homens jovens de ascendência asiática

Pode ocorrer em qualquer etnia, com herança familiar

Tratamento definitivo

Controle da tireotoxicose (betabloqueador, antitireoidiano)

Evitar gatilhos, suplementação de potássio, acetazolamida

1Forma familiar (genética)
Sem tireotoxicose
TSH normal
2Forma tireotóxica (PPHT)
TSH suprimido
T4 livre elevado
Homem jovem asiático
3Gatilhos
Refeição rica em carboidratos
Estresse
Infecção (COVID)
4Mecanismo
Atividade aumentada da Na⁺/K⁺-ATPase
Influxo de K⁺ para o intracelular
Paralisia periódica hipocalêmica
LEVELsoulevel.com.br
Paralisia periódica hipocalêmica: Forma familiar (genética) (Sem tireotoxicose, TSH normal); Forma tireotóxica (PPHT) (TSH suprimido, T4 livre elevado, Homem jovem asiático); Gatilhos (Refeição rica em carboidratos, Estresse, Infecção (COVID)); Mecanismo (Atividade aumentada da Na⁺/K⁺-ATPase, Influxo de K⁺ para o intracelular)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineuropatia aguda, geralmente pós-infecciosa, que cursa com fraqueza ascendente, arreflexia e, em casos graves, insuficiência respiratória. No entanto, não causa hipopotassemia (o potássio sérico seria normal) nem ondas U no ECG. O quadro descrito — hipopotassemia grave, gatilho por carboidratos e melhora espontânea — é típico de paralisia periódica, não de SGB. Além disso, a SGB costuma ter progressão ao longo de dias, não início súbito ao acordar com melhora em horas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A paralisia periódica familiar hipocalêmica é uma canalopatia genética que causa episódios de fraqueza flácida e hipopotassemia, precipitados por carboidratos e estresse. O quadro clínico é muito semelhante ao apresentado, mas a forma familiar NÃO cursa com tireotoxicose. O TSH suprimido e o T4 livre elevado são a chave: eles indicam hipertireoidismo, o que direciona o diagnóstico para a forma tireotóxica (PPHT). A alternativa B ignora o dado laboratorial decisivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A miopatia inflamatória associada ao hipertireoidismo é uma complicação rara do excesso de hormônios tireoidianos, caracterizada por fraqueza proximal e elevação de enzimas musculares (CK). Não se manifesta como episódios paroxísticos de paralisia flácida com hipopotassemia grave e ondas U. O quadro descrito é de paralisia periódica, não de miopatia inflamatória crônica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica (PPHT) é a associação de paralisia periódica hipocalêmica com tireotoxicose. O paciente apresenta todos os elementos: fraqueza flácida simétrica de início súbito, hipopotassemia grave (K 2,1 mEq/L), ondas U no ECG, TSH suprimido e T4 livre elevado, gatilho por refeição rica em carboidratos e episódio prévio semelhante. A origem asiática e o sexo masculino são fatores epidemiológicos típicos. O mecanismo envolve o aumento da atividade da Na⁺/K⁺-ATPase pelo excesso de hormônios tireoidianos, que desloca potássio para o intracelular, precipitando a hipopotassemia e a paralisia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A rabdomiólise é a destruição de fibras musculares com liberação de conteúdo intracelular, cursando com dor muscular, fraqueza, elevação importante de CK e mioglobinúria. Laboratorialmente, costuma causar hiperpotassemia (pela liberação de potássio das células lesadas), não hipopotassemia. O quadro descrito — hipopotassemia grave, ondas U e gatilho por carboidratos — é incompatível com rabdomiólise.

Gabarito: letra D — paralisia periódica hipocalêmica tireotóxica.

Link permanente: /questoes/fg130654