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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2026

MedicinaHematologia
Código
fg130658
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Intensiva
O seguinte hemocomponente está mais frequentemente associado ao desenvolvimento de TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury):
  1. Aconcentrado de hemácias.
  2. Bplasma fresco congelado.
  3. Cplaquetas.
  4. Dcrioprecipitado.
  5. Econcentrado de granulócitos.
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GabaritoB — plasma fresco congelado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

TRALI e hemocomponentes: qual o mais associado?

Gabarito: letra B. A TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury) é uma síndrome de lesão pulmonar aguda não cardiogênica, mediada imunologicamente, que ocorre durante ou até 6 horas após a transfusão. O hemocomponente mais frequentemente associado é o plasma fresco congelado (PFC), pois é rico em plasma e, consequentemente, em anticorpos (principalmente anti-HLA e anti-granulócitos) que, ao reagirem com os antígenos leucocitários do receptor, desencadeiam a cascata inflamatória pulmonar. Essa associação é amplamente reconhecida na literatura e na prática transfusional.

A TRALI é uma complicação transfusional grave, com mortalidade de 6-10% dos casos. O mecanismo fisiopatológico central envolve a presença de anticorpos no plasma do doador que reconhecem antígenos nos leucócitos do receptor. Esses anticorpos ativam os neutrófilos que estão aderidos ao endotélio pulmonar, levando ao aumento da permeabilidade capilar, extravasamento de fluido e células inflamatórias para o interstício e alvéolos, resultando em edema pulmonar bilateral e hipoxemia. Embora a TRALI possa ocorrer com qualquer hemocomponente, a incidência é significativamente maior com aqueles que contêm grande volume de plasma, como o PFC e, em menor grau, as plaquetas. O concentrado de hemácias, por ter menor quantidade de plasma, apresenta risco menor. O crioprecipitado, apesar de ser derivado do plasma, é um produto com volume reduzido e concentrado em fatores de coagulação, não sendo classicamente o principal implicado. Já o concentrado de granulócitos, embora contenha leucócitos, é uma indicação rara e o risco de TRALI está mais relacionado ao plasma residual do que às células em si.

A distinção crucial para a prova é entender que a TRALI é uma reação imunológica desencadeada por anticorpos presentes no plasma do doador. Portanto, quanto maior o volume de plasma transfundido, maior a probabilidade de exposição a esses anticorpos e, consequentemente, maior o risco de TRALI. O PFC é o hemocomponente com maior volume de plasma por unidade, o que o torna o principal suspeito. Essa lógica explica por que o PFC é mais associado à TRALI do que o concentrado de hemácias, que é um produto com pouco plasma residual.

A banca explora a associação automática entre TRALI e componentes celulares (como hemácias ou plaquetas), quando na verdade o fator determinante é o plasma. O candidato que não domina a fisiopatologia da TRALI pode ser induzido a escolher o concentrado de hemácias, por ser o hemocomponente mais transfundido, ou as plaquetas, por serem frequentemente associadas a reações transfusionais. No entanto, a literatura é clara: o PFC é o principal responsável. Essa é a pegadinha central da questão.

Guarde o critério decisivo: TRALI está diretamente relacionada ao volume de plasma transfundido. É com base nesse princípio que as alternativas serão analisadas.

TRALI
  • 1Mecanismo
    • Anticorpos no plasma do doador
    • Anti-HLA e anti-granulócitos
    • Ativam neutrófilos no pulmão
  • 2Fator determinante
    • Volume de plasma transfundido
  • 3Hemocomponentes
    • Plasma fresco congelado (maior risco)
    • Plaquetas (risco intermediário)
    • Concentrado de hemácias (baixo risco)
    • Crioprecipitado (baixo volume)
    • Granulócitos (raro)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O concentrado de hemácias é o hemocomponente mais transfundido, mas possui baixo volume de plasma residual (geralmente menos de 50 mL por unidade). Embora a TRALI possa ocorrer com qualquer hemocomponente, o risco é menor quando comparado ao PFC. A associação da TRALI com hemácias é menos frequente, pois a quantidade de anticorpos plasmáticos transfundidos é menor. A banca pode tentar confundir o candidato pelo fato de ser o componente mais comum, mas a fisiopatologia da TRALI não favorece essa alternativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O plasma fresco congelado é o hemocomponente com maior volume de plasma por unidade (200-250 mL), sendo, portanto, o mais rico em anticorpos (anti-HLA, anti-granulócitos). Esses anticorpos, quando incompatíveis com os antígenos leucocitários do receptor, são o principal gatilho da TRALI. A literatura e os guidelines de medicina transfusional apontam o PFC como o hemocomponente mais frequentemente associado ao desenvolvimento de TRALI. O próprio material de apoio menciona que o PFC apresenta "maior risco de TRALI, TACO e TRIM quando comparado ao uso de drogas hemostáticas".

Alternativa C — ❌ Incorreta

As plaquetas também são um hemocomponente rico em plasma, e a TRALI pode ocorrer com sua transfusão. No entanto, o risco é menor do que com o PFC. As plaquetas são mais frequentemente associadas a outras reações transfusionais, como a reação febril não hemolítica e a contaminação bacteriana (sepse). A banca pode tentar confundir o candidato, mas o PFC é o principal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O crioprecipitado é um produto derivado do plasma, mas com volume reduzido (15-20 mL por bolsa) e concentrado em fatores de coagulação (fibrinogênio, FVIII, FXIII, fator de von Willebrand). Devido ao baixo volume de plasma, o risco de TRALI é menor quando comparado ao PFC. A alternativa tenta confundir o candidato pela origem plasmática, mas o volume é o fator determinante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O concentrado de granulócitos é um hemocomponente raro, indicado em situações específicas (neutropenia grave com infecção refratária). Embora contenha leucócitos, o risco de TRALI está mais relacionado ao plasma residual do que às células em si. Além disso, por ser uma indicação pouco frequente, não é o hemocomponente mais associado à TRALI. A alternativa tenta confundir o candidato pela presença de leucócitos, mas o mecanismo da TRALI é mediado por anticorpos plasmáticos, não pelas células transfundidas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre TRALI e componentes celulares (hemácias, plaquetas, granulócitos), quando o fator determinante é o volume de plasma transfundido. O candidato que não domina a fisiopatologia pode escolher o concentrado de hemácias (por ser o mais comum) ou as plaquetas (por serem associadas a reações). Lembre-se: a TRALI é uma reação imunológica desencadeada por anticorpos presentes no plasma do doador. Quanto maior o volume de plasma, maior o risco. O PFC é o campeão nesse quesito. Com esse raciocínio, você acerta a questão de forma segura 💪.

Gabarito: letra B

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