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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
fg130676
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Intensiva
Paciente masculino, 79 anos, internado no CTI com choque séptico, recebendo noradrenalina, vasopressina, dobutamina e ventilação mecânica, apresenta gasometria arterial e venosa central com PvCO₂ = 52 mmHg e PaCO₂ = 40 mmHg.Das seguintes alternativas, assinale a que melhor se aplica a ΔPCO₂ (diferença venoarterial de CO₂) do paciente.
  1. AHipóxia isquêmica por redução do índice cardíac
  2. BHipóxia hipoxêmica.
  3. CHipóxia anêmica.
  4. DHipóxia citopática.
  5. EHipóxia por deficiência de difusão tecidual de oxigênio.
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GabaritoA — Hipóxia isquêmica por redução do índice cardíac

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

ΔPCO₂ (diferença venoarterial de CO₂) no choque séptico

Gabarito: letra A. A ΔPCO₂ elevada (52 − 40 = 12 mmHg, normal < 6 mmHg) indica hipóxia isquêmica por redução do índice cardíaco — o gradiente venoarterial de CO₂ é um marcador de baixo débito cardíaco e má perfusão tecidual, não de falha na oxigenação arterial. O paciente em choque séptico com disfunção miocárdica (em uso de dobutamina) apresenta exatamente esse padrão.

A diferença venoarterial de CO₂ (ΔPCO₂ ou P(v-a)CO₂) é um parâmetro hemodinâmico que reflete a relação entre a produção de CO₂ pelos tecidos e o fluxo sanguíneo que remove esse CO₂. Quando o débito cardíaco cai, o sangue venoso permanece mais tempo em contato com os tecidos, acumulando mais CO₂ — por isso a PvCO₂ sobe e o gradiente aumenta. É um marcador de adequação do fluxo sanguíneo (DO₂) ao metabolismo, não de oxigenação arterial. Valores normais ficam abaixo de 6 mmHg; valores elevados (> 6 mmHg) indicam hipoperfusão tecidual, tipicamente por baixo débito cardíaco.

A equação de Fick para o CO₂ explica o fenômeno: a produção de CO₂ (VCO₂) é igual ao produto do débito cardíaco pela diferença de conteúdo de CO₂ entre sangue venoso e arterial. Se a produção metabólica de CO₂ permanece constante e o débito cardíaco cai, a diferença venoarterial de CO₂ precisa aumentar para manter o equilíbrio. Por isso, a ΔPCO₂ é inversamente proporcional ao índice cardíaco — quanto menor o débito, maior o gradiente.

No choque séptico, o paciente pode apresentar disfunção miocárdica (depressão da contratilidade), o que reduz o débito cardíaco. Nesse cenário, a ΔPCO₂ elevada é um sinal de que o fluxo sanguíneo é inadequado para remover o CO₂ produzido — caracterizando hipóxia isquêmica (também chamada de hipóxia estagnante ou por baixo fluxo). É diferente da hipóxia hipoxêmica (baixa PaO₂ arterial), da hipóxia anêmica (baixa hemoglobina), da hipóxia citopática (disfunção mitocondrial) e da hipóxia por deficiência de difusão (alteração na barreira alvéolo-capilar).

A pegadinha da banca está em associar a ΔPCO₂ elevada a um problema de oxigenação arterial, quando na verdade ela aponta para um problema de perfusão/fluxo. O paciente do enunciado está em choque séptico com uso de noradrenalina, vasopressina e dobutamina — este último indica justamente a suspeita de disfunção miocárdica e baixo débito cardíaco, corroborando a interpretação de hipóxia isquêmica.

Guarde a distinção central: a ΔPCO₂ mede a remoção de CO₂ pelo fluxo sanguíneo, não a entrega de O₂ aos tecidos. É o marcador que separa o problema de "fluxo" (débito cardíaco) dos problemas de "conteúdo arterial de O₂" (PaO₂, hemoglobina, difusão) e de "uso celular de O₂" (mitocôndria). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ΔPCO₂ elevada (12 mmHg) é o marcador clássico de hipóxia isquêmica por redução do índice cardíaco. O gradiente venoarterial de CO₂ aumenta quando o débito cardíaco é insuficiente para remover o CO₂ produzido pelos tecidos. No paciente com choque séptico em uso de dobutamina (inotrópico), há clara suspeita de disfunção miocárdica e baixo débito — exatamente o cenário em que a ΔPCO₂ se eleva. A equação de Fick para CO₂ (VCO₂ = DC × ΔCO₂) demonstra a relação inversa entre débito cardíaco e gradiente de CO₂.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipóxia hipoxêmica é caracterizada por baixa PaO₂ arterial (hipoxemia), o que não está descrito no enunciado — a PaCO₂ é 40 mmHg (normal) e não há menção a PaO₂ ou SatO₂ baixas. A ΔPCO₂ elevada não reflete problema de oxigenação arterial, mas sim de perfusão tecidual. A banca tenta confundir o candidato ao associar o CO₂ elevado a um problema respiratório, quando na verdade o gradiente venoarterial de CO₂ é um marcador hemodinâmico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipóxia anêmica ocorre por redução da hemoglobina (capacidade de transporte de O₂), o que não é mencionado no enunciado. Não há dado de hemoglobina baixa, e a ΔPCO₂ não é um marcador de anemia. A banca explora a confusão entre os diferentes tipos de hipóxia, mas o gradiente venoarterial de CO₂ não se altera primariamente por anemia — ele reflete a relação entre produção de CO₂ e fluxo sanguíneo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipóxia citopática é a incapacidade das mitocôndrias de utilizar o O₂ (disfunção mitocondrial), como ocorre na intoxicação por cianeto ou na sepse grave. Embora a disfunção mitocondrial possa ocorrer no choque séptico, a ΔPCO₂ elevada isoladamente não é o marcador dessa condição — na hipóxia citopática, o consumo de O₂ está reduzido e a produção de CO₂ também tende a cair, não a aumentar o gradiente. O marcador de hipóxia citopática seria a SvO₂ elevada com lactato alto, não a ΔPCO₂ aumentada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipóxia por deficiência de difusão tecidual de oxigênio não é um tipo clássico de hipóxia na classificação fisiopatológica (que inclui hipóxia hipoxêmica, anêmica, isquêmica e citopática). A difusão de O₂ dos capilares para os tecidos pode estar prejudicada em situações de edema tecidual, mas a ΔPCO₂ não é o marcador dessa condição. A banca cria um distrator com terminologia não consagrada para testar se o candidato conhece a classificação correta das hipóxias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o marcador de perfusão (ΔPCO₂) por marcadores de oxigenação arterial (hipoxêmica, anêmica) e de uso celular de O₂ (citopática). O candidato que associa CO₂ elevado a problema respiratório cai na letra B. Lembre-se: ΔPCO₂ elevada = baixo débito cardíaco = hipóxia isquêmica. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os tipos de hipóxia na prova, pergunte-se: o problema está no ar que chega (hipoxêmica), no sangue que carrega (anêmica), no fluxo que entrega (isquêmica) ou na célula que usa (citopática)? A ΔPCO₂ elevada aponta sempre para o fluxo — o débito cardíaco.

Gabarito: letra A — hipóxia isquêmica por redução do índice cardíaco.

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