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Questão de Medicina — Choque e Parada Cardiorrespiratória — FGV 2026

MedicinaChoque e Parada Cardiorrespiratória
Código
fg130679
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Intensiva
Após parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular e retorno da circulação espontânea, um paciente permanece em coma na admissão à UTI, PA 110/60 mmHg, FC 77 bpm e temperatura 36,8 °C.A conduta mais apropriada é
  1. Ahiperventilar para PaCO₂ 25–30 mmHg nas primeiras 24 horas com o objetivo de reduzir a pressão intracraniana.
  2. Bmanter normoxemia e normocapnia, evitar febre e realizar controle de temperatura conforme protocolo institucional.
  3. Csuspender sedação para permitir o exame neurológico periódico.
  4. Devitar vasopressores mesmo com hipotensão leve para evitar redução do fluxo sanguíneo cerebral devido ao efeito vasoconstritor dos vasopressores.
  5. Eprescrever antibioticoprofilaxia para todos os pacientes no período pós-PC devido à alta incidência de infecção.
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GabaritoB — manter normoxemia e normocapnia, evitar febre e realizar controle de temperatura conforme protocolo institucional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados pós-parada cardiorrespiratória: conduta na UTI

Gabarito: letra B. Após o retorno da circulação espontânea (RCE) em paciente comatoso, a conduta mais apropriada é manter normoxemia e normocapnia, evitar febre e realizar controle direcionado de temperatura (CDT) conforme protocolo institucional — conduta alinhada às diretrizes de ressuscitação (AHA/SBC). As demais alternativas propõem intervenções prejudiciais ou sem evidência: hiperventilação, suspensão de sedação, evitar vasopressores e antibioticoprofilaxia rotineira.

O cuidado pós-parada cardiorrespiratória (pós-PCR) é o conjunto de medidas aplicadas após o RCE, com o objetivo de otimizar a função cardiopulmonar e a perfusão de órgãos vitais, identificar e tratar a causa da parada e, principalmente, minimizar a lesão cerebral hipóxico-isquêmica — a principal causa de morbimortalidade nesses pacientes. O paciente do enunciado, em coma, com PA 110/60 mmHg, FC 77 bpm e temperatura 36,8 °C, está hemodinamicamente estável, mas neurologicamente grave, o que torna a proteção cerebral o foco central da conduta.

A ventilação mecânica nesse cenário deve buscar alvos específicos: PaCO₂ entre 35–45 mmHg (normocapnia) e PaO₂ em torno de 100 mmHg, com a menor FiO₂ necessária para manter SatO₂ > 94%. A hiperventilação (PaCO₂ < 35 mmHg) causa vasoconstrição cerebral e redução do fluxo sanguíneo cerebral, podendo agravar a isquemia — por isso a alternativa A está errada. A hiperóxia (FiO₂ 100% mantida) também é prejudicial, associada a pior recuperação neurológica.

O controle direcionado de temperatura (CDT) é uma das intervenções mais importantes no pós-PCR. Consiste em manter o paciente em normotermia (36–37,5 °C) ou hipotermia terapêutica (32–36 °C), conforme o protocolo institucional, por pelo menos 24 horas, com reaquecimento lento e controlado. A febre deve ser ativamente prevenida e tratada, pois cada grau de elevação da temperatura aumenta o metabolismo cerebral e agrava a lesão neuronal. O paciente do enunciado está com 36,8 °C (normotermia), mas isso não dispensa o monitoramento e o controle ativo da temperatura.

O manejo hemodinâmico visa manter PAM entre 65–100 mmHg, com reposição volêmica e uso de vasopressores (noradrenalina é a droga preferencial) quando necessário. A hipotensão deve ser tratada, pois compromete a perfusão cerebral — a alternativa D, que sugere evitar vasopressores, está claramente errada. A sedação deve ser mantida durante o período de CDT para evitar tremores, desconforto e aumento do consumo de oxigênio cerebral; a suspensão precoce (alternativa C) prejudica o controle da temperatura e a proteção neurológica. A antibioticoprofilaxia (alternativa E) não é recomendada de rotina, pois não há evidência de benefício e aumenta o risco de resistência bacteriana.

Guarde o tripé da conduta pós-PCR: ventilação (normoxemia + normocapnia), temperatura (CDT) e hemodinâmica (PAM 65–100 mmHg). É exatamente nesses três pilares que as alternativas se dividem.

1Ventilação
Normoxemia (PaO₂ ~100 mmHg)
Normocapnia (PaCO₂ 35–45 mmHg)
Hiperventilação (vasoconstrição cerebral)
2Temperatura
Controle direcionado (CDT)
Febre (agrava lesão neuronal)
3Hemodinâmica
PAM 65–100 mmHg
Vasopressores se necessário
4Sedação
Mantida durante CDT
Suspensão precoce
5Antibiótico
Profilaxia rotineira
Cuidados pós-PCR
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Cuidados pós-PCR: Ventilação (Normoxemia (PaO₂ ~100 mmHg), Normocapnia (PaCO₂ 35–45 mmHg), Hiperventilação (vasoconstrição cerebral)); Temperatura (Controle direcionado (CDT), Febre (agrava lesão neuronal)); Hemodinâmica (PAM 65–100 mmHg, Vasopressores se necessário); Sedação (Mantida durante CDT, Suspensão precoce); Antibiótico (Profilaxia rotineira)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hiperventilação para PaCO₂ 25–30 mmHg é prejudicial no pós-PCR. A redução da PaCO₂ causa vasoconstrição cerebral, diminuindo o fluxo sanguíneo cerebral e agravando a isquemia já instalada. A recomendação é manter normocapnia (PaCO₂ 35–45 mmHg). A hiperventilação só é indicada em situações específicas de hipertensão intracraniana refratária, não como rotina nas primeiras 24 horas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa resume corretamente os pilares do cuidado pós-PCR: normoxemia (PaO₂ ~100 mmHg, SatO₂ > 94%), normocapnia (PaCO₂ 35–45 mmHg), evitar febre (controle ativo da temperatura) e controle direcionado de temperatura conforme protocolo institucional. Essa conduta visa proteger o cérebro da lesão hipóxico-isquêmica secundária, principal causa de mau prognóstico neurológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Suspender a sedação para exame neurológico periódico é prematuro nas primeiras 24–48 horas. Durante o período de CDT, a sedação é necessária para evitar tremores, desconforto e aumento do consumo de oxigênio cerebral. O exame neurológico deve ser realizado após o reaquecimento e a suspensão gradual da sedação, em momento apropriado para avaliação prognóstica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Evitar vasopressores mesmo com hipotensão leve é incorreto. A hipotensão compromete a perfusão cerebral, que já está prejudicada pela lesão isquêmica. A recomendação é manter PAM entre 65–100 mmHg, utilizando vasopressores (noradrenalina é a droga de escolha) quando a reposição volêmica não for suficiente. O benefício da perfusão cerebral supera o risco teórico de vasoconstrição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A antibioticoprofilaxia para todos os pacientes pós-PCR não é recomendada. Não há evidência de benefício na redução de infecções ou mortalidade, e o uso indiscriminado aumenta o risco de resistência bacteriana e efeitos adversos. A antibioticoterapia deve ser reservada para infecções documentadas ou fortemente suspeitas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hiperventilação terapêutica (indicada em hipertensão intracraniana refratária, como no trauma cranioencefálico) e a conduta no pós-PCR, onde a normocapnia é a regra. No pós-PCR, a hiperventilação agrava a isquemia cerebral — não caia nessa troca!

PEGA ESSA DICA!

Memorize o tripé do pós-PCR: Ventilação (normoxemia + normocapnia), Temperatura (CDT, evitar febre) e Hemodinâmica (PAM 65–100 mmHg). Qualquer alternativa que fuja desses pilares — hiperventilar, suspender sedação, evitar vasopressor ou usar antibiótico profilático — está errada.

Gabarito: letra B

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