Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2026
- Código
- fg130682
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Medicina Intensiva
- AIAMCSST.
- Bdissecção aórtica.
- Cembolia pulmonar.
- Dpneumotórax.
- Epericardite.
GabaritoB — dissecção aórtica.
Gabarito: letra B. O quadro — dor torácica súbita e intensa em "rasgando" irradiando para as costas, assimetria de pulsos radiais, alargamento mediastinal ao raio-X e troponina normal — é a apresentação clássica da dissecção aguda de aorta, emergência hipertensiva com alta mortalidade se não tratada precocemente. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a tríade dor lancinante + déficit de pulso + alargamento mediastinal aponta diretamente para essa condição.
A dissecção de aorta ocorre quando há uma ruptura da íntima arterial, permitindo que o sangue se propague entre as camadas da parede do vaso, criando uma falsa luz. A hipertensão arterial não controlada é o principal fator predisponente, exatamente o que o paciente do caso apresenta. A dor é tipicamente descrita como "rasgando" ou "lacerante", de início súbito e máxima intensidade desde o começo, com irradiação para o dorso — um padrão que a diferencia da dor isquêmica coronariana, que costuma ser em aperto ou queimação e em crescendo.
O exame físico é crucial: a assimetria de pulsos periféricos (pulso radial esquerdo diminuído em relação ao direito) é um sinal de alerta importante, pois reflete o comprometimento do fluxo arterial pelo flap de dissecção. O alargamento do mediastino na radiografia de tórax é um achado clássico, presente em cerca de 60-90% dos casos. O ECG com alterações inespecíficas e a troponina normal ajudam a afastar o infarto agudo do miocárdio, embora a dissecção possa coexistir com IAM se houver envolvimento dos óstios coronarianos.
O diagnóstico diferencial da dor torácica aguda é amplo, mas alguns sinais são particularmente sugestivos de dissecção: dor migratória, déficits neurológicos concomitantes, síncope e déficit de pulso. A presença de hipertensão grave (PA 180x100 mmHg) em paciente jovem com dor lancinante e assimetria de pulsos torna a dissecção a hipótese mais provável, muito antes de qualquer exame complementar. A conduta imediata envolve controle agressivo da pressão arterial e da frequência cardíaca com betabloqueadores e analgesia opioide, além de confirmação diagnóstica por angiotomografia.
A banca explora aqui a capacidade de reconhecer o padrão clínico da dissecção aórtica em meio a outras causas de dor torácica. O erro mais comum é pensar em infarto agudo do miocárdio, mas a descrição da dor como "rasgando" e a assimetria de pulsos são praticamente patognomônicas. Guarde a tríade: dor lancinante + déficit de pulso + alargamento mediastinal = dissecção de aorta até prova em contrário.
O IAM com supradesnivelamento de ST (IAMCSST) cursa com dor em aperto ou queimação, geralmente em crescendo, e o ECG mostra elevação do segmento ST ou BRE novo. Aqui, o ECG é inespecífico e a troponina está normal, o que praticamente exclui o IAM. Além disso, a dor em "rasgando" com irradiação para as costas e a assimetria de pulsos não são características de síndrome coronariana aguda.
A dissecção aguda de aorta é a principal suspeita. A dor súbita, intensa, em "rasgando", irradiando para as costas, associada a hipertensão não controlada, assimetria de pulsos radiais e alargamento mediastinal ao raio-X, com ECG inespecífico e troponina normal, é o quadro clássico. A mortalidade é de 1-2% por hora nas primeiras 48 horas, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos.
A embolia pulmonar costuma apresentar dor pleurítica, dispneia súbita, taquicardia e hipoxemia, frequentemente com fatores de risco para tromboembolismo (imobilização, cirurgia, câncer). O alargamento mediastinal e a assimetria de pulsos não são esperados. A dor em "rasgando" irradiando para as costas é atípica para embolia pulmonar.
O pneumotórax causa dor pleurítica súbita com dispneia, murmúrio vesicular diminuído e percussão timpânica no hemitórax afetado. Não há assimetria de pulsos nem alargamento mediastinal. A dor em "rasgando" e a irradiação para as costas não são características.
A pericardite causa dor aguda, pleurítica, que piora com inspiração profunda e decúbito dorsal, melhorando ao sentar-se inclinado para frente. Pode haver atrito pericárdico. Não há assimetria de pulsos nem alargamento mediastinal. A dor em "rasgando" é incompatível com pericardite.
A banca tenta induzir ao erro com a alternativa A (IAMCSST), explorando a associação automática entre dor torácica intensa e infarto. Mas a descrição da dor como "rasgando" e a assimetria de pulsos são sinais de alerta para dissecção de aorta. Fique atento: dor lancinante + déficit de pulso = dissecção até prova em contrário.
Na prova, ao se deparar com dor torácica súbita e intensa, sempre pergunte: a dor é em aperto ou em rasgando? Há assimetria de pulsos? Há alargamento mediastinal? Se sim, pense em dissecção de aorta e inicie o manejo com betabloqueador e analgesia, antes mesmo da confirmação por imagem.
Gabarito: letra B
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