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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg130686
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Preventiva e Social
Durante uma visita domiciliar, a equipe de saúde identifica que uma gestante de 22 semanas, primigesta, relata não ter realizado nenhum exame laboratorial até o momento, apesar de já ter comparecido a duas consultas de pré-natal na Unidade Básica de Saúde.Considerando as diretrizes nacionais vigentes, a conduta que deve ser priorizada pela equipe multiprofissional para garantir a integralidade da assistência é
  1. Asolicitar exames laboratoriais básicos imediatamente e agendar retorno para avaliação dos resultados.
  2. Borientar a gestante a aguardar até a próxima consulta para coleta dos exames, pois ainda está no segundo trimestre.
  3. Cencaminhar diretamente para serviço especializado de alto risco devido à ausência de exames.
  4. Drealizar apenas exame físico completo e reforçar orientações gerais sobre gestação saudável.
  5. Epriorizar encaminhamento para psicologia, considerando possível negligência da gestante.
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GabaritoA — solicitar exames laboratoriais básicos imediatamente e agendar retorno para avaliação dos resultados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pré-natal na Atenção Básica: integralidade e oportunidade da assistência

Gabarito: letra A. A conduta prioritária é solicitar imediatamente os exames laboratoriais básicos e agendar retorno para avaliação dos resultados, pois a gestante de 22 semanas já deveria tê-los realizado no primeiro trimestre, e a demora compromete a integralidade e a oportunidade do cuidado. Essa conduta está alinhada às diretrizes nacionais de pré-natal na Atenção Básica, que preconizam a captação precoce e a realização de exames na primeira consulta ou o mais rápido possível.

O pré-natal é o conjunto de cuidados que acompanha a gestante durante toda a gravidez, com o objetivo de garantir o bem-estar materno e fetal, prevenir, diagnosticar e tratar precocemente intercorrências. A integralidade — um dos princípios do SUS — exige que a assistência seja completa, contínua e articulada, não se limitando a um único aspecto, como o exame físico ou orientações isoladas. Quando a gestante chega ao segundo trimestre sem nenhum exame laboratorial, há uma lacuna importante na assistência que precisa ser corrigida com urgência, pois muitos exames têm janelas ideais de realização e resultados que orientam condutas essenciais.

As diretrizes nacionais (como o Caderno de Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco do Ministério da Saúde) recomendam que, na primeira consulta de pré-natal, sejam solicitados exames como tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia de jejum, teste rápido para sífilis e HIV, sorologias para hepatites B e C, toxoplasmose, exame de urina (EAS) e urocultura. Esses exames permitem rastrear condições que, se não tratadas, podem causar danos graves ao feto e à mãe — por exemplo, a sífilis congênita, a transmissão vertical do HIV e a pré-eclâmpsia. Atrasos na coleta significam atrasos no diagnóstico e no tratamento, o que pode comprometer o desfecho da gestação.

Na prática, a conduta correta diante dessa gestante é: solicitar os exames básicos imediatamente, explicar à paciente a importância de cada um, orientar sobre o preparo necessário (como jejum para glicemia) e agendar retorno em prazo curto para avaliar os resultados e dar continuidade ao cuidado. Essa abordagem respeita a autonomia da gestante, acolhe suas dúvidas e garante que nenhuma intervenção necessária seja adiada. A equipe multiprofissional — médico, enfermeiro, técnicos e agentes comunitários — deve atuar de forma integrada, mas a prioridade clínica é inequívoca: fechar a lacuna dos exames.

A banca explora aqui a confusão entre urgência clínica e burocracia do serviço: o candidato pode achar que "esperar a próxima consulta" é aceitável, ou que a ausência de exames justifica encaminhamento para alto risco. Nenhuma dessas leituras é correta. A gestante é de risco habitual (primigesta, sem comorbidades relatadas), e a ausência de exames não a transforma automaticamente em alto risco — ela precisa, isso sim, ter o cuidado básico completado. O critério decisivo é: exames em atraso = coleta imediata + retorno para avaliação, não adiamento, não encaminhamento desnecessário, não apenas conduta educativa.

  1. 1Identificar atraso na coleta
  2. 2Solicitar exames imediatamente
  3. 3Orientar preparo (jejum etc.)
  4. 4Agendar retorno para avaliar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Solicitar exames laboratoriais básicos imediatamente e agendar retorno para avaliação dos resultados é exatamente o que as diretrizes preconizam. A gestante de 22 semanas está com os exames do primeiro trimestre em atraso, e a demora aumenta o risco de diagnóstico tardio de condições tratáveis (sífilis, HIV, anemia, diabetes gestacional, infecção urinária). A conduta é oportuna (não espera a próxima consulta de rotina), integral (fecha a lacuna do cuidado) e resolutiva (garante retorno para avaliar e agir sobre os resultados). É a única alternativa que combina ação imediata com seguimento adequado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Orientar a gestante a aguardar até a próxima consulta para coleta dos exames é postergar uma necessidade já identificada. Aos 22 semanas, os exames do primeiro trimestre já deveriam ter sido feitos; adiar para a próxima consulta de rotina (que pode ocorrer semanas depois) amplia a janela de risco. A justificativa "ainda está no segundo trimestre" é falaciosa: alguns exames, como a glicemia de jejum e a urocultura, são importantes em qualquer fase, e outros, como a sorologia para sífilis, têm tratamento mais eficaz quanto mais precoce. A conduta correta é antecipar a coleta, não adiá-la.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Encaminhar diretamente para serviço especializado de alto risco é um erro de classificação de risco. A ausência de exames laboratoriais, por si só, não caracteriza gestação de alto risco — ela indica falha na assistência básica, que deve ser corrigida na própria Atenção Básica. O encaminhamento desnecessário sobrecarrega os serviços especializados, fragmenta o cuidado e não resolve o problema imediato (a falta dos exames). A gestante de risco habitual deve ter seu pré-natal conduzido na UBS, com os exames solicitados e avaliados ali mesmo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Realizar apenas exame físico completo e reforçar orientações gerais é uma conduta incompleta que viola a integralidade. O exame físico é parte importante do pré-natal, mas não substitui os exames laboratoriais, que são capazes de detectar condições assintomáticas (como sífilis, HIV, anemia e bacteriúria assintomática) que o exame físico não revela. A gestante já teve duas consultas sem exames; repetir a conduta de só orientar e examinar mantém a lacuna e expõe mãe e feto a riscos evitáveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Priorizar encaminhamento para psicologia, considerando possível negligência da gestante, é um julgamento precipitado e sem fundamento clínico. Não há elementos no enunciado que indiquem negligência ou transtorno psiquiátrico — há uma falha do serviço em solicitar os exames nas consultas anteriores. Rotular a gestante como negligente é estigmatizante e desvia o foco do problema real. O cuidado integral pode incluir apoio psicossocial se houver indicação, mas a prioridade imediata é clínica: solicitar os exames em atraso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir atraso de exames com gestação de alto risco (alternativa C) ou com negligência materna (alternativa E). Nenhuma das duas leituras é correta: a ausência de exames é uma falha de assistência a ser corrigida na Atenção Básica, não um critério de referência para alto risco nem um motivo para julgamento psicossocial. A pegadinha clássica é a alternativa B, que usa o "segundo trimestre" como justificativa para adiar — quando o correto é exatamente o oposto: quanto mais cedo, melhor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pré-natal, memorize o fluxo: primeira consulta → solicitar exames básicos → retorno para avaliação. Se a gestante chega atrasada (como no caso, 22 semanas sem exames), a regra é coletar imediatamente, nunca adiar. Desconfie de alternativas que propõem "esperar", "encaminhar" ou "apenas orientar" — elas quebram a integralidade e a oportunidade do cuidado.

Gabarito: letra A — solicitar exames laboratoriais básicos imediatamente e agendar retorno para avaliação dos resultados.

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