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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg130687
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina Preventiva e Social
Em um município brasileiro, gestores de saúde discutem a implementação de estratégias para prevenção do câncer de próstata na Atenção Primária à Saúde.Considerando as diretrizes do Ministério da Saúde e o conceito ampliado de promoção da saúde, assinale a opção que apresenta a conduta mais adequada e alinhada às recomendações nacionais para rastreamento e prevenção desse agravo.
  1. ARealizar ações educativas voltadas à população masculina sobre fatores de risco modificáveis (alimentação, atividade física, tabagismo) e discutir individualmente, com homens entre 50 e 69 anos, os potenciais benefícios e riscos do rastreamento, respeitando a decisão informada do usuário.
  2. BOferecer sistematicamente o exame de PSA e toque retal anual para todos os homens acima de 40 anos, independentemente de sintomas ou fatores de risco.
  3. CImplementar campanhas de rastreamento populacional em massa durante o Novembro Azul, com exames laboratoriais e consultas urológicas para todos os homens adultos.
  4. DPriorizar apenas a detecção precoce por meio de exames em homens sintomáticos, sem abordar aspectos de promoção da saúde.
  5. EIndicar biópsia prostática para todos os homens com PSA acima de 2,5 ng/mL, independentemente de outros achados clínicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Realizar ações educativas voltadas à população masculina sobre fatores de risco modificáveis (alimentação, atividade física, tabagismo) e discutir individualmente, com homens entre 50 e 69 anos, os potenciais benefícios e riscos do rastreamento, respeitando a decisão informada do usuário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de próstata na Atenção Primária à Saúde

Gabarito: letra A. A conduta mais adequada combina ações educativas sobre fatores de risco modificáveis com a discussão individualizada dos benefícios e riscos do rastreamento para homens entre 50 e 69 anos, respeitando a decisão informada — exatamente o que preconizam o Ministério da Saúde e o INCA, que não recomendam rastreamento populacional em massa, mas sim a decisão compartilhada. As demais alternativas ou promovem rastreamento indiscriminado (B, C), ou negligenciam a promoção da saúde (D), ou indicam biópsia sem critérios clínicos adequados (E).

O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens no Brasil (excetuando-se os tumores de pele não melanoma) e a segunda causa de morte por câncer nessa população. Os principais fatores de risco são idade avançada, etnia negra, histórico familiar de primeiro grau com diagnóstico antes dos 65 anos e mutações no gene BRCA. É importante destacar que não há, até o momento, nenhuma medida dietética ou preventiva específica comprovadamente eficaz para reduzir o risco de desenvolver a doença — o que reforça a importância de abordar fatores de risco modificáveis de forma geral, como alimentação saudável, atividade física e cessação do tabagismo, dentro do conceito ampliado de promoção da saúde.

O rastreamento do câncer de próstata é um tema controverso na medicina baseada em evidências. Diferentemente de outros cânceres, como o de colo do útero, o rastreamento populacional do câncer de próstata não é recomendado de forma universal, pois os potenciais danos podem superar os benefícios. Entre os danos estão o sobrediagnóstico — diagnóstico de tumores que nunca evoluiriam para doença clínica — e o sobretratamento, com consequências como incontinência urinária e disfunção erétil. Por isso, a recomendação nacional é que a decisão de rastrear seja compartilhada entre o profissional de saúde e o paciente, após discussão dos riscos e benefícios, especialmente para homens na faixa etária de 50 a 69 anos, que são os que mais se beneficiam.

Na prática da Atenção Primária, o rastreamento oportunístico é o modelo adotado: aproveitar o comparecimento do paciente à unidade para abordar o tema, em vez de convocar a população em massa. Para homens assintomáticos, o encaminhamento ao urologista é indicado quando o PSA está acima de 3 ng/mL (confirmado em segundo exame) ou quando o toque retal está alterado. O toque retal isolado não tem evidência de benefício como teste de rastreamento, mas aumenta o valor preditivo positivo quando associado ao PSA elevado. Em homens acima de 70 anos, elevar o limiar do PSA para 10 ng/mL pode reduzir o sobrediagnóstico.

A distinção crucial que a questão explora é entre rastreamento populacional em massa (não recomendado) e rastreamento oportunístico com decisão compartilhada (recomendado). A banca testa se o candidato conhece essa diferença e sabe que a abordagem correta envolve educação em saúde, discussão individualizada e respeito à autonomia do paciente. A alternativa A sintetiza perfeitamente esses elementos, enquanto as demais caem em erros clássicos: rastreamento indiscriminado, foco apenas em sintomáticos ou indicação de procedimentos sem critérios adequados.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque combina os dois pilares da prevenção do câncer de próstata na APS: (1) ações educativas sobre fatores de risco modificáveis, alinhadas ao conceito ampliado de promoção da saúde; e (2) discussão individualizada dos benefícios e riscos do rastreamento para homens entre 50 e 69 anos, respeitando a decisão informada do usuário. Essa é exatamente a recomendação do Ministério da Saúde e do INCA, que não apoiam o rastreamento populacional em massa, mas sim a decisão compartilhada para a faixa etária que mais se beneficia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Oferecer PSA e toque retal anualmente para todos os homens acima de 40 anos, independentemente de sintomas ou fatores de risco, contraria as diretrizes nacionais. O rastreamento sistemático e indiscriminado não é recomendado, pois os danos (sobrediagnóstico, sobretratamento, falso-positivos) podem superar os benefícios. A faixa etária preconizada para a discussão do rastreamento é de 50 a 69 anos, e não a partir dos 40 anos para todos. A banca explora aqui a confusão entre rastreamento oportunístico e rastreamento populacional em massa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Campanhas de rastreamento populacional em massa durante o Novembro Azul, com exames laboratoriais e consultas urológicas para todos os homens adultos, não são recomendadas. O rastreamento em massa não tem evidência de redução de mortalidade que justifique seus danos e custos. O modelo correto é o oportunístico, com decisão compartilhada. A alternativa confunde a campanha de conscientização do Novembro Azul com uma estratégia de rastreamento indiscriminado, o que não é a recomendação nacional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Priorizar apenas a detecção precoce em homens sintomáticos, sem abordar aspectos de promoção da saúde, é uma visão reducionista e contrária ao conceito ampliado de promoção da saúde. A prevenção do câncer de próstata envolve não só o diagnóstico precoce, mas também ações educativas sobre fatores de risco modificáveis e a discussão sobre rastreamento em homens assintomáticos na faixa etária recomendada. A alternativa ignora a importância da promoção da saúde e da prevenção primária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Indicar biópsia prostática para todos os homens com PSA acima de 2,5 ng/mL, independentemente de outros achados clínicos, é uma conduta inadequada. O limiar para encaminhamento ao urologista é PSA > 3 ng/mL (confirmado em segundo exame) ou toque retal alterado, e a decisão de biopsiar deve considerar múltiplos fatores, como idade, comorbidades, expectativa de vida e resultados do toque retal. A alternativa simplifica excessivamente a conduta e ignora os riscos da biópsia, como sangramento e infecção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre rastreamento populacional em massa e rastreamento oportunístico com decisão compartilhada. As alternativas B e C parecem "preventivas" e "abrangentes", mas na verdade promovem o rastreamento indiscriminado, que não é recomendado. A pegadinha está em associar "prevenção" a "exames para todos", quando a recomendação nacional é justamente o oposto: discutir individualmente, respeitando a autonomia do paciente. Fique atento a essa inversão — a prevenção correta não é sinônimo de rastreamento em massa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de rastreamento, lembre-se do tripé: (1) quem — faixa etária e fatores de risco; (2) como — oportunístico, com decisão compartilhada; (3) por quê — benefícios vs. danos. Se a alternativa propõe exames para "todos" ou "em massa", desconfie: a tendência atual é individualizar a decisão. Essa lógica vale para câncer de próstata, mama e outros rastreamentos controversos.

Gabarito: letra A

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