Paciente oncológico de 45 anos, submetido a quimioterapia por linfoma não Hodgkin há 10 dias, apresenta febre de 38,5°C (início há 6 horas), sem comorbidades significativas. O escore MASCC calculado é 23 pontos. Neutrófilos absolutos confirmados em 300/mm³.A conduta inicial mais adequada é
Ainiciar ceftriaxona intramuscular em esquema de hospital-dia e monitorar ambulatorialmente.
Bcoletar hemoculturas e iniciar ciprofloxacino + amoxicilinaclavulanato via oral, com possibilidade de seguimento ambulatorial.
Cinternação hospitalar, coleta de culturas e iniciar cefepima em monoterapia.
Dinternação hospitalar, coleta de culturas e iniciar piperacilinatazobactama e vancomicina.
Eadministrar antitérmico e orientar retorno em 48h para reavaliação, visto que paciente se encontra sem disfunções orgânicas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — coletar hemoculturas e iniciar ciprofloxacino + amoxicilinaclavulanato via oral, com possibilidade de seguimento ambulatorial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neutropenia febril: estratificação de risco e conduta inicial
Gabarito: letra B. O paciente apresenta neutropenia febril de baixo risco (escore MASCC de 23 pontos, ≥ 21), sem disfunções orgânicas, o que permite tratamento ambulatorial com antibiótico oral — ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato — após coleta de hemoculturas, conforme as diretrizes IDSA/ASCO de 2018. A alternativa B espelha exatamente essa conduta, enquanto as demais ou indicam internação desnecessária (C e D) ou subtratamento (A e E).
A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela ocorrência de febre (temperatura oral ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C sustentada por ao menos uma hora) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos menor que 500 células/µL, ou com expectativa de queda abaixo desse valor nas próximas 48 horas. O risco de infecção aumenta substancialmente quando a contagem cai abaixo de 500 células/µL — exatamente o caso do paciente, com 300 neutrófilos/mm³. A condição é frequente entre o 10º e o 20º dia pós-quimioterapia, período em que o paciente se encontra (10 dias após o tratamento).
A conduta inicial depende da estratificação de risco, feita pelo escore MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer). Esse escore pontua: intensidade dos sintomas (assintomático ou leve = 5; moderado ou grave = 3), ausência de hipotensão (5), ausência de DPOC (4), tumor sólido ou neoplasia hematológica sem infecção fúngica prévia (4), ausência de desidratação (3), não hospitalizado ao aparecimento da febre (3) e idade menor que 60 anos (2). O paciente, com 23 pontos (≥ 21), é classificado como baixo risco, com taxa de óbito associada à infecção de 0% (contra 12,5% nos pacientes com escore < 21).
Para pacientes de baixo risco, as diretrizes IDSA/ASCO de 2018 recomendam tratamento ambulatorial com antibiótico oral — ciprofloxacino 750 mg 12/12h + amoxicilina-clavulanato 500/125 mg 8/8h — desde que haja condições de seguimento próximo (acesso rápido ao hospital, familiar 24h, retornos frequentes). A coleta de hemoculturas (periférica e de cateter, se presente) é obrigatória antes da administração do antibiótico. A primeira dose deve ser administrada dentro de 1 hora da apresentação. Já os pacientes de alto risco (MASCC < 21) requerem internação e antibioticoterapia parenteral com betalactâmico antipseudomonas em monoterapia (cefepime, piperacilina-tazobactam, imipenem ou meropenem), sendo a vancomicina reservada para situações específicas (instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção de cateter, pele e partes moles, pneumonia).
A pegadinha central desta questão é a inversão da lógica de risco: o candidato, ao ver "neutropenia febril pós-quimioterapia", automaticamente pensa em internação e antibiótico intravenoso. Mas o escore MASCC de 23 pontos coloca o paciente em baixo risco, tornando o tratamento oral ambulatorial a conduta correta. A banca explora exatamente essa associação automática entre neutropenia febril e internação, oferecendo nas alternativas C e D condutas de alto risco que seriam inadequadas (e até prejudiciais) para este paciente.
Guarde a fronteira decisiva: MASCC ≥ 21 = baixo risco = tratamento oral ambulatorial; MASCC < 21 = alto risco = internação + antibiótico IV antipseudomonas. É nessa linha que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ceftriaxona intramuscular em hospital-dia não é a conduta recomendada. A ceftriaxona não tem atividade antipseudomonas — cobertura essencial na neutropenia febril — e a via intramuscular não é o padrão para tratamento ambulatorial. O esquema correto para baixo risco é oral (ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato), não parenteral em hospital-dia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta exata para neutropenia febril de baixo risco: coletar hemoculturas (antes do antibiótico) e iniciar ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato via oral, com possibilidade de seguimento ambulatorial. O paciente tem MASCC 23 (≥ 21), sem disfunções orgânicas, preenchendo todos os critérios para tratamento oral ambulatorial conforme IDSA/ASCO 2018.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A internação com cefepima em monoterapia é conduta para alto risco (MASCC < 21). O paciente tem baixo risco (MASCC 23), portanto não necessita de internação nem de antibiótico intravenoso. A internação desnecessária aumenta custos, expõe o paciente a riscos hospitalares e não é a recomendação das diretrizes para este perfil.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A internação com piperacilina-tazobactam e vancomicina é duplamente inadequada: (1) é esquema de alto risco, não indicado para MASCC 23; (2) a vancomicina não é recomendada no manejo inicial da neutropenia febril, sendo reservada para situações específicas (instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção de cateter, pele e partes moles, pneumonia). O paciente não apresenta nenhuma dessas indicações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Administrar apenas antitético e orientar retorno em 48h é subtratamento grave. Neutropenia febril é emergência: a primeira dose de antibiótico deve ser administrada dentro de 1 hora da apresentação. A ausência de disfunções orgânicas não elimina o risco de sepse — o paciente precisa de antibiótico empírico imediato, não apenas de sintomáticos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a conduta de baixo risco pela de alto risco. O candidato, ao ver "neutropenia febril pós-quimioterapia", assume que precisa internar e usar antibiótico IV — mas o MASCC de 23 pontos (≥ 21) classifica o paciente como baixo risco, permitindo tratamento oral ambulatorial. As alternativas C e D são armadilhas clássicas: condutas corretas para o paciente errado. Na prova, sempre calcule o MASCC antes de decidir a via de tratamento — é ele que separa o ambulatório da enfermaria.
PEGA ESSA DICA!
Memorize o ponto de corte do MASCC (≥ 21 = baixo risco) e o esquema oral (ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato). Para alto risco, decore a monoterapia com betalactâmico antipseudomonas (cefepime, piperacilina-tazobactam, carbapenêmico) e as indicações específicas de vancomicina — a banca adora cobrar quando ela NÃO deve ser usada.