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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg130722
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Medicina de Emergência
Considerando os critérios de Cairo-Bishop para síndrome de lise tumoral, assinale a opção que contempla, além da hiperuricemia, as alterações laboratoriais de eletrólitos esperadas nessa patologia.
  1. Ahipercalemia, hiperfosfatemia, hipercalcemia.
  2. Bhipercalemia, hipofosfatemia, hipercalcemia.
  3. Chipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia.
  4. Dhipocalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia.
  5. Ehipocalemia, hipofosfatemia, hipercalcemia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de lise tumoral: critérios de Cairo-Bishop e alterações eletrolíticas

Gabarito: letra C. Nos critérios de Cairo-Bishop, além da hiperuricemia, a síndrome de lise tumoral (SLT) é definida pela presença de hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia — exatamente o que a alternativa C traz. A lise celular libera potássio, fósforo e ácidos nucleicos; o fósforo se liga ao cálcio, precipitando fosfato de cálcio e causando hipocalcemia. Essa tríade eletrolítica é o padrão clássico da SLT, conforme a fisiopatologia descrita na literatura médica.

A síndrome de lise tumoral ocorre quando há destruição maciça e rápida de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Isso acontece mais comumente após o início de quimioterapia em neoplasias hematológicas agressivas (leucemias agudas, linfomas de alto grau), mas pode ocorrer espontaneamente em tumores de alta carga. O conteúdo liberado inclui potássio, fósforo e ácidos nucleicos — e é exatamente essa liberação que gera as alterações laboratoriais características.

O diagnóstico formal é guiado pelos critérios de Cairo-Bishop, que exigem a presença de duas ou mais anormalidades laboratoriais em um período de 3 dias antes ou 7 dias após o início da terapia: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. A hiperuricemia decorre da metabolização dos ácidos nucleicos liberados; a hiperfosfatemia, da liberação de fósforo intracelular; a hipercalemia, da liberação de potássio; e a hipocalcemia é consequência da precipitação de fosfato de cálcio, que consome o cálcio sérico.

A fisiopatologia explica cada alteração: o ácido úrico pode precipitar nos túbulos renais, causando lesão renal aguda; o fosfato elevado se liga ao cálcio, formando cristais de fosfato de cálcio que também lesam os túbulos e reduzem o cálcio ionizado; o potássio elevado pode causar arritmias cardíacas potencialmente fatais. É importante notar que a hipocalcemia na SLT é secundária à hiperfosfatemia — não é uma alteração primária, mas consequência da precipitação do complexo cálcio-fósforo.

A pegadinha clássica da banca é trocar a hipocalcemia por hipercalcemia, ou inverter o sentido das alterações (hipocalemia em vez de hipercalemia, hipofosfatemia em vez de hiperfosfatemia). O candidato que decora a tríade sem entender a fisiopatologia pode cair nessas armadilhas. A chave é lembrar que a SLT é uma síndrome de liberação de conteúdo intracelular — tudo que está dentro da célula sai para o sangue, e o cálcio cai por precipitação com o fósforo.

Guarde a tríade eletrolítica da SLT: potássio ↑, fósforo ↑, cálcio ↓ — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Síndrome de lise tumoral (Cairo-Bishop)
  • 1Alterações laboratoriais
    • Hiperuricemia
    • Hipercalemia
    • Hiperfosfatemia
    • Hipocalcemia
  • 2Fisiopatologia
    • Lise celular libera conteúdo
      • Potássio → hipercalemia
      • Fósforo → hiperfosfatemia
      • Ácidos nucleicos → hiperuricemia
    • Fósforo liga-se ao cálcio
      • Precipita fosfato de cálcio
      • Consome cálcio → hipocalcemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta hipercalcemia, mas na SLT o cálcio está diminuído (hipocalcemia), não aumentado. A hipercalcemia é uma complicação paraneoplásica de outros mecanismos (osteólise, PTHrP), não faz parte dos critérios de Cairo-Bishop.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Troca a hiperfosfatemia por hipofosfatemia. Na SLT, o fósforo intracelular é liberado em grande quantidade, causando hiperfosfatemia — não há perda ou consumo de fósforo que justifique hipofosfatemia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Contempla exatamente a tríade eletrolítica dos critérios de Cairo-Bishop: hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fósforo) e hipocalcemia (precipitação com o fosfato). É a combinação fisiopatologicamente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apresenta hipocalemia, mas na SLT o potássio está elevado (hipercalemia), pois é liberado das células tumorais em lise. A hipocalemia não faz parte do quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra em dois pontos: traz hipocalemia (o correto é hipercalemia) e hipofosfatemia (o correto é hiperfosfatemia). Apenas a hipercalcemia está correta, mas isoladamente não define a SLT.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hipercalcemia e hipocalcemia. Na SLT, o cálcio cai porque o fósforo liberado se liga a ele, formando fosfato de cálcio que precipita nos tecidos. O candidato que associa "lise celular" a "liberação de tudo" pode pensar que o cálcio também aumenta — mas ele diminui justamente por ser consumido na precipitação. Lembre-se: potássio ↑, fósforo ↑, cálcio ↓.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, pense na SLT como uma "explosão celular": tudo que está dentro da célula sai para o sangue (potássio, fósforo, ácido úrico). O cálcio, que está fora, é consumido pela ligação com o fósforo. Se a alternativa trouxer hipocalemia, hipofosfatemia ou hipercalcemia, está errada — a tríade é sempre hipercalemia + hiperfosfatemia + hipocalcemia.

Gabarito: letra C

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