Considerando os critérios de Cairo-Bishop para síndrome de lise tumoral, assinale a opção que contempla, além da hiperuricemia, as alterações laboratoriais de eletrólitos esperadas nessa patologia.
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Síndrome de lise tumoral: critérios de Cairo-Bishop e alterações eletrolíticas
Gabarito: letra C. Nos critérios de Cairo-Bishop, além da hiperuricemia, a síndrome de lise tumoral (SLT) é definida pela presença de hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia — exatamente o que a alternativa C traz. A lise celular libera potássio, fósforo e ácidos nucleicos; o fósforo se liga ao cálcio, precipitando fosfato de cálcio e causando hipocalcemia. Essa tríade eletrolítica é o padrão clássico da SLT, conforme a fisiopatologia descrita na literatura médica.
A síndrome de lise tumoral ocorre quando há destruição maciça e rápida de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Isso acontece mais comumente após o início de quimioterapia em neoplasias hematológicas agressivas (leucemias agudas, linfomas de alto grau), mas pode ocorrer espontaneamente em tumores de alta carga. O conteúdo liberado inclui potássio, fósforo e ácidos nucleicos — e é exatamente essa liberação que gera as alterações laboratoriais características.
O diagnóstico formal é guiado pelos critérios de Cairo-Bishop, que exigem a presença de duas ou mais anormalidades laboratoriais em um período de 3 dias antes ou 7 dias após o início da terapia: hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia. A hiperuricemia decorre da metabolização dos ácidos nucleicos liberados; a hiperfosfatemia, da liberação de fósforo intracelular; a hipercalemia, da liberação de potássio; e a hipocalcemia é consequência da precipitação de fosfato de cálcio, que consome o cálcio sérico.
A fisiopatologia explica cada alteração: o ácido úrico pode precipitar nos túbulos renais, causando lesão renal aguda; o fosfato elevado se liga ao cálcio, formando cristais de fosfato de cálcio que também lesam os túbulos e reduzem o cálcio ionizado; o potássio elevado pode causar arritmias cardíacas potencialmente fatais. É importante notar que a hipocalcemia na SLT é secundária à hiperfosfatemia — não é uma alteração primária, mas consequência da precipitação do complexo cálcio-fósforo.
A pegadinha clássica da banca é trocar a hipocalcemia por hipercalcemia, ou inverter o sentido das alterações (hipocalemia em vez de hipercalemia, hipofosfatemia em vez de hiperfosfatemia). O candidato que decora a tríade sem entender a fisiopatologia pode cair nessas armadilhas. A chave é lembrar que a SLT é uma síndrome de liberação de conteúdo intracelular — tudo que está dentro da célula sai para o sangue, e o cálcio cai por precipitação com o fósforo.
Guarde a tríade eletrolítica da SLT: potássio ↑, fósforo ↑, cálcio ↓ — é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Síndrome de lise tumoral (Cairo-Bishop)
1Alterações laboratoriais
Hiperuricemia
Hipercalemia
Hiperfosfatemia
Hipocalcemia
2Fisiopatologia
Lise celular libera conteúdo
Potássio → hipercalemia
Fósforo → hiperfosfatemia
Ácidos nucleicos → hiperuricemia
Fósforo liga-se ao cálcio
Precipita fosfato de cálcio
Consome cálcio → hipocalcemia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresenta hipercalcemia, mas na SLT o cálcio está diminuído (hipocalcemia), não aumentado. A hipercalcemia é uma complicação paraneoplásica de outros mecanismos (osteólise, PTHrP), não faz parte dos critérios de Cairo-Bishop.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Troca a hiperfosfatemia por hipofosfatemia. Na SLT, o fósforo intracelular é liberado em grande quantidade, causando hiperfosfatemia — não há perda ou consumo de fósforo que justifique hipofosfatemia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Contempla exatamente a tríade eletrolítica dos critérios de Cairo-Bishop: hipercalemia (liberação de potássio intracelular), hiperfosfatemia (liberação de fósforo) e hipocalcemia (precipitação com o fosfato). É a combinação fisiopatologicamente correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta hipocalemia, mas na SLT o potássio está elevado (hipercalemia), pois é liberado das células tumorais em lise. A hipocalemia não faz parte do quadro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra em dois pontos: traz hipocalemia (o correto é hipercalemia) e hipofosfatemia (o correto é hiperfosfatemia). Apenas a hipercalcemia está correta, mas isoladamente não define a SLT.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hipercalcemia e hipocalcemia. Na SLT, o cálcio cai porque o fósforo liberado se liga a ele, formando fosfato de cálcio que precipita nos tecidos. O candidato que associa "lise celular" a "liberação de tudo" pode pensar que o cálcio também aumenta — mas ele diminui justamente por ser consumido na precipitação. Lembre-se: potássio ↑, fósforo ↑, cálcio ↓.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, pense na SLT como uma "explosão celular": tudo que está dentro da célula sai para o sangue (potássio, fósforo, ácido úrico). O cálcio, que está fora, é consumido pela ligação com o fósforo. Se a alternativa trouxer hipocalemia, hipofosfatemia ou hipercalcemia, está errada — a tríade é sempre hipercalemia + hiperfosfatemia + hipocalcemia.