Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
fg130774
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Neurocirurgia
Hiponatremia tardia (7º–10º dia) após cirurgia transesfenoidal ocorre principalmente por
  1. Alesão permanente da neuro-hipófise.
  2. Bdeficiência de ACTH.
  3. CSIADH transitória.
  4. Dsíndrome perdedora de sal cerebral.
  5. Enecrose hipofisária isquêmica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — SIADH transitória.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiponatremia tardia pós-cirurgia transesfenoidal: SIADH transitória

Gabarito: letra C. A hiponatremia que surge entre o 7º e o 10º dia após a cirurgia transesfenoidal é causada, na grande maioria dos casos, pela síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético (SIADH) transitória, decorrente da liberação de ADH pela neuro-hipófise manipulada durante o procedimento. As demais alternativas representam complicações possíveis, porém com apresentações clínicas e temporais distintas.

A cirurgia transesfenoidal é o acesso cirúrgico padrão para ressecção de tumores hipofisários. Durante a manipulação da glândula e do infundíbulo, ocorre liberação não osmótica de ADH (vasopressina) pela neuro-hipófise, que pode ser transitória ou, em casos mais raros, persistente. Essa liberação inapropriada de ADH leva à retenção de água livre e à diluição do sódio plasmático, caracterizando a SIADH. O quadro clínico típico é o de um paciente euvolêmico, com sódio urinário elevado (> 30 mEq/L), osmolaridade urinária inapropriadamente alta (> 100 mOsm/kg) e osmolaridade sérica baixa (< 275 mOsm/kg).

A temporalidade é o ponto-chave: a SIADH pós-operatória costuma se manifestar de forma bifásica. Na primeira fase (geralmente nas primeiras 48 horas), pode haver diabetes insípido (DI) por deficiência transitória de ADH, com poliúria e hipernatremia. Na segunda fase, entre o 7º e o 10º dia, ocorre a liberação maciça de ADH armazenado, levando à SIADH e à hiponatremia. Essa sequência é clássica e muito cobrada em provas de endocrinologia e neurocirurgia.

É fundamental distinguir a SIADH da síndrome perdedora de sal cerebral (CSWS), pois ambas cursam com hiponatremia e sódio urinário elevado, mas têm fisiopatologias e tratamentos opostos. Na CSWS, há perda renal primária de sódio, levando a hipovolemia e balanço de sódio negativo; o tratamento é reposição de sódio e volume. Na SIADH, há retenção de água, com euvolemia ou hipervolemia leve; o tratamento é restrição hídrica. A distinção clínica é feita pela avaliação do volume extracelular: pacientes com CSWS apresentam sinais de depleção (hipotensão ortostática, taquicardia, mucosas secas), enquanto os com SIADH são euvolêmicos.

A deficiência de ACTH (alternativa B) também pode causar hiponatremia, mas por mecanismo diferente: a falta de cortisol leva à liberação não osmótica de ADH e à redução da excreção de água livre. No pós-operatório de cirurgia hipofisária, a deficiência de ACTH é uma complicação possível, mas não é a causa mais comum da hiponatremia tardia, que ocorre tipicamente na janela de 7 a 10 dias. A lesão permanente da neuro-hipófise (alternativa A) causaria diabetes insípido permanente, com hipernatremia, não hiponatremia. A necrose hipofisária isquêmica (alternativa E) é uma complicação rara e grave, que se manifesta com hipopituitarismo agudo e pode cursar com hiponatremia, mas não é a causa típica da hiponatremia tardia após cirurgia transesfenoidal.

A pegadinha desta questão está em confundir a SIADH com a síndrome perdedora de sal cerebral, pois ambas são causas de hiponatremia no pós-operatório neurocirúrgico. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo a CSWS como distrator. O candidato deve lembrar que, na cirurgia transesfenoidal, a SIADH transitória é a complicação mais frequente e clássica, ocorrendo na janela de 7 a 10 dias, enquanto a CSWS é mais comum em outras neurocirurgias (como trauma cranioencefálico e cirurgia de aneurisma).

Hiponatremia tardia (7º–10º dia) pós-transesfenoidal
  • 1Causa clássica
    • SIADH transitória
      • Liberação não osmótica de ADH
      • Euvolemia
      • Sódio urinário elevado
      • Tratamento: restrição hídrica
  • 2Diagnósticos diferenciais
    • Síndrome perdedora de sal cerebral
      • Hipovolemia
      • Balanço de sódio negativo
      • Tratamento: reposição de sódio e volume
    • Deficiência de ACTH
      • Mecanismo indireto (falta de cortisol)
    • Lesão permanente da neuro-hipófise
      • Diabetes insípido (hipernatremia)
    • Necrose hipofisária isquêmica
      • Hipopituitarismo agudo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A lesão permanente da neuro-hipófise resultaria em diabetes insípido permanente, caracterizado por poliúria, polidipsia e hipernatremia (por perda de água livre), não hiponatremia. A hiponatremia tardia é causada por liberação excessiva e transitória de ADH, não por sua deficiência permanente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A deficiência de ACTH pode causar hiponatremia, mas por mecanismo indireto: a falta de cortisol leva à liberação não osmótica de ADH e à redução da excreção de água livre. No pós-operatório de cirurgia hipofisária, a deficiência de ACTH é uma complicação possível, mas não é a causa mais comum da hiponatremia tardia (7º–10º dia), que é a SIADH transitória. Além disso, a deficiência de ACTH costuma se manifestar com outros sinais de insuficiência adrenal, como hipoglicemia, fadiga e hipotensão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A SIADH transitória é a causa clássica de hiponatremia tardia (7º–10º dia) após cirurgia transesfenoidal. Durante a manipulação da neuro-hipófise, há liberação não osmótica de ADH, levando à retenção de água livre e à diluição do sódio. O quadro é de hiponatremia euvolêmica, com sódio urinário elevado e osmolaridade urinária inapropriadamente alta. O tratamento é restrição hídrica e, em casos graves, pode-se usar antagonistas do receptor V2 da vasopressina (vaptanos).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome perdedora de sal cerebral (CSWS) é uma causa de hiponatremia no pós-operatório neurocirúrgico, mas é mais comum em outras cirurgias (como trauma cranioencefálico e cirurgia de aneurisma) e cursa com hipovolemia, diferentemente da SIADH, que cursa com euvolemia. Na CSWS, há perda renal primária de sódio, levando a balanço de sódio negativo e depleção de volume. O tratamento é reposição de sódio e volume, não restrição hídrica. A distinção entre SIADH e CSWS é crucial, pois os tratamentos são opostos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A necrose hipofisária isquêmica (síndrome de Sheehan, por exemplo) é uma complicação rara e grave, que se manifesta com hipopituitarismo agudo, podendo cursar com hiponatremia por deficiência de ACTH e de TSH. No entanto, não é a causa típica da hiponatremia tardia após cirurgia transesfenoidal, que é a SIADH transitória. A necrose isquêmica seria uma complicação mais precoce e dramática, com sinais de insuficiência adrenal aguda e hipotensão.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg130774