Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026
- Código
- fg130781
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Neurocirurgia
- A10 a 15%.
- B25 a 30%.
- C50 a 70%.
- D80 a 90%.
- E100%.
GabaritoC — 50 a 70%.
Gabarito: letra C. A maioria das crianças com glioma do nervo óptico tem neurofibromatose tipo 1 (NF1), com a associação ocorrendo em cerca de 50 a 70% dos casos. Essa é uma correlação clínica clássica: o glioma de via óptica é um dos tumores mais característicos da NF1, e a presença da síndrome modifica tanto o prognóstico quanto a conduta.
O glioma do nervo óptico é um tumor glial de baixo grau (na maioria das vezes astrocitoma pilocítico) que acomete o nervo óptico, o quiasma ou as vias ópticas posteriores. Na população pediátrica, ele é fortemente associado à neurofibromatose tipo 1, uma síndrome neurocutânea autossômica dominante causada por mutações no gene NF1, localizado no cromossomo 17. A NF1 é o distúrbio neurocutâneo mais comum, ocorrendo em cerca de 1/2.500 a 1/3.000 nascidos vivos. A neurofibromina, proteína codificada pelo gene NF1, regula o crescimento tecidual e a formação tumoral — por isso, sua deficiência predispõe ao desenvolvimento de neurofibromas, gliomas e outros tumores.
A associação entre glioma de via óptica e NF1 é tão relevante que o glioma óptico é um dos critérios diagnósticos da síndrome. Estima-se que 50 a 70% das crianças com glioma do nervo óptico tenham NF1. Esse número é frequentemente cobrado em provas de oncologia e pediatria, e a banca explora justamente a dificuldade do candidato em distinguir a prevalência da associação (glioma → NF1) da prevalência de glioma em pacientes com NF1 (que é menor, em torno de 15 a 20%).
Na prática clínica, a presença de NF1 influencia diretamente a conduta: em crianças com NF1, os gliomas ópticos tendem a ser mais indolentes, com crescimento lento e até regressão espontânea, permitindo conduta conservadora com acompanhamento oftalmológico e de imagem seriado. Já em crianças sem NF1, os gliomas ópticos costumam ter comportamento mais agressivo, com maior necessidade de tratamento cirúrgico ou quimioterápico. Por isso, a distinção não é apenas epidemiológica — ela muda o manejo.
A pegadinha central desta questão é a inversão da pergunta: o enunciado pergunta qual a porcentagem de crianças com glioma que têm NF1 (resposta: 50 a 70%), e não qual a porcentagem de crianças com NF1 que desenvolvem glioma (que é cerca de 15 a 20%). O candidato que confunde esses dois números tende a marcar a alternativa A (10 a 15%) ou B (25 a 30%), que correspondem à prevalência de glioma em pacientes com NF1, não o contrário.
Guarde essa distinção: glioma óptico na infância → pensar em NF1 em mais da metade dos casos; NF1 → risco de glioma óptico em cerca de 15 a 20%. É exatamente essa inversão que separa as alternativas.
O percentual de 10 a 15% corresponde à prevalência de glioma do nervo óptico em pacientes com NF1, ou seja, a proporção de crianças com NF1 que desenvolvem o tumor. A questão, porém, pergunta o caminho inverso: quantas crianças com glioma têm NF1. Essa inversão é a armadilha clássica da banca.
O intervalo de 25 a 30% não corresponde a nenhuma prevalência clássica documentada na literatura para essa associação. Não há referência consolidada que aponte esse percentual, sendo um distrator numérico sem base epidemiológica específica.
A literatura médica estabelece que 50 a 70% das crianças com glioma do nervo óptico apresentam neurofibromatose tipo 1. Essa é a correlação clínica mais aceita e cobrada em provas de oncologia pediátrica. A alta prevalência justifica a recomendação de avaliação oftalmológica seriada em crianças com NF1, especialmente até os 8 anos, período de maior risco para o desenvolvimento do tumor.
O percentual de 80 a 90% superestima a associação. Embora o glioma óptico seja um tumor fortemente ligado à NF1, nem toda criança com glioma tem a síndrome — cerca de 30 a 50% dos casos ocorrem em crianças sem NF1. O valor de 80 a 90% não encontra respaldo na literatura.
Afirmar que 100% das crianças com glioma do nervo óptico têm NF1 é uma generalização indevida. O glioma óptico pode ocorrer de forma esporádica, sem associação com a síndrome, e nesses casos costuma ter comportamento mais agressivo. A associação é majoritária, mas não universal.
A banca inverte a pergunta: o enunciado quer saber quantas crianças com glioma têm NF1 (50 a 70%), mas o candidato tende a lembrar do número inverso — quantas crianças com NF1 têm glioma (15 a 20%). Essa troca de sujeito é o erro mais comum. Na prova, sublinhe quem é a população de referência: "crianças com glioma" ou "crianças com NF1".
Para fixar, associe: glioma óptico na infância → NF1 em mais da metade (50-70%); NF1 → glioma óptico em cerca de 15-20%. Decore o par de números e sempre verifique qual direção a questão pede antes de marcar.
Gabarito: letra C
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