Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026
- Código
- fg130794
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Neurocirurgia
- AGrau II.
- BGrau III.
- CGrau IV.
- DGrau V.
- EGrau I.
GabaritoB — Grau III.
Gabarito: letra B. O paciente com cefaleia intensa, rigidez de nuca e paresia do III nervo craniano direito é classificado como Hunt-Hess Grau II, pois apresenta cefaleia moderada a intensa com rigidez de nuca e déficit de par craniano, sem outro déficit neurológico focal — exatamente o que define o grau II da escala. A paresia do III nervo (oculomotor) é um déficit de par craniano, permitido no grau II, e não um déficit focal que elevaria o grau para III.
A escala de Hunt-Hess é uma ferramenta prognóstica clássica para pacientes com hemorragia subaracnóidea (HSA), geralmente por ruptura de aneurisma cerebral. Ela gradua a gravidade clínica de I a V, correlacionando-se diretamente com a taxa de mortalidade: quanto maior o grau, pior o prognóstico. A classificação deve ser realizada na admissão, idealmente antes de qualquer intervenção, e tem valor prognóstico comprovado.
O ponto central para resolver esta questão é entender o que cada grau representa e, principalmente, o que não está incluído em cada um. O grau II permite cefaleia moderada a intensa, rigidez de nuca e déficits de pares cranianos (como a paresia do III nervo), mas sem déficit neurológico focal (como hemiparesia, afasia ou alteração de consciência). Já o grau III é definido por sonolência, confusão ou déficit focal leve — o que não se aplica ao paciente do enunciado, que está consciente e sem outros déficits.
A paresia do III nervo craniano é um achado clássico na HSA por aneurisma da artéria comunicante posterior, que comprime o nervo oculomotor. Esse déficit isolado de par craniano é uma exceção explícita na escala: ele não conta como "déficit neurológico" para fins de classificação, permitindo que o paciente permaneça no grau II mesmo com essa paresia. É exatamente essa sutileza que a banca explora.
A tabela abaixo resume os graus da escala de Hunt-Hess, com os sinais clínicos e a mortalidade associada:
Grau | Sinais clínicos | Mortalidade |
|---|---|---|
I | Ausência de sintomas, cefaleia ou rigidez de nuca mínima | 1,4% |
II | Cefaleia moderada a intensa, rigidez de nuca, sem déficit neurológico (exceto par craniano) | 5,4% |
III | Sonolência, confusão, déficit focal leve | 18,8% |
IV | Coma, hemiparesia moderada ou intensa, distúrbios vegetativos, descerebração | 41,9% |
V | Coma profundo, descerebração, iminência de morte | 76,9% |
A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a paresia do III nervo craniano seja um "déficit focal", o que elevaria o paciente ao grau III. Mas a escala de Hunt-Hess é explícita: no grau II, são permitidos déficits de pares cranianos, que não são considerados déficit neurológico para fins de classificação. O grau III exige sonolência, confusão ou déficit focal leve — condições ausentes no paciente do enunciado, que está consciente e sem outros déficits. Guarde essa distinção: déficit de par craniano ≠ déficit focal.
O grau I é definido por ausência de sintomas ou cefaleia mínima com rigidez de nuca discreta. O paciente apresenta cefaleia intensa e rigidez de nuca evidente, o que já o exclui do grau I. Além disso, a paresia do III nervo não está prevista no grau I.
O paciente tem cefaleia intensa, rigidez de nuca e paresia do III nervo craniano direito. A escala de Hunt-Hess define o grau II como "cefaleia moderada a intensa, rigidez de nuca, sem déficit neurológico (exceto par craniano)". A paresia do III nervo é um déficit de par craniano, explicitamente permitido no grau II, e não há outros déficits neurológicos ou alteração de consciência. Portanto, a classificação correta é Grau II.
O grau III é definido por sonolência, confusão ou déficit focal leve. O paciente do enunciado não apresenta sonolência, confusão nem déficit focal — apenas paresia de par craniano, que não é considerada déficit focal na escala. A banca tenta induzir o candidato a classificar a paresia do III nervo como déficit focal, mas a escala é clara ao permitir déficits de pares cranianos no grau II.
O grau IV é caracterizado por coma, hemiparesia moderada ou intensa, distúrbios vegetativos e descerebração. O paciente está consciente, sem hemiparesia e sem distúrbios vegetativos, o que o exclui completamente do grau IV. Essa alternativa seria plausível apenas se o paciente apresentasse rebaixamento do nível de consciência e déficits motores graves.
O grau V é o mais grave, definido por coma profundo, descerebração e iminência de morte. O paciente do enunciado está consciente, com apenas cefaleia, rigidez de nuca e paresia do III nervo — um quadro muito menos grave, incompatível com o grau V. Essa alternativa é claramente incorreta.
Gabarito: letra B — o paciente é classificado como Hunt-Hess Grau II, pois apresenta cefaleia intensa, rigidez de nuca e déficit de par craniano (III nervo), sem outros déficits neurológicos ou alteração de consciência.
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