Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026
- Código
- fg130797
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Neurocirurgia
- Amesencéfalo tectal.
- Bponte (difuso intrínseco).
- Cbulbo (focal).
- Djunção cervicomedular.
- Emesencéfalo peduncular.
GabaritoB — ponte (difuso intrínseco).
Gabarito: letra B. O glioma difuso intrínseco da ponte (DIPG) é a localização com o pior prognóstico entre os gliomas pediátricos do tronco cerebral, com sobrevida mediana de aproximadamente 1 ano, sendo praticamente incurável. As demais localizações — mesencéfalo tectal, bulbo focal, junção cervicomedular e mesencéfalo peduncular — apresentam prognóstico mais favorável, muitas vezes sendo passíveis de ressecção cirúrgica ou com crescimento mais indolente.
Os gliomas do tronco encefálico representam cerca de 10-20% dos tumores cerebrais pediátricos e são classificados principalmente pela localização anatômica e pelo padrão de crescimento (difuso vs. focal). Essa classificação é crucial porque determina tanto a abordagem terapêutica quanto o prognóstico. O tronco encefálico é dividido em mesencéfalo, ponte e bulbo, e cada uma dessas regiões abriga diferentes tipos de gliomas com comportamentos clínicos distintos.
O glioma difuso intrínseco da ponte (DIPG) é o mais comum e o mais agressivo. Ele se caracteriza por um crescimento infiltrativo e difuso na ponte, o que torna a ressecção cirúrgica impossível. A biópsia, quando realizada, geralmente é apenas diagnóstica. O tratamento padrão é a radioterapia, que proporciona apenas uma melhora temporária, com sobrevida mediana de 9 a 12 meses. A quimioterapia, até o momento, não demonstrou benefício significativo. A maioria dos pacientes sucumbe à doença em menos de 2 anos após o diagnóstico. A mutação K27M no gene H3F3A (histona H3.3) é encontrada na grande maioria dos DIPG e está associada a um prognóstico particularmente sombrio.
Em contraste, os gliomas focais do tronco (como os do mesencéfalo tectal, bulbo focal e junção cervicomedular) são geralmente de baixo grau (pilocíticos, por exemplo), bem delimitados e podem ser tratados com ressecção cirúrgica completa, resultando em altas taxas de cura. O glioma tectal, por exemplo, frequentemente se apresenta apenas com hidrocefalia obstrutiva, que pode ser tratada com derivação ventricular, e o tumor pode permanecer estável por anos, com excelente prognóstico. Os gliomas da junção cervicomedular, embora possam ser mais desafiadores cirurgicamente, também costumam ser de baixo grau e ressecáveis.
A distinção fundamental que decide esta questão é entre o padrão difuso infiltrativo (que é inoperável e fatal) e o padrão focal bem delimitado (que é frequentemente ressecável e curável). A ponte é o local clássico do padrão difuso, enquanto as outras localizações listadas são mais comumente focais. A banca explora exatamente essa associação: o candidato que sabe que o DIPG é o pior cenário acerta a questão.
A banca tenta confundir o candidato ao listar outras localizações do tronco que também são desafiadoras, mas que têm prognóstico muito melhor. O erro comum é pensar que qualquer tumor no tronco é igualmente grave. A chave é lembrar que o DIPG (ponte, padrão difuso) é único em sua agressividade e inoperabilidade, enquanto os tumores focais, mesmo em áreas nobres como o bulbo, podem ser ressecados e têm sobrevida prolongada. Fique atento: a palavra "difuso intrínseco" na alternativa B é o termo que a torna correta.
O glioma do mesencéfalo tectal é tipicamente um tumor de baixo grau, bem delimitado, que se apresenta com hidrocefalia obstrutiva. O prognóstico é excelente, com sobrevida prolongada e muitas vezes sem necessidade de tratamento agressivo, apenas acompanhamento e derivação ventricular. Não é a localização com pior prognóstico.
O glioma difuso intrínseco da ponte (DIPG) é a entidade com o pior prognóstico entre os gliomas pediátricos do tronco. É um tumor infiltrativo, inoperável, com sobrevida mediana de cerca de 1 ano, mesmo com radioterapia. A palavra "difuso" é o termo-chave que indica o padrão infiltrativo e a impossibilidade de ressecção, tornando esta a alternativa correta.
O glioma focal do bulbo é geralmente um tumor de baixo grau, bem circunscrito, que pode ser tratado com ressecção cirúrgica. Embora a localização no bulbo possa causar sintomas neurológicos importantes, o prognóstico é significativamente melhor que o do DIPG, com possibilidade de cura em muitos casos.
O glioma da junção cervicomedular é tipicamente um tumor focal, frequentemente pilocítico, que pode ser ressecado cirurgicamente. O prognóstico é favorável, com altas taxas de sobrevida em longo prazo após a ressecção completa. Não se compara à gravidade do DIPG.
O glioma do mesencéfalo peduncular, embora possa ser mais difícil de abordar cirurgicamente do que o tectal, ainda é geralmente um tumor focal de baixo grau. O prognóstico é melhor que o do DIPG, com opções de tratamento que incluem ressecção, radioterapia ou observação, dependendo do caso.
A regra de ouro para esta questão é: padrão difuso na ponte = pior prognóstico; padrão focal em qualquer outra localização do tronco = prognóstico relativamente melhor. Essa distinção é o que separa o DIPG, incurável, dos demais gliomas do tronco, que muitas vezes são tratáveis e até curáveis.
Gabarito: letra B
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