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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2026

MedicinaNeurologia
Código
fg130803
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Neurologia
Uma mulher de 68 anos apresenta queixa de esquecimento progressivo há cerca de 18 meses, mantendo independência funcional para atividades básicas. A avaliação neuropsicológica é compatível com comprometimento cognitivo leve de padrão amnéstico. A ressonância magnética de encéfalo mostra atrofia hipocampal discreta.Considerando os critérios atuais para diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer e a indicação de tratamento com anticorpos monoclonais (AM), assinale a afirmativa correta.
  1. AO diagnóstico etiológico pode ser estabelecido pelo quadro clínico e ressonância magnética, sendo desnecessária a avaliação de biomarcadores para indicação de AM.
  2. BA presença do alelo APOE 4, isoladamente, confirma o diagnóstico de doença de Alzheimer e indica início de tratamento com AM.
  3. CA indicação de AM requer a comprovação de patologia amiloide cerebral por PET-amiloide positivo ou por líquor com redução de Aβ42 e elevação de tau total ou fosforilada.
  4. DBiomarcadores sanguíneos já substituem completamente PETamiloide e líquor, sendo suficientes para decisão terapêutica.
  5. EO tratamento com anticorpos monoclonais está indicado em qualquer fase da doença de Alzheimer, independente do estágio clínico desde que haja presença do alelo APOE 60_neur.png 30×27
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GabaritoC — A indicação de AM requer a comprovação de patologia amiloide cerebral por PET-amiloide positivo ou por líquor com redução de Aβ42 e elevação de tau total ou fosforilada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Alzheimer: biomarcadores e indicação de anticorpos monoclonais

Gabarito: letra C. A indicação de anticorpos monoclonais (AM) para a Doença de Alzheimer (DA) exige a comprovação da patologia amiloide cerebral, seja por PET-amiloide positivo ou por líquor com redução de Aβ42 e elevação de tau total ou fosforilada — exatamente o que afirma a alternativa C. O diagnóstico clínico e a ressonância magnética, embora sugiram fortemente a doença, não são suficientes para a decisão terapêutica com essas drogas modificadoras de doença, que demandam a confirmação biológica da presença de amiloide.

A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência neurodegenerativa, caracterizada pela deposição extracelular de placas de proteína β-amiloide (Aβ) e pela formação intracelular de emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada. O diagnóstico clínico, baseado nos critérios do National Institute on Aging and Alzheimer's Association (NIA-AA), é feito pela combinação de anamnese, exame cognitivo e avaliação neuropsicológica, com exclusão de outras causas por neuroimagem. No entanto, com o advento das terapias modificadoras de doença — os anticorpos monoclonais anti-amiloide —, a confirmação da patologia amiloide tornou-se um requisito para a indicação do tratamento, pois essas drogas atuam especificamente na remoção das placas de Aβ.

Os biomarcadores de amiloide são divididos em três categorias principais: os de imagem (PET-amiloide), os liquóricos (Aβ42, tau total e tau fosforilada) e, mais recentemente, os sanguíneos (plasma Aβ42/Aβ40, p-tau181, p-tau217). O PET-amiloide detecta diretamente a deposição de placas no cérebro, enquanto o líquor mostra a redução de Aβ42 (que se deposita nas placas, diminuindo no líquido) e o aumento de tau total e fosforilada (marcadores de dano neuronal e de emaranhados). Os biomarcadores sanguíneos, embora promissores e menos invasivos, ainda não substituem completamente os métodos tradicionais na decisão terapêutica, sendo utilizados principalmente como triagem ou em contextos de pesquisa.

A presença do alelo APOE ε4 é um fator de risco genético importante, aumentando a suscetibilidade à DA e influenciando a idade de início, mas não confirma o diagnóstico nem é suficiente para indicar tratamento. Além disso, o status do APOE ε4 é relevante na prática clínica com AM porque está associado a maior risco de anormalidades de imagem relacionadas a amiloide (ARIA), especialmente edema e hemorragia cerebral, o que pode influenciar a decisão de iniciar o tratamento e a necessidade de monitoramento por ressonância magnética.

A indicação dos anticorpos monoclonais (aducanumab, lecanemab, donanemab) é restrita a pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) ou demência leve confirmada por biomarcadores de amiloide. Não está indicada em qualquer fase da doença, sendo contraindicada em estágios moderados a graves, onde o benefício é incerto e o risco de eventos adversos (ARIA) é maior. A avaliação da fase clínica é essencial: o tratamento precoce, no estágio de CCL ou demência leve, é o que demonstrou benefício nos ensaios clínicos.

A pegadinha central desta questão é a troca entre o diagnóstico clínico e a confirmação biológica: a banca explora a tentação de considerar o quadro clínico + RM suficientes para indicar AM, quando na verdade a comprovação da patologia amiloide é obrigatória. Guarde a fronteira: diagnóstico clínico ≠ indicação de AM — a indicação exige biomarcador de amiloide positivo.

Critério

PET-amiloide

Líquor (Aβ42, tau total/fosforilada)

Biomarcadores sanguíneos

O que detecta

Deposição de placas amiloides no cérebro

Redução de Aβ42 (deposição nas placas) e elevação de tau (dano neuronal/emaranhados)

Marcadores plasmáticos (ex.: p-tau217, razão Aβ42/Aβ40)

Papel na indicação de AM

Confirma patologia amiloide (critério obrigatório)

Confirma patologia amiloide (critério obrigatório)

Triagem/pesquisa; ainda não substitui PET/líquor na decisão terapêutica

Invasividade

Não invasivo (imagem)

Invasivo (punção lombar)

Minimamente invasivo (coleta de sangue)

Indicação de anticorpos monoclonais (DA)
  • 1Requisitos
    • CCL ou demência leve
    • Confirmação de amiloide
      • PET-amiloide positivo
      • Líquor: Aβ42 baixo + tau alto
  • 2Não são suficientes
    • Quadro clínico + RM
    • APOE ε4 isolado
    • Biomarcadores sanguíneos
  • 3APOE ε4
    • Fator de risco genético
    • Risco de ARIA
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico etiológico pode ser estabelecido pelo quadro clínico e RM, sendo desnecessária a avaliação de biomarcadores para indicação de AM. Erro: o diagnóstico clínico de DA provável é possível, mas a indicação de AM exige comprovação de patologia amiloide (PET ou líquor). A RM mostra atrofia hipocampal, que é um achado de suporte, mas não confirma a presença de placas amiloides. A banca troca o diagnóstico clínico pela indicação terapêutica, que são coisas distintas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a presença do alelo APOE ε4, isoladamente, confirma o diagnóstico de DA e indica início de tratamento com AM. Erro: o APOE ε4 é um fator de risco genético, não um biomarcador diagnóstico. Sua presença aumenta a suscetibilidade, mas não confirma a doença, e muito menos indica tratamento. Além disso, o status APOE ε4 é usado para avaliar risco de ARIA (anormalidades de imagem relacionadas a amiloide) com os AM, não como critério de indicação. A banca confunde fator de risco com biomarcador diagnóstico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a indicação de AM requer a comprovação de patologia amiloide cerebral por PET-amiloide positivo ou por líquor com redução de Aβ42 e elevação de tau total ou fosforilada. Correta: é exatamente o que preconizam os critérios atuais. A confirmação da patologia amiloide é condição sine qua non para iniciar terapia com anticorpos monoclonais, pois essas drogas são direcionadas especificamente contra a proteína β-amiloide. O PET-amiloide e o líquor (com o padrão Aβ42 baixo + tau alto) são os métodos consagrados para essa confirmação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que biomarcadores sanguíneos já substituem completamente PET-amiloide e líquor, sendo suficientes para decisão terapêutica. Erro: embora os biomarcadores sanguíneos (p-tau217, razão Aβ42/Aβ40) sejam promissores e estejam sendo incorporados à prática, ainda não substituem completamente os métodos tradicionais na decisão terapêutica. São usados como triagem ou em combinação, mas a confirmação para indicação de AM ainda se baseia em PET ou líquor. A banca exagera o estágio atual da tecnologia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento com AM está indicado em qualquer fase da DA, independente do estágio clínico, desde que haja presença do alelo APOE. Erro: os AM são indicados apenas para CCL ou demência leve confirmada por biomarcadores. Em estágios moderados a graves, o benefício é incerto e o risco de ARIA é maior, sendo contraindicado. Além disso, a presença do APOE ε4 não é critério de indicação, mas sim de risco aumentado de ARIA, o que pode até contraindicar o uso em homozigotos. A banca inverte a lógica: o APOE ε4 não indica, ele alerta para risco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre diagnóstico clínico e indicação de tratamento modificador de doença. O candidato tende a achar que o quadro clínico + RM são suficientes, mas a indicação de AM exige biomarcador de amiloide positivo. Além disso, o APOE ε4 é apresentado como se fosse diagnóstico, quando na verdade é fator de risco e preditor de ARIA. Fique atento: a presença do alelo não indica tratamento — ela alerta para o risco de complicações com os AM.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre AM na DA, memorize o fluxo: CCL ou demência leve + confirmação de amiloide (PET ou líquor) = candidato a AM. O APOE ε4 entra apenas para estratificação de risco de ARIA, não como critério de indicação. E lembre: biomarcadores sanguíneos são o futuro, mas ainda não substituem PET/líquor na decisão terapêutica.

Gabarito: letra C

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