Um homem de 54 anos é admitido na emergência com quadro agudo de febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca e rebaixamento do nível de consciência, com início há cerca de 12 horas.Ao exame neurológico, encontra-se confuso, com sinais meníngeos evidentes. Não há déficit focal evidente no momento. Após exclusão de contraindicações, é realizada punção lombar.O líquor apresenta: aspecto turvo, pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteínas elevadas, glicose reduzida em relação à glicemia, bacterioscopia com diplococos gram-positivos.Considerando o quadro clínico e os achados do líquor, assinale a afirmativa correta.
AO líquor é compatível com meningite viral, e o tratamento indicado é suporte clínico e antiviral específico.
BO quadro sugere meningite por Neisseria meningitidis, sendo indicada penicilina cristalina como monoterapia.
COs achados são compatíveis com meningite por Streptococcus pneumoniae, e o tratamento deve incluir cefalosporina de terceira geração, vancomicina, e corticoterapia adjuvante.
DO tratamento deve ser postergado até o resultado definitivo da cultura do líquor.
EA corticoterapia é absolutamente contraindicada na meningite pneumocócica.
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GabaritoC — Os achados são compatíveis com meningite por Streptococcus pneumoniae, e o tratamento deve incluir cefalosporina de terceira geração, vancomicina, e corticoterapia adjuvante.
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Meningite bacteriana aguda: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra C. O quadro clínico (febre alta, cefaleia, rigidez de nuca, rebaixamento do nível de consciência) associado ao líquor turvo com pleocitose neutrofílica, proteínas elevadas, glicose reduzida e bacterioscopia com diplococos gram-positivos é clássico de meningite bacteriana aguda por Streptococcus pneumoniae. O tratamento indicado é cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona) associada à vancomicina, com corticoterapia adjuvante (dexametasona) — exatamente o que a alternativa C descreve.
A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento imediatos. O líquor é a ferramenta central para diferenciar as etiologias: na meningite bacteriana, o aspecto é turvo, com predomínio de neutrófilos, proteínas elevadas e glicose diminuída (hipoglicorraquia). Na meningite viral, o líquor costuma ser límpido, com predomínio de linfócitos, proteínas discretamente elevadas e glicose normal. A bacterioscopia (coloração de Gram) é crucial para identificar o agente: diplococos gram-positivos apontam para Streptococcus pneumoniae; diplococos gram-negativos, para Neisseria meningitidis; bacilos gram-negativos, para Haemophilus influenzae.
O tratamento empírico da meningite bacteriana aguda em adultos deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar o resultado da cultura. O esquema padrão inclui cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona) associada à vancomicina, para cobrir S. pneumoniae resistente à penicilina. A corticoterapia com dexametasona é recomendada como adjuvante, especialmente na suspeita de pneumococo, pois reduz a resposta inflamatória e as sequelas neurológicas. A alternativa B sugere penicilina cristalina como monoterapia, o que é inadequado devido à resistência pneumocócica. A alternativa D está errada porque o tratamento não deve ser postergado. A alternativa E está errada porque a corticoterapia é indicada, não contraindicada, na meningite pneumocócica.
A distinção entre meningite bacteriana e viral é fundamental. A tabela abaixo resume as diferenças liquóricas:
Característica
Bacteriana
Viral
Aspecto
Turvo
Límpido
Leucócitos
Neutrófilos
Linfócitos
Proteínas
Aumentadas
Discretamente aumentadas
Glicose
Diminuída
Normal
A pegadinha da banca está em trocar o agente etiológico: diplococos gram-positivos indicam pneumococo, não meningococo (que é gram-negativo). Além disso, a conduta correta envolve combinação de antibióticos e corticoterapia, não monoterapia com penicilina.
O líquor descrito (turvo, neutrófilos, glicose baixa) é típico de meningite bacteriana, não viral. Na meningite viral, o líquor é límpido, com linfócitos e glicose normal. O tratamento indicado seria antibiótico, não antiviral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A bacterioscopia mostra diplococos gram-positivos, característicos de Streptococcus pneumoniae. Neisseria meningitidis é um diplococo gram-negativo. Além disso, a penicilina cristalina como monoterapia não é o esquema recomendado devido à resistência pneumocócica; o padrão é cefalosporina de terceira geração associada à vancomicina.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os achados liquóricos (turvo, neutrófilos, proteínas elevadas, glicose reduzida, diplococos gram-positivos) são compatíveis com meningite por Streptococcus pneumoniae. O tratamento inclui cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona), vancomicina (para cobrir cepas resistentes) e corticoterapia adjuvante (dexametasona), que reduz a inflamação e melhora o prognóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento da meningite bacteriana aguda é uma emergência e não deve ser postergado até o resultado da cultura. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a suspeita clínica e a coleta de hemoculturas, pois o atraso aumenta a mortalidade e as sequelas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A corticoterapia é indicada na meningite pneumocócica, não contraindicada. A dexametasona, administrada antes ou junto com a primeira dose de antibiótico, reduz a resposta inflamatória e as complicações neurológicas, como perda auditiva.