A Síndrome de Terson é caracterizada pela ocorrência de hemorragia intraocular associada a uma hemorragia intracraniana abrupta (como uma hemorragia subaracnóidea ou subdural).Assinale a afirmativa correta a respeito da localização anatômica mais característica dessa hemorragia ao exame do fundo de olho.
Ahemorragia vítrea, sub-membrana limitante interna (MLI) ou sub-hialóidea.
Bexclusivamente hemorragias intrarretinianas profundas em “mancha”.
Chemorragia coroidea maciça com descolamento ciliar associado.
Dhemorragia puntiforme apenas na periferia extrema da retina.
Elocalização estritamente sub-retiniana.
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GabaritoA — hemorragia vítrea, sub-membrana limitante interna (MLI) ou sub-hialóidea.
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Síndrome de Terson: localização da hemorragia intraocular
Gabarito: letra A. A Síndrome de Terson, caracterizada pela associação de hemorragia intraocular com hemorragia intracraniana abrupta (tipicamente subaracnóidea), manifesta-se ao fundo de olho como hemorragia vítrea, sub-hialóidea ou sub-membrana limitante interna (MLI) — exatamente o que descreve a alternativa A. Essa é a localização clássica e mais característica descrita na literatura oftalmológica.
A Síndrome de Terson é uma complicação bem estabelecida da hemorragia subaracnóidea (HSA), ocorrendo em cerca de 10% a 20% dos casos. O mecanismo fisiopatológico envolve o aumento súbito da pressão intracraniana, que é transmitido ao longo do nervo óptico e das bainhas meníngeas até o espaço subaracnóideo do nervo óptico, comprimindo a veia central da retina e o sistema venoso retiniano. Essa congestão venosa aguda leva à ruptura dos capilares retinianos e à extravasão de sangue para o vítreo, para o espaço sub-hialóideo (entre a hialoide posterior e a retina) ou para o espaço sub-MLI (entre a membrana limitante interna e a retina).
A hemorragia vítrea é o achado mais clássico e frequentemente o mais extenso, podendo obscurecer completamente a visualização do fundo de olho. As hemorragias sub-hialóideas e sub-MLI são frequentemente pré-retinianas, apresentando-se como coleções sanguíneas bem delimitadas, muitas vezes com nível líquido-sanguíneo, localizadas na região posterior do vítreo ou imediatamente sobre a retina. A presença dessas hemorragias é um sinal de mau prognóstico, associado a maior mortalidade e pior pontuação na escala de Hunt-Hess, como mencionado no contexto clínico da HSA.
A distinção entre as localizações é importante para o diagnóstico e prognóstico. A hemorragia vítrea é a mais comum e a mais extensa, enquanto as hemorragias sub-hialóideas e sub-MLI são frequentemente menores e mais bem delimitadas. Todas essas localizações são características da Síndrome de Terson, e a alternativa A as engloba corretamente. As demais alternativas descrevem localizações que não são típicas dessa síndrome, como veremos a seguir.
A pegadinha desta questão está em associar a Síndrome de Terson a outras causas de hemorragia intraocular, como a retinopatia hipertensiva (que causa hemorragias intrarretinianas profundas em "mancha"), o descolamento de retina (que pode cursar com hemorragia sub-retiniana) ou a degeneração macular relacionada à idade (que pode causar hemorragia sub-retiniana ou sub-MLI). A banca explora a confusão entre essas diferentes etiologias e suas localizações características de hemorragia.
Guarde a localização clássica da Síndrome de Terson — vítrea, sub-hialóidea ou sub-MLI — e a associação com HSA. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Síndrome de Terson: Associação (Hemorragia intraocular, Hemorragia intracraniana abrupta (HSA)); Localização clássica (VSH) (Vítrea, Sub-hialóidea, Sub-MLI); Mecanismo (↑ Pressão intracraniana, Congestão venosa retiniana, Ruptura capilar); Prognóstico (Sinal de mau prognóstico)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve precisamente a localização anatômica mais característica da hemorragia intraocular na Síndrome de Terson: hemorragia vítrea, sub-membrana limitante interna (MLI) ou sub-hialóidea. Essas são as três localizações clássicas descritas na literatura, resultantes do aumento súbito da pressão intracraniana transmitido ao olho, que causa congestão venosa retiniana e ruptura capilar. A hemorragia vítrea é a mais comum e extensa, enquanto as sub-hialóideas e sub-MLI são pré-retinianas, frequentemente com nível líquido-sanguíneo. A alternativa está correta ao listar essas três localizações como as mais características.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a hemorragia é "exclusivamente intrarretiniana profunda em 'mancha'". Esse padrão é típico da retinopatia hipertensiva ou da retinopatia diabética, não da Síndrome de Terson. As hemorragias intrarretinianas profundas em "mancha" (blot hemorrhages) localizam-se nas camadas plexiforme externa e nuclear interna da retina, e não são a apresentação característica da Síndrome de Terson, que cursa com hemorragia vítrea ou pré-retiniana. Além disso, o termo "exclusivamente" torna a afirmação ainda mais incorreta, pois a síndrome pode apresentar múltiplas localizações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa descreve "hemorragia coroidea maciça com descolamento ciliar associado". Essa apresentação não é característica da Síndrome de Terson. A hemorragia coroidea maciça está mais associada a trauma ocular, cirurgia intraocular ou degeneração macular relacionada à idade, e o descolamento ciliar não faz parte do quadro típico da síndrome. A Síndrome de Terson cursa com hemorragia no vítreo ou pré-retiniana, não na coroide.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a hemorragia é "puntiforme apenas na periferia extrema da retina". Hemorragias puntiformes na periferia extrema podem ocorrer em diversas retinopatias, mas não são a localização característica da Síndrome de Terson. A hemorragia na síndrome é tipicamente vítrea ou pré-retiniana, localizada na região posterior do olho, e não puntiforme na periferia. O termo "apenas" também torna a afirmação incorreta, pois a síndrome pode apresentar múltiplas localizações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve "localização estritamente sub-retiniana". A hemorragia sub-retiniana (entre o epitélio pigmentar da retina e a retina neurosensorial) não é a localização característica da Síndrome de Terson. Esse padrão é mais comum em degeneração macular relacionada à idade, trauma ou miopia patológica. Na Síndrome de Terson, a hemorragia é vítrea ou pré-retiniana (sub-hialóidea ou sub-MLI), não sub-retiniana. O termo "estritamente" também torna a afirmação incorreta, pois a síndrome pode apresentar múltiplas localizações.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a Síndrome de Terson e outras causas de hemorragia intraocular. O candidato pode associar a hemorragia sub-retiniana (alternativa E) à degeneração macular ou a hemorragia intrarretiniana profunda (alternativa B) à retinopatia hipertensiva, mas a localização clássica da Síndrome de Terson é vítrea ou pré-retiniana. Lembre-se: a síndrome está associada a HSA, e a hemorragia ocorre por congestão venosa retiniana, não por outras etiologias.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a localização da Síndrome de Terson, associe a sigla "VSH": Vítrea, Sub-hialóidea, Hialóidea (sub-MLI). Essas são as três localizações clássicas. Na prova, se a alternativa mencionar hemorragia vítrea ou pré-retiniana em contexto de HSA, é quase certo que se refere à Síndrome de Terson.