Um paciente de 60 anos, HLA-A29 positivo, com diagnóstico de coriorretinopatia de Birdshot, mantém acuidade visual de 20/20 em ambos os olhos sob tratamento.Nesse caso, o monitoramento apenas pela acuidade visual de Snellen é considerado insuficiente porque
Ao paciente pode sofrer uma degeneração retiniana inflamatória difusa e progressiva, manifestada por perda de campo visual e disfunção no ERG, mesmo com visão central preservada.
Ba visão de Snellen não se correlaciona com a celularidade vítrea, que é o único marcador fidedigno de progressão na BCR.
Ca BCR afeta primariamente o cristalino, e a visão só diminui após o desenvolvimento de catarata total.
Do haplótipo HLA-A29 pode sofrer mutações ao longo do tempo, exigindo nova genotipagem anual.
Ea acuidade visual não detecta a inflamação de câmara anterior, que é o sinal cardinal da BCR.
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GabaritoA — o paciente pode sofrer uma degeneração retiniana inflamatória difusa e progressiva, manifestada por perda de campo visual e disfunção no ERG, mesmo com visão central preservada.
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Coriorretinopatia de Birdshot: monitoramento além da acuidade visual
Gabarito: letra A. Na coriorretinopatia de Birdshot (BCR), a acuidade visual de Snellen pode permanecer preservada (20/20) mesmo com progressão da doença, pois a degeneração retiniana inflamatória difusa compromete o campo visual e a função retiniana (ERG) antes de afetar a visão central — por isso o monitoramento isolado pela Snellen é insuficiente. A alternativa A descreve exatamente essa dissociação entre visão central preservada e disfunção difusa da retina.
A coriorretinopatia de Birdshot é uma uveíte posterior crônica, bilateral, fortemente associada ao HLA-A29, que se manifesta por lesões hipopigmentadas difusas na retina e coroide, além de inflamação vítrea. A doença tem curso progressivo e pode levar à degeneração retiniana difusa, com perda de campo visual e alterações no eletrorretinograma (ERG), mesmo quando a acuidade visual central ainda é boa. Isso ocorre porque a Snellen avalia apenas a função macular central, enquanto a BCR afeta difusamente a retina periférica e média. Por isso, o acompanhamento deve incluir exame de campo visual (perimetria) e ERG, além da biomicroscopia para avaliar a celularidade vítrea.
A celularidade vítrea é um marcador importante de atividade inflamatória, mas não é o único — a progressão também é avaliada por alterações no ERG e no campo visual. A alternativa B erra ao afirmar que é o "único marcador fidedigno". A BCR não afeta primariamente o cristalino (alternativa C), e o HLA-A29 não sofre mutações ao longo do tempo (alternativa D). A inflamação de câmara anterior não é o sinal cardinal da BCR — na verdade, a BCR é uma uveíte posterior, e a inflamação de câmara anterior é mais característica de outras uveítes (alternativa E).
A pegadinha central desta questão é a dissociação entre acuidade visual e função retiniana global. O candidato pode pensar que, com 20/20, o paciente está bem controlado, mas a BCR pode progredir silenciosamente. O ERG e o campo visual são essenciais para detectar a degeneração retiniana difusa antes que a visão central seja comprometida.
Coriorretinopatia de Birdshot (BCR)
1Características
Uveíte posterior crônica
Bilateral
Associada ao HLA-A29
Lesões hipopigmentadas difusas
2Monitoramento
Acuidade visual (Snellen)
Avalia só a mácula central
Pode ficar 20/20 com progressão
Campo visual (perimetria)
Eletrorretinograma (ERG)
Celularidade vítrea
3Progressão
Degeneração retiniana difusa
Perda de campo visual
Disfunção no ERG
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a razão pela qual a Snellen é insuficiente: a BCR causa degeneração retiniana inflamatória difusa e progressiva, que se manifesta por perda de campo visual e disfunção no ERG, mesmo com visão central preservada. Isso porque a Snellen avalia apenas a função macular central, enquanto a doença compromete difusamente a retina. O monitoramento deve incluir perimetria e ERG para detectar a progressão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a celularidade vítrea é o "único marcador fidedigno de progressão na BCR". Isso é falso: a celularidade vítrea é um marcador de atividade inflamatória, mas a progressão também é avaliada por campo visual e ERG. A banca troca a importância relativa da celularidade vítrea por exclusividade, o que não corresponde à prática clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a BCR afeta primariamente o cristalino e que a visão só diminui após catarata total. Isso é um erro grave: a BCR é uma uveíte posterior que afeta a retina e a coroide, não o cristalino. A catarata pode ser uma complicação secundária (por exemplo, devido ao uso de corticosteroides), mas não é a manifestação primária da doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o haplótipo HLA-A29 pode sofrer mutações ao longo do tempo, exigindo nova genotipagem anual. Isso é biologicamente incorreto: o HLA-A29 é um antígeno de histocompatibilidade determinado geneticamente e não sofre mutações somáticas ao longo da vida. A genotipagem é feita uma vez para confirmar o diagnóstico e não precisa ser repetida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a acuidade visual não detecta a inflamação de câmara anterior, que seria o sinal cardinal da BCR. Isso está errado em dois pontos: (1) a BCR é uma uveíte posterior, e a inflamação de câmara anterior não é o sinal cardinal — o sinal típico é a presença de lesões hipopigmentadas na retina e inflamação vítrea; (2) a acuidade visual, de fato, não detecta inflamação de câmara anterior, mas isso não é o motivo pelo qual a Snellen é insuficiente na BCR.
Gabarito: letra A — a Snellen é insuficiente porque a BCR pode progredir com degeneração retiniana difusa, perda de campo visual e disfunção no ERG, mesmo com visão central preservada.