Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2026

MedicinaOftalmologia
Código
fg130853
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Oftalmologia
Um paciente de 35 anos apresenta perda visual monocular subaguda associada a dor periocular que piora com a movimentação dos olhos. Ao realizar o exame clínico, nota-se um defeito pupilar aferente relativo (DPAR) e edema de disco óptico.O seguinte achado na ressonância magnética (RM) de órbita é mais característico para confirmar o diagnóstico de neurite óptica e diferenciá-lo da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA):
  1. Anervo óptico com aparência normal em sequências com supressão de gordura.
  2. Bpresença de black holes (buracos negros) exclusivamente no nervo óptico.
  3. Crealce do nervo óptico após administração de contraste (gadolínio).
  4. Dpresença de calcificações na bainha do nervo óptico.
  5. Eestreitamento do canal óptico por hiperostose óssea.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — realce do nervo óptico após administração de contraste (gadolínio).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurite óptica × NOIA-NA: o papel da RM na diferenciação

Gabarito: letra C. Na neurite óptica desmielinizante, a ressonância magnética (RM) de órbita com contraste mostra realce do nervo óptico após administração de gadolínio, achado que reflete a quebra da barreira hematoencefálica pela inflamação ativa — é o sinal que a diferencia da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), na qual o realce, quando presente, é restrito ao segmento intraorbital e não é o padrão típico. O contexto clínico (dor à movimentação ocular, DPAR, edema de disco) já aponta para neurite óptica, e a RM confirma o diagnóstico ao demonstrar o realce do nervo.

A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico, mais comumente associada à esclerose múltipla (EM), que cursa com perda visual monocular subaguda, dor retro-orbitária exacerbada pela movimentação ocular e defeito pupilar aferente relativo (DPAR). O exame fundoscópico pode ser normal (neurite retrobulbar) ou mostrar edema de disco óptico (papilite). A RM com contraste é o exame de imagem de escolha: na fase aguda, o nervo óptico inflamado apresenta realce pelo gadolínio, evidenciando a inflamação ativa. Esse realce é o achado mais característico e ajuda a diferenciar a neurite óptica de outras neuropatias ópticas, como a NOIA-NA.

A NOIA-NA, por sua vez, é uma neuropatia óptica isquêmica que ocorre por oclusão das artérias ciliares posteriores curtas, tipicamente em pacientes acima de 50 anos, com fatores de risco vascular (hipertensão, diabetes, dislipidemia). Clinicamente, manifesta-se como perda visual súbita e indolor, com edema de disco óptico e hemorragias peripapilares. Na RM, o nervo óptico pode estar discretamente espessado, mas o realce pelo contraste é incomum ou, quando presente, limitado ao segmento intraorbital — não é o padrão clássico de realce difuso observado na neurite óptica. Portanto, a presença de realce do nervo óptico após gadolínio é o achado que mais fortemente sugere neurite óptica e a distingue da NOIA-NA.

A banca explora a confusão entre os dois diagnósticos diferenciais: ambos cursam com perda visual e edema de disco, mas a neurite óptica é inflamatória (realce pelo contraste) e a NOIA-NA é isquêmica (sem realce significativo). O candidato deve lembrar que o realce pelo gadolínio indica inflamação ativa e quebra da barreira hematoencefálica, sendo o marcador de imagem da neurite óptica. As demais alternativas descrevem achados que não são característicos de neurite óptica nem de NOIA-NA, sendo distratores.

Guarde o critério decisivo: realce pelo gadolínio = inflamação (neurite óptica); ausência de realce = isquemia (NOIA-NA). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Neurite Óptica

NOIA-NA

Mecanismo fisiopatológico

Inflamação (quebra da barreira hematoencefálica)

Isquemia (oclusão das artérias ciliares posteriores curtas)

Achado na RM com contraste

Realce do nervo óptico pelo gadolínio (padrão clássico)

Realce ausente ou, quando presente, restrito ao segmento intraorbital

Faixa etária típica

Adultos jovens (associada à esclerose múltipla)

Acima de 50 anos (fatores de risco vascular)

Apresentação clínica

Perda visual subaguda, dor à movimentação ocular, DPAR

Perda visual súbita e indolor, edema de disco com hemorragias peripapilares

Alternativa A — ❌ Incorreta

Nervo óptico com aparência normal em sequências com supressão de gordura não é o achado esperado na neurite óptica aguda. Na fase aguda, o nervo óptico inflamado pode estar edemaciado e com realce após o contraste, mas a aparência normal em sequências sem contraste não exclui nem confirma o diagnóstico. A supressão de gordura é uma técnica utilizada para melhor visualização do nervo óptico, mas a ausência de alterações não é característica da neurite óptica, que tipicamente apresenta realce pelo contraste.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A presença de "black holes" (buracos negros) é um achado típico da esclerose múltipla no parênquima cerebral, não no nervo óptico. Na RM, os "black holes" são lesões hipointensas em T1 que representam áreas de perda axonal e gliose, mas não são observados exclusivamente no nervo óptico na neurite óptica. Esse achado não é utilizado para diferenciar neurite óptica de NOIA-NA.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O realce do nervo óptico após administração de contraste (gadolínio) é o achado mais característico da neurite óptica na RM. A inflamação aguda causa quebra da barreira hematoencefálica, permitindo a passagem do contraste para o tecido nervoso, que se evidencia como realce no exame. Esse achado é fundamental para confirmar o diagnóstico e diferenciá-lo da NOIA-NA, na qual o realce é ausente ou pouco proeminente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A presença de calcificações na bainha do nervo óptico não é um achado característico de neurite óptica nem de NOIA-NA. Calcificações podem ser observadas em outras condições, como tumores (meningioma da bainha do nervo óptico) ou doenças metabólicas, mas não são utilizadas para diferenciar neurite óptica de NOIA-NA.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O estreitamento do canal óptico por hiperostose óssea é um achado típico de doenças ósseas como a displasia fibrosa ou o meningioma da asa do esfenoide, que podem comprimir o nervo óptico. Não é um achado característico de neurite óptica nem de NOIA-NA, e não auxilia na diferenciação entre essas duas condições.

Gabarito: letra C — o realce do nervo óptico após contraste (gadolínio) é o achado de RM mais característico da neurite óptica e a diferencia da NOIA-NA.

Link permanente: /questoes/fg130853