Dosagem de Apolipoproteína B (ApoB) na Avaliação do Risco Cardiovascular
A questão aborda o papel da apolipoproteína B (ApoB) como marcador de risco cardiovascular. A ApoB é o principal componente proteico das lipoproteínas aterogênicas (VLDL, IDL, LDL, Lp(a)), e sua concentração reflete diretamente o número total dessas partículas. Cada partícula aterogênica contém exatamente uma molécula de ApoB, tornando sua dosagem uma estimativa direta da carga aterogênica total, independentemente do tamanho ou densidade das partículas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as concentrações de HDL-colesterol e ApoB estão altamente correlacionadas na população geral. Na realidade, o HDL-colesterol é uma lipoproteína antiaterogênica que contém apolipoproteína A-I (ApoA-I), não ApoB. A correlação entre HDL-c e ApoB é fraca ou inversa, pois a ApoB está presente nas lipoproteínas aterogênicas, enquanto o HDL representa uma fração protetora. Portanto, a afirmativa é falsa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a dosagem de ApoB é indicada apenas para mulheres na menopausa, quando ocorre diminuição do risco cardiovascular. Isso é incorreto por dois motivos: (1) a menopausa está associada a um aumento do risco cardiovascular, não a uma diminuição; (2) a dosagem de ApoB é útil em diversos contextos, como em pacientes com diabetes, síndrome metabólica, hipertrigliceridemia, doença cardiovascular estabelecida ou risco elevado, e não se restringe a mulheres na menopausa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a medida da ApoB não agrega valor na avaliação de risco cardiovascular. Diversos estudos e diretrizes (como as da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da American Heart Association) reconhecem que a ApoB é um marcador superior ao LDL-colesterol em muitas situações, especialmente quando há partículas pequenas e densas (comum em diabetes e síndrome metabólica). A ApoB reflete o número total de partículas aterogênicas, enquanto o LDL-colesterol pode subestimar o risco quando as partículas são pequenas. Portanto, a ApoB agrega valor significativo.
Alternativa D — ✅ Correta
Afirma que a dosagem da ApoB fornece uma estimativa direta da concentração total de partículas lipídicas aterogênicas plasmáticas. Isso está correto porque cada partícula de VLDL, IDL, LDL e Lp(a) contém exatamente uma molécula de ApoB. Assim, a concentração de ApoB (em mg/dL) é diretamente proporcional ao número de partículas aterogênicas, independentemente do seu conteúdo de colesterol. Essa é a principal vantagem da ApoB sobre o LDL-colesterol, que mede a quantidade de colesterol dentro das partículas, mas não o número delas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os níveis de ApoB se elevam no estado pós-prandial e, portanto, devem ser dosados sempre após jejum de 48 horas. Na verdade, a ApoB é relativamente estável no estado pós-prandial, e as diretrizes atuais permitem sua dosagem sem jejum (ou com jejum de 8-12 horas, como para o perfil lipídico padrão). Jejum de 48 horas é desnecessário e não é recomendado. Além disso, a ApoB não sofre grandes variações com a alimentação, ao contrário dos triglicerídeos.
Gabarito: letra D