Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg130984
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Criança de 4 anos, admitida para internação, portadora de encefalopatia crônica não progressiva por asfixia perinatal, em uso de traqueostomia e gastrostomia, apresenta palidez, hipotermia e glicemia capilar de 40 mg/dL. Encontra-se em desnutrição grave.A conduta imediata é
Aaporte nutricional de 70% da meta; infusão de glicose de 6 mg/kg/minuto; checar o nível de fósforo, sódio e potássio.
Baporte nutricional de 50% da meta; infusão de glicose de 12 mg/kg/minuto; checar o nível de fósforo, magnésio e potássio.
Caporte nutricional de 40% da meta, infusão de glicose de 4 mg/kg/minuto; checar o nível de fósforo, magnésio e potássio.
Daporte nutricional de 30% da meta, infusão de glicose de 5 mg/kg/minuto; checar o nível de cálcio, sódio e potássio.
Eaporte nutricional de 25% da meta, infusão de glicose de 10 mg/kg/minuto; checar o nível de fósforo, magnésio e potássio.
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GabaritoC — aporte nutricional de 40% da meta, infusão de glicose de 4 mg/kg/minuto; checar o nível de fósforo, magnésio e potássio.
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Desnutrição grave e síndrome de realimentação: conduta imediata
Gabarito: letra C. Na desnutrição grave, a conduta imediata exige cautela para evitar a síndrome de realimentação: o aporte nutricional deve ser reduzido (40% da meta), a infusão de glicose deve ser baixa (4 mg/kg/min) e é obrigatório checar fósforo, magnésio e potássio — exatamente o que a alternativa C descreve. Essa abordagem é consagrada nas diretrizes de terapia nutricional pediátrica e no manejo da desnutrição grave.
A síndrome de realimentação é o conjunto de alterações metabólicas que ocorre quando se inicia a nutrição de forma agressiva em um paciente gravemente desnutrido. O organismo, adaptado ao jejum e à depleção, sofre um pico de insulina com a oferta de glicose, o que leva à captação celular maciça de fósforo, magnésio e potássio — íons que estão com estoques corporais já esgotados. O resultado é uma hipofosfatemia grave (a mais característica), hipomagnesemia e hipocalemia, que podem causar arritmias, insuficiência respiratória, rabdomiólise e até morte súbita. Por isso, a regra de ouro é: começar devagar e monitorar eletrólitos.
Na prática, a conduta imediata em uma criança com desnutrição grave (como a do caso, com encefalopatia crônica, traqueostomia e gastrostomia) segue o princípio de "começar baixo e progredir lentamente". O aporte calórico inicial deve ser de 40% da meta (algumas fontes citam 30–50%, mas 40% é o valor clássico), a infusão de glicose deve ser 4 mg/kg/min (para evitar hiperglicemia e piorar o desequilíbrio eletrolítico) e a monitorização deve incluir fósforo, magnésio e potássio — os três íons que caem na realimentação. O fósforo é o marcador mais sensível e o que mais preocupa, pois sua queda pode ser fatal.
A pegadinha desta questão é dupla: primeiro, o candidato pode achar que, por ser uma emergência (glicemia 40 mg/dL), deve-se "atacar" com glicose em alta dose e aporte nutricional generoso — o oposto do que se deve fazer. Segundo, a banca troca os eletrólitos a monitorar: em vez de fósforo, magnésio e potássio (os que caem na realimentação), coloca sódio e cálcio, que não são os críticos nesse cenário. O raciocínio correto é: desnutrição grave + início de dieta = risco de síndrome de realimentação = cautela máxima.
Guarde o tripé da conduta: aporte reduzido (40%), glicose baixa (4 mg/kg/min) e eletrólitos (P, Mg, K). É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.
1Aporte reduzido (40% da meta)
2Glicose baixa (4 mg/kg/min)
3Checar P, Mg e K
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O aporte de 70% da meta é alto demais para o início da realimentação em desnutrição grave — aumenta o risco de síndrome de realimentação. Além disso, a infusão de glicose de 6 mg/kg/min é superior à recomendada (4 mg/kg/min) e a checagem de sódio não é o foco imediato (o sódio pode até estar baixo, mas não é o íon crítico da realimentação). O erro está na combinação de aporte e glicose elevados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O aporte de 50% da meta ainda é alto para o início, e a infusão de 12 mg/kg/min de glicose é excessiva — mais que o dobro do recomendado (4 mg/kg/min). Essa dose alta de glicose é justamente o que precipita a síndrome de realimentação, com queda abrupta de fósforo, magnésio e potássio. A checagem dos eletrólitos está correta, mas os valores de aporte e glicose estão errados.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa espelha exatamente a conduta recomendada: aporte nutricional de 40% da meta (início cauteloso), infusão de glicose de 4 mg/kg/min (dose baixa para evitar pico insulínico) e checagem de fósforo, magnésio e potássio (os eletrólitos que caem na síndrome de realimentação). É a combinação que previne a hipofosfatemia grave e suas complicações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O aporte de 30% da meta é um valor possível em algumas diretrizes, mas a infusão de 5 mg/kg/min de glicose é um pouco acima do recomendado (4 mg/kg/min). O erro mais claro, porém, está na checagem de cálcio e sódio — não são os eletrólitos críticos da síndrome de realimentação. O fósforo, o magnésio e o potássio são os que devem ser monitorados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O aporte de 25% da meta é baixo demais (embora cauteloso), mas a infusão de 10 mg/kg/min de glicose é excessiva — mais que o dobro do recomendado. Essa dose alta de glicose é justamente o que precipita a síndrome de realimentação. A checagem dos eletrólitos está correta, mas os valores de aporte e glicose estão errados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "emergência" e "tratar agressivamente". O candidato acha que, com glicemia de 40 mg/dL, deve-se infundir glicose em alta dose e nutrir generosamente — mas é o oposto: na desnutrição grave, o início deve ser lento e cauteloso para não desencadear a síndrome de realimentação. Fique atento também à troca dos eletrólitos: o que cai na realimentação é fósforo, magnésio e potássio, não sódio e cálcio.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de desnutrição grave, memorize o tripé da conduta inicial: aporte 40% da meta, glicose 4 mg/kg/min, checar P-Mg-K. Se a alternativa trouxer aporte acima de 50% ou glicose acima de 6 mg/kg/min, desconfie — é armadilha de síndrome de realimentação.